Canto de Anjo |
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Gabriel é nosso caçula. Nasceu em 1993, em Macaé (RJ). No começo de 1996, percebemos que ele, além de não falar (apenas cantava), estava adotando um comportamento aéreo. Não atendia aos nossos chamados. Ficava isolado. Será que é autista? Foi a primeira pergunta que fiz...
No orkut, conheça a comunidade Sou fã de Gabriel Maciel
Terça-feira, Agosto 28, 2007 Quando a programação não funcionaSair da rotina sempre é ruim - ainda mais se você é um menino autista.Chegaram em nossa casa no meio da semana passada: Rosilda, Rita e seu marido Vado. Três pessoas para acomodar: viajariam para São Paulo no domingo, dia 26. Gabriel assumiu: se tem gente de fora, ele se muda para o sofá da sala; entende que deve ser assim e ninguém o demove dessa idéia. Não adianta chamá-lo para dormir conosco; não adianta oferecer-lhe um colchão ou o quarto de Melina, que passa a ir dormir em casa nesses dias. Ele quer o sofá.
Daí que, domingo, levamos os três ao aeroporto. Fomos na frente: Rosilda, Pedro, Gabriel, eu e as malas. Mariene, Rita e Vado seguiram de ônibus. Rosilda viajaria pela Gol, às 15h30. Rita e Vado, pela BRA, às 16h30. Mas... Fizemos o check in de Rosilda. Como ela levava lembranças e compras, deixamos sua mala para os dois levarem e ela ficou com uma das deles. Chegou a vez de despachar as malas do casal, que ainda não tinha chegado ao Dois de Julho. Problema: a BRA tinha juntado seu vôo com a Ocean Air, cujos funcionários não achavam os nomes na lista. Fomos para a loja da BRA e constatamos: a reserva feita pelo telefone estava errada. Em vez de digitar o "2" e o "6", o atendente digitara "0" e "6". Ou seja, tinham perdido o vôo! Para Gabriel, não foi problema: escadas rolantes e elevadores servem para diversão. Enquanto Rosilda e eu conversávamos, ele zanzava. Pedro tomava conta dele e foi acompanhar a tia até o embarque. Quando voltou, os dois quiseram sanduíche do Bob's. Chegaram Vado e Rita e, se inteirando da situação, tiveram que aceitar a premissa de que o que não tem remédio, remediado está, como dizia minha mãe. Ainda fomos à Ribeira. Gabriel se aboletou na pizzaria e, depois, foi para a tradicional Sorveteria da Ribeira. Os atendentes já o conhecem e ele acabou atrás do balcão.
Por último, passamos no Seu Luiz, que vende garapa, e voltamos para casa passando pelo Bonfim e pelo Dique do Tororó - sob protestos de Gabriel, que queria passear mais. E o que tem a mudança da rotina, Argemiro? Bom... Ontem, segunda-feira, Pedro se instalou no micro da sala (temos mais um para os filhos). Luz acesa, tv ligada, todo mundo assistindo "O Dia depois de Amanhã", aquele besteirol geológico (sou geólogo e Pedro estuda Geologia, não se esqueça!). Daqui a pouco... -"Uáááárrrhhhh!!! Eu quero dormir!!!! Eu quero dormir!!!! Eu quero dormir!!!!" Eu, que já tinha me deitado, fui para a sala. Levei bons puxões de cabelo e algumas cabeçadas. Apagamos as luzes, "pedimos" a Pedro que desligasse o micro - sob protestos, claro - mas Gabriel só se acalmou depois que eu me deitei. Foram mais de trinta minutos de estresse. Acredito que Gabriel girou o "botão do pacienciômetro" para encerrar no domingo. Os planos mudam de repente... quem güenta? postado por: Argemiro Garcia 28.8.07 Deixe aqui seu recado.Mas, se quiser se comunicar diretamente comigo, mande-me um e-mail: argemiro@lognet.com.br
