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Impressões e imprecisões de nossa vida com Gabriel.

Gabriel é nosso caçula. Nasceu em 1993, em Macaé (RJ). No começo de 1996, percebemos que ele, além de não falar (apenas cantava), estava adotando um comportamento aéreo. Não atendia aos nossos chamados. Ficava isolado.

Será que é autista? Foi a primeira pergunta que fiz...

Contribua para melhorar a vida das pessoas autistas do Brasil!

O Dr. Walter Camargos Junior está organizando um vídeo para treinar pediatras na detecção precoce do autismo. Para isso, precisa de material. Quem tiver filmes de crianças pequenas (menos de 3 anos de idade), que foram posteriormente diagnosticadas como autistas, por favor procurem-no.

Dr. Walter Camargos Junior:
Telefone: (31)3261-5976
e-mail: waltercamargos@uaivip.com.br

No orkut, conheça a comunidade Sou fã de Gabriel Maciel

Clique aqui para entrar no grupo autismo
Clique para entrar na
Comunidade Virtual Autismo no Brasil

 

Livro: Vencendo o Autismo - A Menina sem Estrela.
De: Yvonne Meyer Falkas.

Relato da vida de Sheila, filha da autora, e de como a família tem convivido com o autismo. Um testemunho de como foram vencidas etapas com múltiplas adversidades, e suas conquistas. Um apanhado geral sobre o que vem a ser o Autismo, as supostas origens e causas e os preconceitos existentes.

Acessem o link: www.biblioteca24x7.com.br
No lado esquerdo, clique em autismo. Lá se pode comprar ou alugar o livro; alugar virtualmente significa que acesso online para leitura.

Sexta-feira, Setembro 29, 2006

Lula, de novo, com a força do povo

Curtindo o Zé Pereira com a cara do ZiltonUma semana depois de comprar a máquina, voltamos à loja, pois estávamos com dificuldade em lidar com ela. Melina, que trabalha conosco desde janeiro, nos acompanhou - queria comprar uma peças de roupa para vender em seu bairro.

Na loja, descobrimos que o problema se situava sentado na cadeira, em frente à máquina - nós é que não sabíamos operá-la. Era 12 de agosto, e Lula passaria a uma quadra dali, em caminhada pela Avenida Sete (7 de setembro), desde o Campo Grande até a Praça Castor Alves, onde faria um comício com Jaques Wagner, candidato ao governo estadual.

Logo, ouvimos os sons do povo na rua. Fui ver como estavam as coisas, enquanto Mariene e Gabriel permaneciam na loja. Voltei, foi a vez dela sapear. Nisso, Gabriel decidiu comer um "PF" (prato feito). De buchinho cheio, foi sua vez de querer ver a passeata.

Ainda incomodado com o som dos alto-falantesNo começo, o barulho dos carros de som o incomodava, mas a emoção era mais forte. Ele adora agitação. A equipe do deputado estadual Zilton Rocha (13100), tinha comparecido com a kombi que usam para desenvolver trabalhos políticos e culturais. Zilton é professor, sindicalista da APLB-sindicato e desenvolve trablahos culturais nos bairros populares. Acompanhavam a caminhada os bonecões do tipo "Zé Pereira" que atuam nesses trabalhos do mandato, animando ainda mais a passeata. Gabriel adorou e pulava sem parar em frente ao boneco, mesmo incomodado pelo som tão alto.

Um sorriso, depois de acostumar-se à zoada.Um dos assessores de Zilton perguntou se queríamos que Gabriel entrasse na kombi - o que ele mesmo aceitou. E foi assim, na kombi do Zilton, que Gabriel acompanhou a caminhada de Lula e Wagner. A princípio, com certa expressão de angústia, por causa do barulho; mas, quando se acostumou com a zoada, abriu um sorriso e, na sombra e água fresca, curtiu o agito.

Consegui marcar com Mariene e Melina de nos encontrarmos perto do Relógio de São Pedro, logo depois da Piedade. Seguimos, os três, ao lado do carro, enquanto Gabriel prosseguia tranqüilo. Paramos, então, quase no começo da Avenida Sete, para comer alguma ocisa num restaurantezinho a quilo chinês. De barriga cheia, Gabriel quis, então, ir até a Praça Castro Alves, onde Wagner e Lula discursavam.

Gabriel só não gostou muito quando não nos deixaram subir num trio elétrico estacionado nas imediações da Praça Castro Alves. Mesmo assim, aceitou a negativa. Está ficando um moço bem compreensivo!


..

postado por: Argemiro Garcia 29.9.06

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Costureiro

Já viu um costureiro mais sério?
Gabriel, seriíssimo, costura um pedaço de pano.
Mariene comprou uma máquina de costura. Procuramos numa empresa conveniada da SINGER e achamos, lá na Rua Carlos Gomes, uma máquina legal, de segunda mão.

