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Impressões e imprecisões de nossa vida com Gabriel.

Gabriel é nosso caçula. Nasceu em 1993, em Macaé (RJ). No começo de 1996, percebemos que ele, além de não falar (apenas cantava), estava adotando um comportamento aéreo. Não atendia aos nossos chamados. Ficava isolado.

Será que é autista? Foi a primeira pergunta que fiz...

Contribua para melhorar a vida das pessoas autistas do Brasil!

O Dr. Walter Camargos Junior está organizando um vídeo para treinar pediatras na detecção precoce do autismo. Para isso, precisa de material. Quem tiver filmes de crianças pequenas (menos de 3 anos de idade), que foram posteriormente diagnosticadas como autistas, por favor procurem-no.

Dr. Walter Camargos Junior:
Telefone: (31)3261-5976
e-mail: waltercamargos@uaivip.com.br

No orkut, conheça a comunidade Sou fã de Gabriel Maciel

Clique aqui para entrar no grupo autismo
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Comunidade Virtual Autismo no Brasil

 

Livro: Vencendo o Autismo - A Menina sem Estrela.
De: Yvonne Meyer Falkas.

Relato da vida de Sheila, filha da autora, e de como a família tem convivido com o autismo. Um testemunho de como foram vencidas etapas com múltiplas adversidades, e suas conquistas. Um apanhado geral sobre o que vem a ser o Autismo, as supostas origens e causas e os preconceitos existentes.

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Sexta-feira, Novembro 23, 2007

Eu não sou capaz

Como todo fim de ano, a Escola Curumin leva seus alunos para um dia de festa no sítio de sua diretora, a Tia Lúcia. Este ano não foi diferente.

Gabriel esteve afastado das aulas, por conta de três problemas de saúde seguidos: a extração do dente e a otite. Voltou por dois dias, mas teve conjuntivite - que contraiu de Pedro. Só voltou mesmo nesta semana - já fim de ano, etapa final.

Então, tínhamos de organizar as coisas. Pagamos a taxa para contratar as vans e preparar a festa, compramos sunga nova, filtro solar e o presente de amigo secreto. As professoras e colegas ajudaram na preparação. Quando o fui buscar, ontem, quinta-feira, Fabiane perguntou-lhe:

-"Gabriel, onde você vai amanhã?"

-"No sítio da Tia Lúcia!"

-"pra?..."

-"Cair na piscina! Tchibum!"


Mariene também estava na escola, esperando. Tinha aproveitado para ir ao Centro comprar a sunga e o presente. No carro, perguntamos algumas vezes e Gabriel, risonho, repetia que ia para o sítio da Tia Lúcia, pular (ou cair) na piscina. Em casa, a mesma coisa. Falava a frase toda, bastava perguntar:

-"Eu vou no sítio da tia Lúcia passear e pular na piscina! e ainda ria: "Re re re..."

Foi dormir, à noite, n expectativa do dia seguinte. Hoje pela manhã, alguém entrou no nosso quarto, me acordando:

-"Oi! Quem está aí?" perguntei.

Era Gabriel, que deixou a porta aberta, voltou para seu quarto e ligou a TV.

Quando levantei, fui garantir que estava acordado, para poder fazer seu relaxamento e compensar a mudança de estado de sonolento para desperto - eu não queria repetir a dose do dia da extração do dente. Gabriel estava muito nervoso:

-"Gabriel, você vai pra...?"

-"Não!"

-"Você não quer ir pro sítio da Tia Lúcia, para cair na piscina?"

-"Não! Não! Eu não sou capaz!"

Fazia tempo que ele não soltava essa. Entendi na hora. Gabriel tem perfeita consciência de que é diferente, e se sente ansioso em situações novas, em que sente que pode se descontrolar ou ser rejeitado. Tem medo. Falei:

-"Vamos, Gabriel! Fabiane vai estar lá... seus colegas! Todo mundo gosta de você! você é bonito, inteligente..."

-"Nããããoooo..."

Claro que levei umas cabeçadas. Ele pedia:

-"Deita!"

-"Deita, Gabriel, mais um pouquinho. Foi um pesadelo. Você pode ir, vai ser bom..."

-"Nããããoooo..."

Chamei Mariene, que se deitou um pouco com ele, tentando acalmá-lo. Decidimos que ela iria também. Parece que isso lhe deu mais confiança. Relaxou. Mais uns minutos, foi para a sala e aceitou trocar de roupa - e não era o uniforme da escola!

