Canto de Anjo |
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Gabriel é nosso caçula. Nasceu em 1993, em Macaé (RJ). No começo de 1996, percebemos que ele, além de não falar (apenas cantava), estava adotando um comportamento aéreo. Não atendia aos nossos chamados. Ficava isolado. Será que é autista? Foi a primeira pergunta que fiz...
No orkut, conheça a comunidade Sou fã de Gabriel Maciel
Sexta-feira, Julho 29, 2005 O limite da paciênciaDia 23, sábado, acontecia uma festa de aniversário no nosso prédio. Embora os vizinhos conheçam e convivam bem com Gabriel, ninguém pensou em convidá-lo. Talvez porque pensem que ele não se interesse, sei lá. Mariene desceu para o PG (play ground) com ele e Marquesa. Passou um tempinho, desci também. Gabriel estava jururu, tristonho, enquanto as crianças corriam e brincavam à sua volta. Pedia: -"Aeroclube!" Mariene comentou que ele estava triste por não participar da festinha, e sugeriu que o saíssemos com ele. Chamamos Silvia e saímos os quatro. No Aeroclube, o Eurobungie estava fechando. Era tarde, e expliquei que "os moços váo pra casa deles." Gabriel perguntou umas duas vezes: -"Cadê Eurobungie?" e se satisfez com a repetição da explicação. Feliz, correu para outros brinquedos, como o escorrega inflável e as camas elásticas. A bilheteira, que já nos conhece, ria de me ver comprando um bilhete por vez. No domingo, 24 de julho, Mariene precisava ir ao Projeto Incluir, arrumar umas coisas na sala recém-alugada. Saímos os quatro, de novo. Gabriel não queria descer e se pôs a gritar: -"Carro! Carro! Passear!" Deixei Mariene e Silvia e combinamos que elas me ligariam quando acabassem. Voltei ao Aeroclube com Gabriel. O Eurobungie tinha fila. Fiz as contas: 10 crianças, 10 minutos por criança, o resultado eram 50 minutos de espera. Avisei Gabriel que tinha fila e que devíamos esperar. Só que ele esperava desde o dia anterior e se desesperou: -"Eurobungie! Eurobungie! Quebrar espelho!" Quebrar espelho é o que fazia quando ficava com raiva, há mais de cinco anos: partia para bater em vidraças e espelhos - destes, chegou a quebrar dois, aqui em casa. Depois de ler Uma Menina Estranha, de Temple Grandin, concluímos que o caso é que ele tinha a sensação de distanciamento do mundo e que as janelas lhe davam a sensação de um bloqueio a ser quebrado. Dessa vez, as portas e janelas de uma pizzaria do Aeroclube viraram alvo de sua irritação. Briguei: -"Nada disso, rapaz! Tem que esperar! Vamos pra fila!" As pessoas em volta, preocupadas, se solidarizavam e propunham passá-lo na frente. Expliquei que ele é autista e que eu queria que ele aprendesse a respeitar a fila. Mas tratei a situação do jeito errado: -"Assim eu não deixo você andar no Eurobungie, hoje!" Aí, ele se irritou mesmo. Me arrependi de não ter cortado suas unhas... Meus braços ganharam bons arranhões. Acabei cedendo, e aceitei a oferta de passá-lo na frente. Agradeci e expliquei que, logo que estivesse brincando, ele se acalmaria. Dito e feito. Em cinco minutos, já calmo, pediu para descer, apontando para o chão: -"Quer descer!" Eu tinha oferecido uma pizza, durante seus momentos de descontrole, e tornei a perguntar se ele queria. Quis. Fomos à Italian Pizza, mais um desses fast food. O celular tocou e avisei Silvia que iríamos logo que acabássemos de comer. Gabriel pediu lasanha, mas estava muito ruim e ele largou. Pediu: -"Pai!" -"O que é?" -"Pizza!" -"Agora, não. Você já pediu lasanha." Ele aceitou, sem um pio. Estava, como diz Pedro, envergonhado. Fomos para a saída e ele começou: -"Bebeu água!" Respondi: -"Nãããããoooo!" -"Tá com sede!" -"Tô!" Mas eu só tinha R$ 10,00 e a lanchonete não tinha troco para a água. Mais uma vez, ele foi paciente. Pegamos o carro, buscamos Mariene e Silvia. Na volta, em frente ao Aeroclube, pedi: -"Gabriel, dá tchau pro Aeroclube. A gente volta outro dia!" - e ele atendeu: -"Tchaaaaau, Aeroclube!" - abanando com a mão. postado por: Argemiro Garcia 29.7.05 Deixe aqui seu recado.Mas, se quiser se comunicar diretamente comigo, mande-me um e-mail: argemiro@lognet.com.br