Gabriel adorou. A marca é a mesma das moendas de garapa que há pelas esquinas da cidade - e em frente às quais ele pára um longo tempo, vendo girar, girar, girar... Em poucos dias, ele tomava conta da máquina e, agora, fica pisando firme no pedal, pondo o motorzinho para acelerar a toda. Já descobriu, inclusive, que pode pôr o pedal na mesa, acionando-o com a mão.

A mãe é que reclama, rindo:

-"Perdi a minha máquina!"

E lá se vão as agulhas!

postado por: Argemiro Garcia 29.9.06

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Quinta-feira, Setembro 14, 2006

Fotografias

Aproveite para voltar aos posts anteriores para ver as fotos de Central.

postado por: Argemiro Garcia 14.9.06

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Sexta-feira, Setembro 08, 2006

Marquesa

Gabriel, quando tinha cerca de cinco anos de idade, foi mordido por um cachorro de rua, em Central - e teve de tomar vacina anti-rábica, por prevenção. Antes disso, sua relação com cães não era muito complicada. Tivemos, em Macaé, duas cadelas vira-latas, Terra e Lua (nome dado por Leo e Pedro), na boca das quais Gabriel, ainda bebê, enfiava a mão até os bichos engulharem. Quando nos mudamos para Salvador, ele tinha um ano e meio e tentou se aproximar de uma poodle que parira filhotinhos há pouco, na casa de nosso amigo Erivaldo - levou um susto com os latidos, mas não chegou a desenvolver trauma.

Com a mordida em Central foi diferente. Primeiro, porque o bicho mordeu-lhe no rosto: as marcas ficaram no supercílio esquerdo e na bochecha. Segundo, porque ele tinha saído da casa da avó e ia para a casa da prima Mariene, onde chegou e se sentou quietinho, chorando baixinho, sem ter como pedir ajuda a ninguém - levamos bons minutos a descobrir onde estava. Mas, principalmente, porque estava começando a sair do isolamento autista, começava, apenas, a prestar atenção nas pessoas.

Gabriel e Marquesa
Gabriel e Marquesa
Por tudo isso, ele passou a viver momentos de pânico quando via qualquer cachorro. Mariene, preocupada em superar essa situação, aproveitou para comprar um cachorrinho de brinquedo, numa visita que a família me fez quando eu estava trabalhando no Rio (em 2002/2003). O bonequinho era engraçadinho, ficava balançando a cabeça, pendurada por um prego fixado no seu corpo. Mariene o chamava de Latidor e conseguiu que Gabriel se aproximasse para tocá-lo.

Na metade de 2003, quando procurávamos casa para alugar para instalar a sede da AMA-Ba, ela encontrou uma cadela que tinha parido há bem pouco. Vira-latas, era miúda, do tipo do fox paulistinha, embora fosse toda preta e com o corpo mais esguio e o focinho mais comprido. Os filhotinhos eram tão pequenos que cabiam na palma da mão de Mariene. Ela, assim, conseguiu que Gabriel tocasse naquele bichinho tão pequenininho que nem latia, só gania baixinho. Já tínhamos dois gatos: depois da morte de Marrie, gata de adoração da família, tínhamos adotado a Duquesa (nomes dados com base no filme Aristogatas, da Disney) e seu irmão Leão veio de quebra, semanas depois.

Filhote foi seu primeiro nome. Ela veio assim, para que Gabriel pudesse acompanhar o crescimento de um cachorrinho. Ele teve pouco medo dela, porque, em primeiro lugar, era bem miúda, mesmo e, também, porque foi pegando manias de gato por um bom tempo. Em vez de morder, batia com a mão. Escalava os móveis e se equilibrava nos encostos das poltronas. Subia na cama. E defendia Gabriel de todo mundo.

Três anos depois, Gabriel dá ordens à Marquesa. Outro dia, ela investiu contra ele e Mariene instruiu-o a dar-lhe umas chineladas; não é que ele atendeu? Na investida seguinte, Marquesa aprendeu que não poderia mais mordê-lo, enfiou o rabo entre as pernas e se aquietou.

Gabriel adora sua amiguinha. Agarra-a pelo focinho para lhe dar beijos e, muitas vezes, se deita na cama e fica berrando, para chamá-la:

-"Marque-zá! Marque-zá!" assim, com a tônica na última sílaba.

Ah, por que Marquesa?

