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Gabriel é nosso caçula. Nasceu em 1993, em Macaé (RJ). No começo de 1996, percebemos que ele, além de não falar (apenas cantava), estava adotando um comportamento aéreo. Não atendia aos nossos chamados. Ficava isolado. Será que é autista? Foi a primeira pergunta que fiz...
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Terça-feira, Março 06, 2007 Ascensoterapia
Andaimes foram pendurados em dois dos quatro edifícios. Pedreiros se puseram a remover o reboco, com marretas e talhadeiras. Pó, barulho, recomendações de cuidado, telas de proteção, tapumes, blocos de concreto desabando de 14 andares, janelas quebradas. Durante quase três semanas, nossa casa servia de passagem para os operários acessarem os andaimes. Andar no Play ground era proibido, pelo risco de sermos atingidos pelas pedras que caíam. Para piorar, o começo das obras coincidiu com as férias de verão, o que representa calor, muito calor para complementar o caos instalado. Enfim, tudo que não se recomenda para o ambiente de um menino autista. Um amigo de Pedro e Leo descreveu a situação: -"Véi, parecem os prédios de Bagdá!" No meio disso tudo, Gabriel precisava se adequar. Precisava compensar tanta descompensação. A solução acabou sendo a ascensoterapia.
Nesse período, ele começava, por qualquer motivo: -Deitar no elevador! - às vezes, vinha com uma variação: -Deitxá no elevador! - ou: -De, é, i, tê, a, erre, ene, ó, é, ele, é, vê, a, dê, ó, erre! No começo, a gente se estressava junto. No final, chegamos à conclusão que ele precisava relaxar. Os vizinhos, também, acabaram concordando, quando explicávamos que ele estava estressado e que o balanço do elevador o ajudava a se acalmar. Se nos primeiros dias eles vinham tocar nossa campainha para avisar que ele estava no elevador, se nos encaravam com estranheza, acabaram por entender - afinal, ninguém escapou imune da reforma. Agora, com a obra entrando em outro ritmo e as aulas de volta, as sessões de ascensoterapia se tornaram bem raras. De vez em quando, ele usa o elevador para nos fazer pirraça, mas a gente, nessas horas, não dá bola. De qualquer modo, ele só se deita no elevador social, que tem câmera de vídeo, e os porteiros nos avisam se acontece algo diferente. um ou outro vizinho tenta convencê-lo a voltar para casa; nessas horas, ele obedece e entra na sala aos gritos, contrariado. Tentamos distraí-lo, nessas horas. Quando isso não é possível, o autorizamos a voltar para seu elevador. postado por: Argemiro Garcia 6.3.07 Deixe aqui seu recado.Mas, se quiser se comunicar diretamente comigo, mande-me um e-mail: argemiro@lognet.com.br
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