Treinamento comportamentalO mundo é injusto. E nós temos dificuldade em entender as pessoas e os padrões sociais, por isso, não sabemos como agir e comportar satisfatoriamente. Demorei para saber o que tenho de errado e era muito angustiada por isso. Sempre fui criticada, humilhada e xingada sem saber o motivo. Agora sei."Catarina Fere" é o pseudônimo de uma jovem ásperguer que, na internet, identificou porque era considerada "diferente", conseguiu ser diagnosticada e desenvolveu um método próprio para se adequar às exigências da sociedade. Outros "aspies" a criticaram, por achar que não devem mudar por causa dos outros, mas ela está feliz assim, sem chamar tanto a atenção. Como Temple Grandin, ela se comportou como antropóloga e aprendeu a imitá-los. As pessoas não toleram as diferenças. Por isso fiz um programa de treinamento para parecer mais "normal". Fiz todos os exercícios com dedicação. Estes exercícios servem para o aprimoramento das habilidades sociais e do comportamento. Ajudará a pessoa a sofrer menos preconceito, críticas e humilhações. Ajudará também na vida profissional. Não vai mudar seus pensamentos, eu continuo com os mesmos ideais, caráter e princípios, mas sou aceitável. Você precisará ter muita disciplina, esforço e dedicação. Inclua os exercícios em sua rotina diária e vigie-se para não deixar de fazê-lo. Você, como eu, receberá muitos elogios com o passar do tempo. OLHAR NOS OLHOS Toda vez que alguém estiver conversando, tente olhar os olhos da pessoa com quem estiver falando. Sua mãe pode ajudar icentivando e avisando quando o olhar estiver muito fixo (quando comecei o exercício, eu olhava fixamente e as pessoas acharam esquisito, com o tempo fui aprendendo o ritmo certo e, atualmente, suponho que olho bem). Faça sempre, em casa, na escola e com todos. Quando você falar, olhe os olhos do interlocutor (é mais difícil quando tem mais de uma pessoa). Olhe os olhos da professora quando ela estiver falando. Inicialmente, você poderá sentir incômodo ao olhar os olhos das pessoas, persista. Depois de algum tempo (meses ou anos, dependendo do treino), se tornará um hábito que não causa incômodo. APERFEIÇOAMENTO VOCAL Existem exercícios que ajudarão na impostação e melhoramento vocal. Inclua-os em sua rotina (eu fazia toda noite, após o jantar). Escolha um horário adequado e faça-o diariamente, até que sua voz fique agradável e satisfatória.
TORNAR-SE CONVENIENTE NAS CONVERSAS Eu era muito inconveniente e entediante, infelizmente, demorei a saber o motivo. Listarei coisas que eu fazia e acho que vários aspies fazem e que nos atrapalham pois as pessoas detestam. São coisas que eles julgam serem inapropriadas. Tente sempre:
Ainda não tenho métodos efetivos para conseguir conversar satisfatoriamente em assuntos triviais (os que os outros gostam), é dificílimo. Eu não tenho assunto para conversar com elas. Porém, tem algumas coisas que faço para amenizar. São algumas dicas:
ENTENDER EXPRESSÕES FACIAIS E CORPORAIS Muitas vezes, quando alguém não percebe as expressões alheias, os outros acham que é por insensibilidade e/ou desprezo (minha mãe pensava isso de mim). É interessante perceber as expressões das pessoas, pois torna-se um novo conhecimento. Algumas dicas:
PARECER SIMPÁTICA Parecer simpática é importante pois as pessoas podem gostar.
Procure fazer olhando nos olhos da pessoa. CESSAR/AMENIZAR MOVIMENTOS ESTEREOTIPADOS As pessoas, muitas vezes, são cruéis e acham esquisitos os movimentos repetitivos, tais como mexer os dedos, os quadris, os pés, etc. Além disso, estes movimentos fazem as pessoas te observarem e te achar inadequada. Algumas pessoas podem até fazer algum mal por causa disso.
MELHORAR O ANDAR O jeito com que andamos pode ser feio e incomodar as pessoas, principalmente não andar em linha reta. É legal andar com desenvoltura.
MELHORAR A ESCRITA/CALIGRAFIA Nossa deficiente coordenação motora faz com que tenhamos dificuldade em escrever e nossa letra fica feia e, muitas vezes, ilegível. Melhorar a caligrafia é bom porque causa boa impressão e facilita a leitura. Não sei se você tem ajuda terapêutica (eu não tive). Eu fiz alguns exercícios para mim.
Você poderá demorar bastante para conseguir. VESTIR-SE ADEQUADAMENTE Às vezes nossa vontade é vestir apenas um tipo de roupa. O problema é que isso pode parecer esquisito. Não precisa vestir o que não gosta, mas é bom vestir-se de modo que não chame a atenção. Para isso, você poderá listar o que gosta em roupas e pedir ajuda para sua mãe na escolha. Também é importante saber que tippo de roupa pode-se usar em cada ocasião. TRABALHAR A SINCERIDADE
NOÇÕES DE PERIGO Às vezes fazemos coisas arriscadas sem saber. Além de ser perigoso, as pessoas acham que fazemos ou porque somos loucos ou porque queremos chamar a atenção.
