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Impressões e imprecisões de nossa vida com Gabriel.

Gabriel é nosso caçula. Nasceu em 1993, em Macaé (RJ). No começo de 1996, percebemos que ele, além de não falar (apenas cantava), estava adotando um comportamento aéreo. Não atendia aos nossos chamados. Ficava isolado.

Será que é autista? Foi a primeira pergunta que fiz...

Contribua para melhorar a vida das pessoas autistas do Brasil!

O Dr. Walter Camargos Junior está organizando um vídeo para treinar pediatras na detecção precoce do autismo. Para isso, precisa de material. Quem tiver filmes de crianças pequenas (menos de 3 anos de idade), que foram posteriormente diagnosticadas como autistas, por favor procurem-no.

Dr. Walter Camargos Junior:
Telefone: (31)3261-5976
e-mail: waltercamargos@uaivip.com.br

No orkut, conheça a comunidade Sou fã de Gabriel Maciel

Clique aqui para entrar no grupo autismo
Clique para entrar na
Comunidade Virtual Autismo no Brasil

 

Livro: Vencendo o Autismo - A Menina sem Estrela.
De: Yvonne Meyer Falkas.

Relato da vida de Sheila, filha da autora, e de como a família tem convivido com o autismo. Um testemunho de como foram vencidas etapas com múltiplas adversidades, e suas conquistas. Um apanhado geral sobre o que vem a ser o Autismo, as supostas origens e causas e os preconceitos existentes.

Acessem o link: www.biblioteca24x7.com.br
No lado esquerdo, clique em autismo. Lá se pode comprar ou alugar o livro; alugar virtualmente significa que acesso online para leitura.

Terça-feira, Agosto 22, 2006

Viagem


A mãe de Mariene passou mais um período conosco, para fazer exames de controle. A presença da avó fez que Gabriel relutasse na hora de ir para a musicoterapia. Quando chegou a hora dela voltar para casa, no dia 22 de julho, um sábado, pegamos o carro pela manhã para irmos a Central.

Cidade natal de Mariene, Central tem cerca de 17 mil habitantes espalhados pelos povoados. Boa parte da população é da família dela - então, ele fica mais livre - ainda.

Na viagem, de tempos em tempos, ele perguntava:

-"Cadê Gabriel?" - e nós:

-"Gabriel está indo pra..." - ao que ele completava:

-"Central!"

Paramos em Ipirá num restaurante a quilo, para almoçar - barriga cheia, a pergunta:

-"Cadê Gabriel?"

-"Gabriel está indo pra..."

-"Central!"

Numa das paradas, Gabriel passou para o banco da frente. Era fim de tarde e o sol lhe batia no rosto; o cobrimos com uma toalha.

Nossa viagem atrasou um pouco, com essas paradas - chegamos a Irecê ao anoitecer, onde entramos para algumas compras. A meia-hora final foi rodada à noite. Gabriel comentou - coisa rara, mas que tem acontecido com freqüência cada vez maior:

-"Tá escuro!..." - claro que adoramos. Por menor que seja, um passo à frente é sempre um progresso.

Mas ele estava ansioso e perguntava praticamente sem parar:

-"Cadê Gabriel?"

Quando chegamos a Central, sua felicidade era evidente. Jairo, meu cunhado, estava na porta da mãe, dentro de sua camionete. Gabriel foi entrando casa adentro, feliz com o fim da viagem - apontava a placa na parede da casa e lia:

-Avenida Central número 1.

Combinamos que iríamos ao Riacho Largo no dia seguinte, conhecer as roças de Jairo.

postado por: Argemiro Garcia 22.8.06

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Natália e Sérgia

Natália e Gabriel na Praia de Ipitanga.
Gabriel e Natália.
Ana Sérgia veio visitar sua irmã, com sua mãe e sua filha Natália. Elas vivem em Belém do Pará e vieram a Lauro de Freitas, cidade vizinha a Salvador, para as férias. Combinamos e, no dia 15 de julho, fomos visitá-las: Mariene, Pedro, Gabriel e eu. Era uma tarde chuvosa e nublada.

Depois de rodar um pouco até acharmos o endereço certo, chegamos. A emoção foi mútua: já nos conhecemos aqui neste ambiente internético e foi muito bom nos encontrarmos frente a frente. Ana Sérgia é uma mãe dedicada e Natália, uma menina inteligente e desenhista de mão cheia.

