Canto de Anjo |
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Gabriel é nosso caçula. Nasceu em 1993, em Macaé (RJ). No começo de 1996, percebemos que ele, além de não falar (apenas cantava), estava adotando um comportamento aéreo. Não atendia aos nossos chamados. Ficava isolado. Será que é autista? Foi a primeira pergunta que fiz...
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Sexta-feira, Setembro 29, 2006 Lula, de novo, com a força do povo Uma semana depois de comprar a máquina, voltamos à loja, pois estávamos com dificuldade em lidar com ela. Melina, que trabalha conosco desde janeiro, nos acompanhou - queria comprar uma peças de roupa para vender em seu bairro.
Na loja, descobrimos que o problema se situava sentado na cadeira, em frente à máquina - nós é que não sabíamos operá-la. Era 12 de agosto, e Lula passaria a uma quadra dali, em caminhada pela Avenida Sete (7 de setembro), desde o Campo Grande até a Praça Castor Alves, onde faria um comício com Jaques Wagner, candidato ao governo estadual. Logo, ouvimos os sons do povo na rua. Fui ver como estavam as coisas, enquanto Mariene e Gabriel permaneciam na loja. Voltei, foi a vez dela sapear. Nisso, Gabriel decidiu comer um "PF" (prato feito). De buchinho cheio, foi sua vez de querer ver a passeata. No começo, o barulho dos carros de som o incomodava, mas a emoção era mais forte. Ele adora agitação. A equipe do deputado estadual Zilton Rocha (13100), tinha comparecido com a kombi que usam para desenvolver trabalhos políticos e culturais. Zilton é professor, sindicalista da APLB-sindicato e desenvolve trablahos culturais nos bairros populares. Acompanhavam a caminhada os bonecões do tipo "Zé Pereira" que atuam nesses trabalhos do mandato, animando ainda mais a passeata. Gabriel adorou e pulava sem parar em frente ao boneco, mesmo incomodado pelo som tão alto.
Um dos assessores de Zilton perguntou se queríamos que Gabriel entrasse na kombi - o que ele mesmo aceitou. E foi assim, na kombi do Zilton, que Gabriel acompanhou a caminhada de Lula e Wagner. A princípio, com certa expressão de angústia, por causa do barulho; mas, quando se acostumou com a zoada, abriu um sorriso e, na sombra e água fresca, curtiu o agito.
Consegui marcar com Mariene e Melina de nos encontrarmos perto do Relógio de São Pedro, logo depois da Piedade. Seguimos, os três, ao lado do carro, enquanto Gabriel prosseguia tranqüilo. Paramos, então, quase no começo da Avenida Sete, para comer alguma ocisa num restaurantezinho a quilo chinês. De barriga cheia, Gabriel quis, então, ir até a Praça Castro Alves, onde Wagner e Lula discursavam. Gabriel só não gostou muito quando não nos deixaram subir num trio elétrico estacionado nas imediações da Praça Castro Alves. Mesmo assim, aceitou a negativa. Está ficando um moço bem compreensivo! .. postado por: Argemiro Garcia 29.9.06 Deixe aqui seu recado.Mas, se quiser se comunicar diretamente comigo, mande-me um e-mail: argemiro@lognet.com.br
Costureiro
Gabriel adorou. A marca é a mesma das moendas de garapa que há pelas esquinas da cidade - e em frente às quais ele pára um longo tempo, vendo girar, girar, girar... Em poucos dias, ele tomava conta da máquina e, agora, fica pisando firme no pedal, pondo o motorzinho para acelerar a toda. Já descobriu, inclusive, que pode pôr o pedal na mesa, acionando-o com a mão. A mãe é que reclama, rindo: -"Perdi a minha máquina!" E lá se vão as agulhas! postado por: Argemiro Garcia 29.9.06 Deixe aqui seu recado.Mas, se quiser se comunicar diretamente comigo, mande-me um e-mail: argemiro@lognet.com.br
Quinta-feira, Setembro 14, 2006 FotografiasAproveite para voltar aos posts anteriores para ver as fotos de Central.postado por: Argemiro Garcia 14.9.06 Deixe aqui seu recado.Mas, se quiser se comunicar diretamente comigo, mande-me um e-mail: argemiro@lognet.com.br
Sexta-feira, Setembro 08, 2006 MarquesaGabriel, quando tinha cerca de cinco anos de idade, foi mordido por um cachorro de rua, em Central - e teve de tomar vacina anti-rábica, por prevenção. Antes disso, sua relação com cães não era muito complicada. Tivemos, em Macaé, duas cadelas vira-latas, Terra e Lua (nome dado por Leo e Pedro), na boca das quais Gabriel, ainda bebê, enfiava a mão até os bichos engulharem. Quando nos mudamos para Salvador, ele tinha um ano e meio e tentou se aproximar de uma poodle que parira filhotinhos há pouco, na casa de nosso amigo Erivaldo - levou um susto com os latidos, mas não chegou a desenvolver trauma.Com a mordida em Central foi diferente. Primeiro, porque o bicho mordeu-lhe no rosto: as marcas ficaram no supercílio esquerdo e na bochecha. Segundo, porque ele tinha saído da casa da avó e ia para a casa da prima Mariene, onde chegou e se sentou quietinho, chorando baixinho, sem ter como pedir ajuda a ninguém - levamos bons minutos a descobrir onde estava. Mas, principalmente, porque estava começando a sair do isolamento autista, começava, apenas, a prestar atenção nas pessoas.