CentralCom o falecimento da Vovó Nenê, tivemos a viagem, com todas suas desventuras e aventuras: 200 km de Biz Honda, o cavalo pelos caminhos da caatinga... ia esquecendo de contar!Chegamos a Nova Vista em companhia de Vado, marido de Rita - tio, por afinidade, e primo por consangüinidade. Fomos Pedro, Gabriel e eu. Onaldo, tio de Vado e primo como ele, tem um cavalo - já comentei isso há dois posts atrás. Onaldo é motorista da ambulância do PSF (Programa Saúde da Família) no povoado e tinha saído para levar uma pessoa à cidade. Gabriel pedia: -"Cavalo! Depois!" mas não se estressou além da conta. Quando Onaldo chegou, umas duas da tarde, fomos buscar o bicho. Gabriel veio montado em pelo, com Pedro puxando a rédea; dentro da praça do povoado, passei a ocupar esse cargo e saímos pela estrada afora, espiando as casas e o mato. Na última casa antes de entrarmos no território das lavouras e da caatinga, passamos por um bando de galinhas d'Angola. Mostrei a Gabriel e perguntei: -"Olha! Gabriel! Gabriel, olha! Que bicho é esse? Como é que ele canta? Tô fraco! tô fraco! É a galinha... de..." -"...Angola! Tô fraco! Tô fraco!" e riu... Claro que o sol escaldante e o montar por muito tempo acabou cansando-o: Ele não agüentava permanecer no lombo do animal; voltamos. Ao final do dia, ele não queria retornar à cidade. ficava em pé sobre um tronco caído que serve de banco. Foi preciso ralhar com ele, que voltou quietinho no banco traseiro. Mal chegou na casa da prima, já pediu: -"Depois!..." Foi preciso voltar às ruas, na Biz Honda. No sábado, na feira, rodamos por entre as barracas, para comprar echalote, conhecida no Nordeste como cebolinha e em São Paulo como cebolinha-do-Norte. Gabriel não se interessou muito pela feira; quis apenas comprar duas piranhas, aqueles prendedores de cabelo - e saiu batendo um no outro pela rua. postado por: Argemiro Garcia 28.8.07 Deixe aqui seu recado.Mas, se quiser se comunicar diretamente comigo, mande-me um e-mail: argemiro@lognet.com.br
CurativosGabriel costuma pegar a tesoura e cortar suas próprias unhas - às vezes, com resultados esteticamente questionáveis, vamos dizer assim. Mas corta. Também tem seu alicate de cutícula; aliás, dois, porque o primeiro ficou sumido um tempo e fui obrigado a comprar um novo. De vez em quando, então, pede: tesoura! Se não achamos a pequenina, vai a grande, de cortar cabelo, que eu usava para aparar a barba.Claro que essas aventuras no mundo das manicures tem seu preço, deixando as cutículas feridas, às vezes. Daí, ele pede: -"Curativo!" Há umas semanas atrás, logo depois de Mariene ter voltado da casa da mãe, Gabriel veio lhe pedindo: -"Curativo! Cura dedo! Cura anelar!..." postado por: Argemiro Garcia 28.8.07 Deixe aqui seu recado.Mas, se quiser se comunicar diretamente comigo, mande-me um e-mail: argemiro@lognet.com.br
Sexta-feira, Agosto 24, 2007 FalecimentoManhã de 29 de julho, a notícia veio aos poucos.Dona Eurides, a Nenê, mãe de Mariene, tivera sua casa invadida e fôra assaltada e agredida. No final da tarde, mais dois telefonemas nos deixaram preocupados e Mariene viajou para Irecê, a 500 km de Salvador, para ficar com a mãe - que morava em Central, trinta e poucos quilômetros depois. Dona Nenê estava no hospital, fôra muito machucada. O assalto acontecera de madrugada. foi feita a perícia e testemunhas apontaram dois suspeitos, que foram presos. Exames foram solicitados. Como Rita, sua irmã, já programara férias na casa da mãe, Mariene ficou com a mãe até que ela chegasse.