Sérgia conta sempre a depressão em que caiu quando a médica diagnosticou o autismo de Natália, afirmando que a menina "só iria piorar". Pois é! Natália sabe bem o que quer - tanto que pediu à mãe para fazer balé. Mais uma vez, os profissionais vieram com negativismo: diziam que ela se sentiria inferiorizada, pois não conseguiria dançar. Pois, ao contrário, Sérgia nos mostrou o vídeo, nossa bailarina se apresentou direitinho no palco, feliz e entrosada com a turma.

A gente não pode se deixar abater. Só nós, pais, podemos dar a nossos filhos a confiança que eles precisam. Os profissionais deviam se restringir a nos dar apoio - nunca a nos jogar para baixo!

postado por: Argemiro Garcia 22.8.06

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Fátima e os Gabriéis

Gabriel e Gabriel nos videogames da Play Land
Gabriéis na Play Land do Iguatemi
Angélica, assessora do deputado estadual Padre Joel, nos contatou. É que o parlamentar estava para apresentar um Projeto de Lei determinando que o Estado da Bahia cumprisse certas exigências específicas no atendimento a autistas.

Dia 23 de maio haveria uma audiência pública para a Sociedade discutir o Projeto e a Dra. Fátima Dourado, da Casa da Esperança (Fortaleza, Ceará), viria a Salvador participar do evento:

-"Só tem uma coisa, Argemiro: vocês podem hospedá-la?" - perguntou Angélica.

Claro que podíamos! Nosso carinho por Fátima, Alexandre, sua família, a Casa da Esperança e tudo o mais é público e notório. Além disso, seria uma oportunidade para corresponder à sua hospitalidade em Fortaleza. Ela trouxe seu caçula, outro Gabriel.

A audiência pública foi um sucesso, com a participação de pessoas e entidades ligadas ao atendimento e aos direitos da gente autista. Houve sugestões da parte da mesa e do plenário, em relação ao Projeto de Lei, vindas da gente, de Fátima e da Dra Itana, do Ministério Público.

Nas escadarias da prefeitura, junto ao Elevador Lacerda, Mariene, Gabriel Maciel, Fátima e Gabriel Costa.
Mariene, Fátima e os Gabriéis.
Era terça-feira. Fátima e Gabriel ficaram conosco até o sábado. Passeamos um pouco pela cidade, na medida do possível, pois eu ainda não tinha entrado de férias.

Tentamos ir à Ribeira, tomar um sorvete, mas nosso Gabriel não aceitou - abriu o berrador. Acabamos indo à Sorveteria Cubana, ao lado do Elevador Lacerda. Também fomos à Playland, no Shopping Iguatemi - como diriam Leo e Pedro, "programa de guri". Enquanto Gabriel de Fátima (para assumirmos o nordestinês) se divertia nas máquinas automáticas, aquelas de acertar a bola na cesta, boliches, coisas assim, Gabriel de Mariene se esbaldava na montanha-russa.

Como, durante a audiência pública, algumas pessoas pediram para ter uma reunião com Fátima, marcamos um evento, às pressas, no salão de festas aqui do prédio, mesmo, e avisamos por e-mail e telefone quem pudemos. Peguei emprestado um retroprojetor multimídia (datashow) e ela apresentou a Casa da Esperança, na sexta-feira.

Ao final, além de elogiar a forma com que Melina trata Gabriel (e pensar que tínhamos tanto receio de demitir Ana...), Fátima nos disse que, agora, tem uma visão melhor de como é o nosso Gabriel - em Fortaleza, fora de casa, ansioso em ver as novidades, grudado em mim, que já estava em Ouro Preto há uma semana, ele estava bem diferente. E sugeriu que déssemos a ele o medicamento paroxetina, um anti-depressivo usado para reduzir a ansiedade e as manias (incluindo aí as esterotipias).

Fátima e seu filho Gabriel, com o Elevador Lacerda e o Mercado Modelo
Fátima e o filho Gabriel com o Elevador Lacerda e o Mercado Modelo.
Esse remédio não é recomendado para menores de treze anos - e nosso moleque acabou de completar essa idade. Há pouco mais de um mês ele o vem tomando. Percebemos que houve redução expressiva das estereotipias e um certo controle da ansiedade - ele agüenta por mais tempo a contrariedade. Infelizmente, deveríamos ter montado uma tabela, nos moldes da ABA (Aplied Behavior Annalisys), para podermos medir a freqüência e a duração dos seus momentos de nervosismo. (Se você está pensando em dar remédios a seu filho, lembre-se que deve ser com receita e acompanhamento médico - e que não há milagres.).