Fomos cantando no carro - coisa que temos feito de uns tempos para cá. Mariene conversava muito com ele. Chegando à escola, a expressão de Gabriel era um pouco tensa, mas, vendo todas as crianças sem uniforme, rindo, tagarelando, aproximou-se de Fabiane e encostou a cabeça no seu ombro. Uns colegas falaram com ele. Explicamos rapidamente a ela o que acontecera e fomos embora. Ele já sorria, timidamente.

postado por: Argemiro Garcia 23.11.07

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Benzetacil

Nem tinha se recuperado da extração do dente, novos problemas. Levamos Gabriel para a visita de rotina com a Dra. Andréa, que o tinha operado para extrair seu dente fora do esquadro. Nem tudo estava bem. Ansioso, Gabriel arrancara um dos pontos, que infeccionou. Também vinha reclamando de dor no ouvido. Resolvemos, então, ir ao Pronto Atendimento de Otorrinolaringologia do Hospital Santa Isabel.

Antes, Gabriel quis passar na Toxeriña, cafeteria que fica no Pituba Parque Center, o shopping onde fica o consultório de Andréa. Encontramos uma moça cujos pais são vizinhos nossos, acompanhada de sua filhinha de cerca de um ano e meio, mas que já fala. Toda importante, A garotinha sentou-se à mesa e pediu:

-"Quero socoiate!"

Prestativa, a mãe levantou-se, foi ao caixa e trouxe uma barra de chocolate. No entanto, a pequena se pôs a chorar.

-"O que foi? Olha o chocolate!"

Não adiantava; a menina chorava e esticava a mão aberta na direção... da máquina de sorvete!

Ganhando seu sorvete, a paz voltou a reinar.

Fica, então a questão: aparentemente, em termos de comunicação, uma pessoa autista tem as limitações de quem não atingiu ainda os dois anos, aquela idade mágica em que o domínio da linguagem começa a ser construído. Agora, uma coisa é uma criança de dois anos chorando; outra, um rapaz de 14 anos, ou um adulto: o estrago é bem maior. Por isso, vejo como primordial investir na capacidade de se comunicar - preferencialmente, com a linguagem falada, embora outras formas, como PECS ou linguagem de sinais sejam válidas, também.

Bom, fomos para o hospital. Duas médicas - uma, estagiária - nos atenderam. Gabriel perguntava:

-"Cadê Dr. João?" - não é que se lembrou do médico que o atendeu no começo do ano?

Depois de explicarmos mais uma vez as idiossincrasias do mocinho, elas receitaram o antibiótico de maior espectro que se lembraram: Benzetacil. Eu nunca tomei uma injeção desse medicamento, mas dizem horrores dele. Bom, enfim, Gabriel foi consultado:

-"Gabriel, quer beber o remédio ou tomar injeção?"

-"Injeção!"

-"Vai doer muito!"

-"Injeção!"


Era o jeito. Saímos do consultório com a receita. Na farmácia, descobrimos que a ANVISA proibiu a aplicação fora dos postos de saúde. Então, o jeito foi nos dirigirmos ao Dique do Tororó, onde há um posto.

Os postos de saúde públicos não são bonitos. As paredes estão descascadas, há gente suada, uma ou outra embriagada. Ferimentos podem estar expostos. Ao contrário dos os pacientes de hospitais particulares, que se arrumam para a consulta, o pessoal que não tem plano de sáude vai como pode. Além disso, o ar condicionado desligado não ajuda.

Mas o atendimento foi bom. Rapidamente a ficha foi preenchida e a condição especial de Gabriel foi respeitada: passaram-no na frente. Para a primeira aplicação, não houve piti. Ele apenas ritualizou um pouco a coisa, sentando-se num cadeira específica e só se levantando com nossa ordem:

-"PODE levantar!"

Deitou-se na maca e a enfermeira aplicou-lhe a injeção. Por via das dúvidas eu o segurei, pondo peso em suas costas, para que não se mexesse durante a operação de guerra. Mas nem houve tanto problema assim. Saindo do ambulatório, foi esfregando a bunda até a sala de espera e ficou mais uns dez minutos, até decidir-se por ir embora.

No dia seguinte, nem foi tão difícil. Gabriela nos acompanhou e, mais uma vez, ele aceitou entrar e ser medicado. Só que, desta vez, foi preciso mais gente para segurá-lo.

No terceiro dia, a coisa complicou. Primeiro, voltamos ao Santa Isabel, na tentativa de reduzir a receita para três aplicações, ao invés de cinco, como fôra indicado. Fomos atendidos pela estagiária que, mais segura, disse que não podia alterar indicação da outra doutora.

Voltamos ao posto. Dessa vez, ele entrou no ambulatório firmemente, mas parece que pensou melhor e começou a dizer "Não! Não!" enquanto caminhava lentamente para trás. Havia gente passando mal e acabamos querendo resolver logo o problema: agarrei-o no colo e o pus na maca. Três pessoas o seguraram e ele foi medicado. Claro que não gostou nem um pouco e se pôs a gritar. Foram uns quinze minutos de protestos, com direito a muito:

-"Eu não quééééééérooo entrar!"