Dia 14, dezessete dias depois do assalto, terça-feira passada, eu estava no trabalho, no fim do expediente, Mariene me liga: -"Miro, mãe morreu!" - dessa vez, a notícia veio de uma vez só. O dia já não tinha começado bem: Pedro voltava do ENEGEO, Encontro Nacional dos Estudantes de Geologia, quando sofreu, junto com uma colega, um assalto à mão armada. O susto foi grande, mas só houvera a perda de mochila, máquina fotográfica, fotos, roupas, barraca. O mais importante ficara. Agora, nem doze horas depois daquela, outra bomba - e bem pior. Rosilda chegou às onze da noite, vinda de São Paulo. Na manhã seguinte, pegamos o carro e fomos a Central: Mariene, Pedro, Rosilda, Gabriel e eu. A viagem transcorreu bem; Gabriel pregou o olhar na paisagem e seguiu quietinho. Paramos duas vezes, uma na entrada da Rodovia do Feijão, para esticarmos as pernas, outra em América Dourada, para almoçarmos. Chegamos às três horas da tarde. Na porta de Dona Nenê, na casa número 1 da Avenida Central, um aglomerado de parentes, mais de cinqüenta pessoas, acho, lotavam a casa e o portão. Muita mágoa, muita revolta. Perguntas pelos resultados dos exames. A fogueirinha que iluminara e aquecera o pessoal ainda deixava na rua suas cinzas. Enquanto um vento frio batia, primos e tios cumprimentavam. Central fica nas bordas da Chapada Diamantina e, no cair da tarde, esfria bastante. Gabriel não quis entrar, ficou andando pela calçada, como tantas vezes fez. Olhando para ele, lembrava do cachorro que o mordeu, dos seus sumiços. O que ele pensaria, agora que não havia mais a Vovó Nenê? No dia anterior, Mariene e eu conversáramos. Abalada, ela falava abertamente da morte da mãe na frente de Gabriel, mas me pediu para não contar a ele. Comentei que já era tarde, pois já o tínhamos feito na sua frente. Agora, na porta da casa da avó, como se sentiria? Não perguntava por ela. Convidei-o a entrar algumas vezes, mas recusou; por fim, aceitou. A sala, pequena, tinha o caixão fechado, com uma janelinha de vidro. Muita gente entoava hinos. Nenê era batista e já tinha uma lista pronta, caso morresse. O pastor fazia a despedida. Falei baixinho para Gabriel: -"A vovó morreu. Está dentro do caixão." Ele olhou naquela direção, sem se aproximar, e saiu. Quando o enterro saiu, Gabriel entrou na casa vazia e logo saiu. No corredor de saída, virou-se e perguntou: -"Cadê Vovó Nenem?" -"Vovó Nenê morreu. Ela está morta." Fiquei com um nó na garganta e meus olhos encheram de água. Gabriel me encarou e perguntou: -"Tá triste? Você está triste?" Respondi que sim. Ele se virou e voltou a andar pela calçada. Fiquei ainda mais emocionado por ver como ele tem a capacidade de perceber a tristeza nossa. Para Gabriel, como para todo mundo, a morte é algo inexplicado. A referência que ele tem é a sua primeira gata, Marrí, e as pessoas que já estavam mortas quando se deu por gente: meu pai, minha mãe, o pai de Mariene. É difícil entender o que ele sente. Talvez tenha a consciência de que nunca mais verá a avó, não sei. Nos dias seguintes, dessa quarta-feira até o domingo, quando voltamos, ele só quis andar na garupa da "Biz Honda" da prima Mariene, com Pedro ou eu pilotando, ou no cavalo de Onaldo, no Povoado de Nova Vista (antigo Cerra-queixo), onde a avó e a mãe nasceram. Até hoje, não falou mais da avó. postado por: Argemiro Garcia 24.8.07 Deixe aqui seu recado.Mas, se quiser se comunicar diretamente comigo, mande-me um e-mail: argemiro@lognet.com.br