Na metade de 2003, quando procurávamos casa para alugar para instalar a sede da AMA-Ba, ela encontrou uma cadela que tinha parido há bem pouco. Vira-latas, era miúda, do tipo do fox paulistinha, embora fosse toda preta e com o corpo mais esguio e o focinho mais comprido. Os filhotinhos eram tão pequenos que cabiam na palma da mão de Mariene. Ela, assim, conseguiu que Gabriel tocasse naquele bichinho tão pequenininho que nem latia, só gania baixinho. Já tínhamos dois gatos: depois da morte de Marrie, gata de adoração da família, tínhamos adotado a Duquesa (nomes dados com base no filme Aristogatas, da Disney) e seu irmão Leão veio de quebra, semanas depois. Filhote foi seu primeiro nome. Ela veio assim, para que Gabriel pudesse acompanhar o crescimento de um cachorrinho. Ele teve pouco medo dela, porque, em primeiro lugar, era bem miúda, mesmo e, também, porque foi pegando manias de gato por um bom tempo. Em vez de morder, batia com a mão. Escalava os móveis e se equilibrava nos encostos das poltronas. Subia na cama. E defendia Gabriel de todo mundo. Três anos depois, Gabriel dá ordens à Marquesa. Outro dia, ela investiu contra ele e Mariene instruiu-o a dar-lhe umas chineladas; não é que ele atendeu? Na investida seguinte, Marquesa aprendeu que não poderia mais mordê-lo, enfiou o rabo entre as pernas e se aquietou. Gabriel adora sua amiguinha. Agarra-a pelo focinho para lhe dar beijos e, muitas vezes, se deita na cama e fica berrando, para chamá-la: -"Marque-zá! Marque-zá!" assim, com a tônica na última sílaba. Ah, por que Marquesa? Bom, passava a série "O Quinto dos Infernos" na Globo; vamos dizer que, hoje, a Marquesa de Santos seria assídua freqüentadora de bailes funk, na categoria de cachorra, não é? Além disso, com o seu pedigree (ou falta de), ela não poderia, mesmo, chegar a Princesa - nem mesmo a Duquesa. Ficou Marquesa, mesmo. postado por: Argemiro Garcia 8.9.06 Deixe aqui seu recado.Mas, se quiser se comunicar diretamente comigo, mande-me um e-mail: argemiro@lognet.com.br
Domingo, Setembro 03, 2006 Grande Sertão, veredasNo domingo, Jairo veio com as três filhas nos buscar em casa. Gabriel se recusou a nos acompanhar: queria ficar em Central. Nem o passeio na caçamba da camionete o convenceu a sair da cidade. Mariene e o irmão insistiram, e apenas eu fui conhecer o Riacho Largo.Jairo arrendou algumas terras, comprou outras, às margens do riacho. O suficiente para plantar frutas irrigadas e criar alguns porcos. Está muito contente com o resultado.
Quando voltamos a Central, as aventuras tinham sido muitas. É que, depois de um tempo, Gabriel quis nos seguir. Mariene propôs que contratassem um carro, mas ele recusou. Pouco depois, Gabriel sumiu! Saiu andando pela cidade, e acabou na antiga Rua da Batedeira, perto da casa da prima Sirlene, no caminho para Irecê. Alguém o reconheceu e foi chamar Mariene de moto; ele acabou voltando para casa de viatura policial - e gostou! Nossa intenção era voltarmos na segunda-feira, mas acabamos ficando mais dois dias - aproveitando minhas férias um pouco. Gabriel descobriu que podia andar de moto e ficava insistindo:
Também andou no ônibus que faz o transporte escolar entre os povoados e a sede do Município - sozinho! - comigo atrás, seguindo-o de carro, na companhia do dono do ônibus que a prefeitura arrenda. De noite, subiu no caminhão que descarregava mercadorias em um mercadinho que fica do lado da casa da avó. Ou seja, para seu ponto de vista, férias e tanto! Voltamos na quarta-feira. No caminho de volta para Salvador, perto da divisa entre América Dourada e Morro do Chapéu (ouro contato geológico entre calcários e quartzitos), vimos a placa: "TARECO - 6 KM". A mãe de Mariene sempre comenta que, desde moça (ou seja, há sessenta anos atrás), ia para esse lugar. Resolvemos conhecer. Diferente do que Dona Nenê conheceu, hoje o Tareco tem uma estrutura montada pela prefeitura de Morro do Chapéu e administrada por particulares que a arrendam. As nascentes estão preservadas e enchem piscinas com água doce e límpida. Há um pequeno restaurante administrado pelos arrendatários, muitas flores e borboletas nos jardins. Atravessamos os seis quilômetros de vegetação de caatinga para chegar a esse oásis.
Gabriel, na entrada de Salvador, já nas proximidades da Avenida Bonocô, fez um pouco de birra. Perguntava: -Cadê Gabriel? -Gabriel está chegando a Salvador! -UÁÁÁÁÁÁÁ! Cadê Gabriel? -Ah, Gabriel! A gente tem de voltar pra casa! Depois de reencontrar os irmãos, os gatos e a cachorrinha, foi se acalmando. A vida continuava. postado por: Argemiro Garcia 3.9.06 Deixe aqui seu recado.Mas, se quiser se comunicar diretamente comigo, mande-me um e-mail: argemiro@lognet.com.br
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