A lição que tiramos disso é que seria muito importante que os médicos conhecessem melhor seus pacientes, antes de consultá-los. O convívio de Fátima com Gabriel permitiu-lhe construir uma idéia melhor de como é nosso filho.

Agora, esperamos o Congresso Brasileiro de Autismo, em novembro para revermos Fátima e, desta vez, a família toda.

postado por: Argemiro Garcia 22.8.06

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Segunda-feira, Agosto 07, 2006

Aniversários

...hora de apagar a velinha em casa e...
Gabriela, Gabriel e Gabrielzinho no parabéns do dia 23 de junho.
O aniversário de Gabriel cai no dia 23 de junho - véspera de São João. Por causa disso, é praticamente impossível comemorá-lo no dia - ao menos, na escola. É que em Salvador, à semelhança de outras cidades do nordeste, essa já é a época de férias. É o momento em que as pessoas que se mudaram do interior para a capital fazem o caminho inverso, visitando os parentes. A festa acaba sendo mais impactante que o carnaval - mas os turistas não sabem disso.

Por tudo isso, este ano acabamos fazendo a festa depois das férias. No dia, mesmo, Leonardo tinha viajado com amigos e Pedro quis comida chinesa para compensar o fato de ter ficado em Salvador. Como não achamos nada aberto, ele teve de se contentar com os lanches da Sanduíche Hall, na Pituba. Gabriela ligou no celular:

-"Pai, vocês vão fazer alguma coisa pro Gabriel? É que eu e o Gabriel vamos estar de plantão amanhã..."

Combinei que passaria no Hiper, compraria um bolo, refrigerantes e docinhos e cantaríamos parabéns. Foi o suficiente para o Gabrielzinho ficar contente.

Ao final das férias dele, quem estava de férias era eu. A Curumin fica perto da Mouraria, onde fomos procurar lembrancinhas, docinhos, decoração, encomendar bolo, salgadinhos... Mariene perguntou:

-"Gabriel, você quer sua festa do Homem-Aranha ou do Super-Homem?"

-"Bob Esponja!" É, ele escolheu! Afinal, o Bob Esponja "adora caçar águas-vivas..."

"...na Curumin!"
Parabéns na Curumin.
Improvisamos uma decoração em cami e filó amarelo, marrom e azul. No dia da festa, Mariene e eu chegamos com as coisas. Gabriel, elegantemente arrumado, foi ficando nervoso, pois arrumávamos o anfiteatro da Curumin. Não tínhamos como escolher que crianças convidar, pois ele circulava por todas as turmas, interage com todos, Mariene fazendo as vezes de acompanhante pedagógica. Quando o chamávamos para subir ele respondia:

-"Nããããoooo...." Fomos ficando preocupados e nos preparamos para a situação inusitada: o aniversariante ficar fora da festa! Quando tudo ficou pronto, Gabriel estava na sala de Fabiane, com a turma de 1° série. A meninada se aprontou para subir. Gabriel, nada. Ao ver que todos tinham formado a fila, ele rapidamente calçou os sapatos (é, estava desclaço), correu para o banheiro e subiu as escadas.

O zunzunzum era grande - mais de 50 crianças ocupavam o salão e cantaram parabéns. Tampando os ouvidos, Gabriel apagou as velinhas e sentou-se em uma cadeira, enquanto a turminha recebia os lanches. Gabriela chegou a tempo de participar da cantoria e dar uma mãozinha. O aniversariante comeu, recebeu os cumprimentos de todos que lhe estendiam a mão e, quando ficou muito chato o barulho, desceu. Ah, com a ajuda de Fabiane, recebeu os presentes que, em casa, abriu um por um.

Mariene tem colecionado os convites que Gabriel recebe. Até entrar para a Curumin, era raro ele participar de alguma festinha.

Dias mais tarde, houve o aniversário de Rebeca. Mariene levou o presente e deu a Gabriel, para que o entregasse. A menina, que passava no corredor, carregando uma bandeja de salgadinhos, só viu um pacotinho aterrisar em suas mãos. Só teve tempo de soltar um "obrigado, Gabriel", antes que ele voltasse para dentro da sala de Fabiane.

postado por: Argemiro Garcia 7.8.06

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