Terça-feira, Agosto 14, 2007 TagarelaGabriel está cada vez mais tagarela. Ante-ontem, dia 12 - Dia dos Pais - saiu-se com uma muito boa, que me deixou bem feliz:Pela manhã, acordou e me chamou para descermos ao PG (play ground). Levamos Marquesa, que tem se sentido muito presa e acaba fazendo xixi na cama dos humanos. O vento estava fortíssimo. Gabriel se empoleirou nas muretas da jardineira; passou um tempinho, desceu e veio até mim. Perguntei: -"Gabriel, hoje é Dia dos..." -"...Pais!" - e emendou: -"Feliz Dia dos Pais!" Depois do almoço, se enfiou no quarto e berrou: -"Mãããeeee! Vem aqui!" Ficaram de porta fechada até de noite. Dentro de muitas coisas, ele contou para Mariene a história da Branca de Neve, com todos os detalhes. Também ficou fazendo seus jogos de palavras, mudando a expressão Trabalho sujo (nome de um filme com Emilio Estevez e seu irmão Charlie Sheen): Trabalho Limpo, Trabalho Cenoura, Trabalho Limão... Falando em limão, uns dias antes ele enfiou na boca um limão galego (como se diz em São Paulo e na Bahia; em Macaé, o nome é outro, mas não me lembro. Trata-se de um limãozinho verde-amarelado, de sabor suave, redondinho). Logo, a fruta estourou e ele fez uma careta: -"Azedo!" - ele reclamou e riu. Mariene riu com ele. postado por: Argemiro Garcia 14.8.07 Deixe aqui seu recado.Mas, se quiser se comunicar diretamente comigo, mande-me um e-mail: argemiro@lognet.com.br
Mais festa na escolaNa sexta-feira, dia 10 de agosto, a Curumin fez a festa do Dia dos Pais. Chegamos, Mariene e eu, pouco antes da hora marcada e subimos para o auditório. As turminhas foram se revezando no palco. Fabiane me pediu que fotografasse, pois ela precisava acompanhar a turma da primeira série. Postei-me na lateral e tome cliques! Carol, a filha com síndrome de Down de uma amiga nossa, mandava beijos e acenos para o pai, entre os passos da coreografia.Quando a turma de Fabiane chegou, cadê Gabriel? Lúcia, a diretora, ficou decepcionada: ele não quisera ir para o auditório. Tranqüilizei-a, dizendo que é assim mesmo, temos que deixá-lo seguir seu ritmo, e fiquei no meu papel de fotógrafo. De repente, no visor da máquina, vejo uma barriga azul passar atravessando a coreografia - era Gabriel, que corria pelo palco, entre os colegas, e não saiu mais. Bom que não houve reclamações de outros pais, como muitas vezes acontece em festinhas assim. Acreditamos que pais que colocam os filhos em uma escola com a filosofia montessoriana, que vão a uma festinha numa manhã de sexta-feira, têm outra visão de mundo. Depois que a comemoração acabou, fiquei com Gabriel enquanto Mariene conversava com as professoras. Veio um garotinho abraçar Gabriel; -"Oi, Gabriel! Gabriel é meu amigo!" postado por: Argemiro Garcia 14.8.07 Deixe aqui seu recado.Mas, se quiser se comunicar diretamente comigo, mande-me um e-mail: argemiro@lognet.com.br
Quarta-feira, Agosto 08, 2007 Para não dizer que não falei de espinhosMesmo com todos esses progressos, Gabriel continua com suas dificuldades. Talvez não dê para perceber, nos escritos, sua dificuldades em falar - há momentos em que uma verdadeira afasia toma conta dele. Também ainda tem momentos de fúria, quando agride e se auto-agride, com socos na testa e cabeçadas no pai (Ai!) e na mãe. Esses episódios ficam cada vez mais raros, e temos conseguido que ele redirecione parte das auto-agressões: ele pára, se contém e esfrega a testa, em vez de socá-la.Na quarta-feira, dia 1° de agosto, cheguei em casa para levá-lo à musicoterapia: -"Gabriel, vamos na musicoterapia? Rita Dultra?" -"Rita Dultra?" - ele repetiu, respondendo. Pensei: "Ótimo!" Ah, mas que nada! Sem mais, ele soltou um: -"Deita no sofá!?!" - e já deu umas pancadas na testa. Perguntei: -"Você quer ir pra Rita Dultra, ou deitar no sofá?" -"Rita Dultra! Sofá!" - é, estava indeciso. Um pouco de conversa, umas pancadinhas e fomos para o carro e para a musicoterapia. Fui cantando o repertório todo: Cajuína. Caçador de Mim. Bola de Meia, Bola de Gude. Parecia ter se acalmado, mas quando chegou ao prédio, pediu para voltar: -"Deita no sofá!?" -"Ah, não. Agora que chegamos aqui, vamos subir!" Subimos, sob seus protestos. Felizmente, embora tivéssemos chegado cedo, o paciente anterior se atrasara muito e Gabriel foi atendido de pronto. Achei melhor entrar com ele e Rita, para ajudar. Foram longos minutos de gritos e choro. Rita cantava: -"Gabriel