Só quando conseguimos que entrasse de novo no ambulatório, segurando levemente a ponta de meus dedos, é que se acalmou. Os enfermeiros e o médico assistiam a tudo, pacientemente. Explicávamos que Gabriel fôra desrespeitado, que ele tem seu tempo e queria agora fazer do seu jeito.

Dentro da enfermaria, se pôs a cumprir um de seus rituais de acalmação, repetindo frases da Família Dinossauro:

-"Vem aí a família mais divertida dos últimos sessenta milhões de anos! Ôpa! Não é a mamãe, não é a mamãe!"

Quando conseguiu se acalmar, saiu sozinho e pudemos ir para o carro e para casa.

postado por: Argemiro Garcia 23.11.07

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Quarta-feira, Novembro 21, 2007

Analfabetos de céu

| Redação do Momento Espírita | Em 19.11.2007 | Enviada por Wanya Leite |

Numa escola de ensino fundamental, uma menina de 7 anos faz um desenho de uma paisagem com tintas coloridas.

Era a tarefa do dia na aula. Pintar um lugar onde eles gostariam de estar.

A menina se esmerou com a palheta de cores, e produziu, empolgada, sua obra de arte.

Ansiosa, levantou-se da cadeira e foi mostrar à professora.

Ao ver a pintura, a educadora notou algo estranho já de súbito.

Disse baixinho um "muito bem", para incentivar a criança, fez um carinho e pegou o desenho em mãos.

Os trabalhinhos seriam expostos no outro dia no mural da escola.

No intervalo para o lanche, a professora não se conteve, pegou o desenho e foi mostrar às outras que se encontravam na secretaria da escola.

Ela queria uma opinião sobre aquilo. Algumas delas eram mais entendidas em psicologia infantil, e quem sabe poderiam ajudá-la a decifrar o que estava pintado ali.

"O que será que ela quis dizer com isso? Isso deve estar mostrando algum sentimento, algo que ela tem guardado. O que será?"

As amigas de profissão não souberam dizer. Algumas disseram que não era nada, que não deveria se preocupar. Mas ela estava "encafifada", se poderia dizer.

Voltou à sala de aula, e resolveu que, ao final do período, iria conversar com a menina e perguntar a ela o que significava.

Chamou-a então, com discrição, à sua mesa e perguntou, com a pintura na mão:

"Querida, você pode explicar algo para a tia?" – A criança acenou com a cabeça.

"Se o céu é azul, por que você desenhou um céu cor-de-rosa?"

"Mas o céu não é azul, tia!"
– Respondeu ela, com educação.

"Quem diz que o céu é azul é analfabeto de céu!

Ontem, no final da tarde, o céu atrás de minha casa estava assim, rosa.

Esses dias vi um céu laranja! À noite ele é sempre preto, ou azul escuro, mas de dia ele pode ser cinza claro, cinza escuro, vermelho...

Sabe... Uma vez vi uma tempestade tão grande no céu, que ela chegou a pintar o céu de verde! Não é todo mundo que acredita, mas eu vi, era verde."


A menina fez um verdadeiro discurso sobre as cores do céu, deixando boquiaberta a professora desatenta.

Ela nunca havia parado para pensar nisso. Aceitou tão facilmente a verdade, o clichê de que o céu é azul, que acabou esquecendo a variedade de cores possíveis no zimbório terreno.

Percebeu então como as crianças têm uma sensibilidade admirável, e que muito tinha a aprender com elas.

Com certeza, na próxima vez, antes de achar que possa existir algum problema numa criança, iria se analisar, para perceber se não era sua sensibilidade que precisava de escola.



Toda criança é especial, e merece ser tratada como tal.

Da mesma forma como nem sempre o céu é azul, cada criança tem suas particularidades, e os educadores precisam estar atentos a elas.

Não se pode usar uma mesma fórmula, um mesmo padrão de ensino ou educação no lar, para todas as crianças.

Faz-se necessário ajustes, adequações, atenções individualizadas.

Todo céu é belo, mesmo sendo amarelo, rosa, vermelho ou negro.

postado por: Argemiro Garcia 21.11.07

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Sexta-feira, Novembro 09, 2007

A pequena deusa da Índia

Uma menina feliz, amada por seus pais.
A garotinha Lakshmi, antes da operação, no colo da mãe sorridente.
Lakshmi nasceu siamesa, ligada ao corpo de uma irmã gêmea que não se desenvolveu plenamente.

Veja no meu outro blog, o Imbloglio, como uma situação que teria trazido luto e tristeza para famílias de outras culturas trouxe respeito, admiração, aceitação e carinho de sua família e comunidade.

Clique no Imbloglio para conhecer Lakshmi.



postado por: Argemiro Garcia 9.11.07

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