Bom, passava a série "O Quinto dos Infernos" na Globo; vamos dizer que, hoje, a Marquesa de Santos seria assídua freqüentadora de bailes funk, na categoria de cachorra, não é? Além disso, com o seu pedigree (ou falta de), ela não poderia, mesmo, chegar a Princesa - nem mesmo a Duquesa. Ficou Marquesa, mesmo.

postado por: Argemiro Garcia 8.9.06

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Domingo, Setembro 03, 2006

Grande Sertão, veredas

No domingo, Jairo veio com as três filhas nos buscar em casa. Gabriel se recusou a nos acompanhar: queria ficar em Central. Nem o passeio na caçamba da camionete o convenceu a sair da cidade. Mariene e o irmão insistiram, e apenas eu fui conhecer o Riacho Largo.

Jairo arrendou algumas terras, comprou outras, às margens do riacho. O suficiente para plantar frutas irrigadas e criar alguns porcos. Está muito contente com o resultado.

Gugu e eu em frente à pintura rupestre mais famosa da região. Representaria um toxodonte.
Eu, com a Gugu, no Riacho Largo
Geologicamente, o Riacho Largo fica no contato entre os calcários do Baixio de Irecê, onde fica Central, e os quartzitos, a oeste. Enquanto a água dos calcários é dura (salgada com carbonatos), a água dos quartzitos é doce, bem leve. Esse riacho corta as rochas formando um pequeno cânion. Nas pedras das margens, há pinturas rupestres que, de acordo com a arqueóloga Maria Beltrão, têm mais de dez mil anos. A mais famosa pintura, segundo os arqueólogos do Museu Nacional, seria de um toxodonte. Por causa de sítios arqueológicos como esse, Central se insere no roteiro nacional de pesquisas arqueológicas, tendo sido encontrada muita coisa interessante. Há um pequeno museu na cidade, cujo acervo é catalogado pelas equipes do Museu Nacional que trabalham com Beltrão.

Quando voltamos a Central, as aventuras tinham sido muitas. É que, depois de um tempo, Gabriel quis nos seguir. Mariene propôs que contratassem um carro, mas ele recusou.

Pouco depois, Gabriel sumiu! Saiu andando pela cidade, e acabou na antiga Rua da Batedeira, perto da casa da prima Sirlene, no caminho para Irecê. Alguém o reconheceu e foi chamar Mariene de moto; ele acabou voltando para casa de viatura policial - e gostou!

Nossa intenção era voltarmos na segunda-feira, mas acabamos ficando mais dois dias - aproveitando minhas férias um pouco. Gabriel descobriu que podia andar de moto e ficava insistindo:

Dois gorduchos na moto
Gabriel e eu, na moto
-"Moto! Moto! Andar de moto! Quero andar de moto!" - como, na cidade, há muitos parentes, conseguimos duas motos emprestadas para eu levá-lo a passear. Rodei a cidade até ficar com a bunda amassada.

Também andou no ônibus que faz o transporte escolar entre os povoados e a sede do Município - sozinho! - comigo atrás, seguindo-o de carro, na companhia do dono do ônibus que a prefeitura arrenda. De noite, subiu no caminhão que descarregava mercadorias em um mercadinho que fica do lado da casa da avó. Ou seja, para seu ponto de vista, férias e tanto!

Voltamos na quarta-feira. No caminho de volta para Salvador, perto da divisa entre América Dourada e Morro do Chapéu (ouro contato geológico entre calcários e quartzitos), vimos a placa: "TARECO - 6 KM". A mãe de Mariene sempre comenta que, desde moça (ou seja, há sessenta anos atrás), ia para esse lugar. Resolvemos conhecer.

Diferente do que Dona Nenê conheceu, hoje o Tareco tem uma estrutura montada pela prefeitura de Morro do Chapéu e administrada por particulares que a arrendam. As nascentes estão preservadas e enchem piscinas com água doce e límpida. Há um pequeno restaurante administrado pelos arrendatários, muitas flores e borboletas nos jardins. Atravessamos os seis quilômetros de vegetação de caatinga para chegar a esse oásis.

Mariene e Gabriel tomam banho na princiapl piscina do Tareco.
Mariene e Gabriel na piscina do Tareco
Brincamos na piscina maior, que recebe água por baixo, a partir de uma fonte que vaza água permanentemente, almoçamos e seguimos viagem, parando apenas em Ipirá para um lanche. Chegamos a Salvador de noite.

Gabriel, na entrada de Salvador, já nas proximidades da Avenida Bonocô, fez um pouco de birra. Perguntava:

-Cadê Gabriel?

-Gabriel está chegando a Salvador!

-UÁÁÁÁÁÁÁ! Cadê Gabriel?

-Ah, Gabriel! A gente tem de voltar pra casa!

Depois de reencontrar os irmãos, os gatos e a cachorrinha, foi se acalmando.

A vida continuava.

postado por: Argemiro Garcia 3.9.06

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