quer ir pro sofá, mas só depois de acabar..." - Entrei no trabalho: -"Eu vou, eu vou, eu vou, eu vou pro sofá depois eu vou!" Mesmo assim, tudo só acabou quando a sessão se encerrou. Gabriel engrenou seu "Tema para se acalmar", uma música tirada do sitecharges.com.br, de Maurício Ricardo: -"O poder faz a gente enlouquecer, faz a gente fazer coisas pra depois se arrepender... Se não sabe política por que se mete? Quer dizer só a verdade, vai ser monk no Tibete!" - Essa ele canta há anos - nem existe mais a animação para a gente mostrar. Mariene, que estava viajando, ligou exatamente nessa hora e ficou preocupada, pois ouvia a gritaria. Tranqüilizei-a, explicando o conflito que Gabriel vivia. Quando chegamos em casa, ele, com a cara inchada de choro, deitou-se no sofá e me expulsou da sala: -"Fala tchau!" Como dizia Dona Margarida Erhard, minha mãe, "Dois proveitos não cabem num saco." A contradição gerou todo esse estresse. postado por: Argemiro Garcia 8.8.07 Deixe aqui seu recado.Mas, se quiser se comunicar diretamente comigo, mande-me um e-mail: argemiro@lognet.com.br
Terça-feira, Agosto 07, 2007 Festeiro
Uns dias depois, foi a vez do aniversário de Bia, sua colega. Chegou o recado e fomos comprar um presente na saída da escola - o que rendeu um belo exemplo de como consegue cntrolar a ansiedade (veja o post acima). Fabiane, sua professora, nos mandou as fotos neste domingo, 5 de agosto - por sinal, aniversário de Gabriela. Nas fotos, vemos como Gabriel ri, abraça professoras, colegas, dança no palco e na sala. As outras crianças riem e brincam com ele. Vendo as fotos, não podíamos ficar indiferentes. Mariene me chamou, feliz, para vê-las. Perguntou a Gabriel: -"Quem é essa menina que você estava abraçando, Gabriel?" -"Jaqueline!" - mas era Bia, a aniversariente. Mesmo se confundindo com a pergunta, emendou: "Hmmmmm.... que abraço gostoso!" -"Eu não conhecia ela!" disse Mariene, ainda pensando que era Jaqueline. E, para mim: -"Viu como ele está respondendo? Como está feliz!"
-"Se ela dança, eu danço, se ela dança, eu danço! Falei pro dí-djei!" e ria, sorria, ria de novo. Mais importante que o aprendizado de conteúdos, coisa que ele tem, está sendo o convívio com outras crianças. Embora seja bem mais velho, é um meninão. Aliás, se a gente estende a mão para ele bater, ele solta, junto com o cumprimento: -"Páf! Pôu!" - à medida em que bate com a mão aberta e, depois, fechada. Com certeza, é coisa aprendida com os colegas. postado por: Argemiro Garcia 7.8.07 Deixe aqui seu recado.Mas, se quiser se comunicar diretamente comigo, mande-me um e-mail: argemiro@lognet.com.br
Domingo, Agosto 05, 2007 Soltando a línguaLá estava Gabriel, à mesa; levantou-se e pediu à mãe que lhe desse uma faca:-"Mãããããeeee! Faca!" Mariene pegou uma faca suja e se pôs a lavá-la. Gabriel começou a cantar: -"Lava faca todo diaaa! Que agonia!" - e se pôs a rir. Está bem, foi cantando. Pode argumentar que ele faz esses joguinhos com música há muito tempo - é verdade. Mas... A semana passada, Mariene passou no interior, acompanhando a mãe. Dona Nenê foi assaltada e agredida e foi melhor que ela viajasse para ver se tudo estava bem. Gabriel se ressentiu. Ficou nervoso na sessão de musicoterapia. Mas, na sexta-feira, saiu-se com uma gracinha muito boa, que mostra como está melhorando sua capacidade de comunicação: eu chegara do trabalho e, cansado, deitei de cueca e camiseta na minha cama. Entra Gabriel: -"Venha, paaaai!" Após uma brevíssima pausa, olhou para mim e soltou: -"Pelado, não!" e deu uma risadinha marota. Não agüentei e soltei uma gargalhada. Vim para a sala e contei a Pedro, tintim por tintim. Pois Gabriel acabou de ouvir-me contar sua sapequice e mandou: -"Dá risada!" postado por: Argemiro Garcia 5.8.07 Deixe aqui seu recado.Mas, se quiser se comunicar diretamente comigo, mande-me um e-mail: argemiro@lognet.com.br
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