DESAJEITAMENTO Tome cuidado para não derrubar objetos. Faça movimentos curtos e controlados para não parecer desajeitada, principalmente na cozinha. postado por: Argemiro Garcia 29.7.05 Deixe aqui seu recado.Mas, se quiser se comunicar diretamente comigo, mande-me um e-mail: argemiro@lognet.com.br
Quarta-feira, Julho 27, 2005 A jornada de NatalDe 21 a 23 de julho, Mariene e eu estivemos em Natal (RN), participando da I Jornada Científica do PAE (Programa de Assitência Especial) da Petrobras. O Encontro, idealizado por Eliana Araújo, foi excelente. Deixei algumas fotos em www.geocities.com/argemirogarcia/jornada2005/ Mais tarde, volto aqui e descrevo as nossas impressões - que foram muito positivas. Eliana e a Petrobras estão de parabéns. postado por: Argemiro Garcia 27.7.05 Deixe aqui seu recado.Mas, se quiser se comunicar diretamente comigo, mande-me um e-mail: argemiro@lognet.com.br
Marquesa atropelada!
-"Azul, amarelo, vermelho, laranja!" Subi para pegar as canetinhas hidrocor e papel - muito papel. Lá ficamos, com ele a me ditar frases e palavras. Tenho me perguntado se seriam social stories, mas acho que não; são apenas experiências que ele faz com as lembranças, tentando criar historinhas. Em geral, os personagens são pessoas conhecidas, que ficam doentes, tomam injeção na bundaaa, se sentam na cadeira do dentista, vomitam ou caem do balanço. Liz, Lucas Bastos, Lucas Mantas, Patrícia... todos passam pelos mesmos apuros. Lá pelas tantas, Gabriel me pediu chiclete. Fui para a banca de revistas que fica do lado do nosso prédio, acompanhado de Marquesa, solta e sem coleira. Distraído, deixei-a a correr pela calçada, enquanto conversava com Dílson, o jornaleiro. Daqui a pouco... -"Criiiiiiinch... cain cain cain!" e lá veio a cachorra, safada, sem-vergonha, correndo com o rabo entre as pernas. Fiquei bravo com ela, dei-lhe duas ou três chineladas, enquanto algumas pessoas me pediam para não bater nela. Foi aí que percebi que ela estava com o focinho e a cabeça esfolados. Fiquei sem-graça, e com pena. Peguei-a no colo e tentei me explicar ao Dílson: -"Fiquei puto [resquícios de minha paulistanidade, meu!]. Nós a temos em casa por causa do Gabriel, o que acontece se ela morrer?" Na verdade, claro, a culpa era minha: devia tê-la posto na cordinha. Levei-a, no colo, para o PG: -"Gabriel, a Marquesa foi atropelada, vamos levar ela pra fazer curativo?" Ele fez expressão preocupada, contraindo os cantos da boca, o olhar mostrando preocupação, mas queria acabar o que estava fazendo: -"NÃÃÃÃÃOOOO!" - e continuou a escrever com seu normógrafo. -"Vou subir e depois levar a Marquesa no médico, tá?" Subi, e logo ele apareceu. Liguei para a pet shop, dizendo que minha cachorrinha tinha sido atropelada. Logo chegávamos à loja. Ela pulava, como sempre, mais que uma lebre presa na corda. Brinquei: -"Vê como a coitadinha está mal? Ela pula muito, quando o carro ia pegá-la, pulou de lado." Durante a consulta, Gabriel entrou alguma vezes no gabinete. De fato, a Doutora Marquesa tem feito um bom trabalho de terapia, ele quase não tem mais medo de cachorro. Ela tem toda nossa gratidão, apesar das chineladas que levou. Mas, agora, está de castigo: não a deixamos mais descer como fazia antes do acidente. postado por: Argemiro Garcia 27.7.05 Deixe aqui seu recado.Mas, se quiser se comunicar diretamente comigo, mande-me um e-mail: argemiro@lognet.com.br
Terça-feira, Julho 26, 2005 Ursinho PoohFiquei um tempo sem postar por conta de estar organizando minha ida para Ouro Preto, onde farei um curso de Modelagem Geológica 3D, e à Jornada PAE de Natal, na semana passada. Estou muito ansioso em relação a como ficará Gabriel. Desta vez, só voltarei para casa uma vez por mês, diferentemente do período que passei no Rio, em 2002.Dia 16, sábado, à noite, Gabriel lembrou do seu ursinho Pooh. Veio cantando: -"Tum, ti dum-dum!" e pedindo o "Ursinho Pooh!" que, quando ele ganhou de Gabriela, há anos, chamava de Ursinho Tupuff. . Mariene achou o brinquedo que, já desgastado, não funcionava direito. Tentei consertar, mas só fazia balançar o nariz. No domingo, Gabriel acordou pedindo: -"Comprar Ursinho Pooh!" Eu prometera que íamos ver no Hiper e que, se não fosse muito caro, compraríamos. No mercado, ele lembrou do boneco, e fomos averiguar a seção de brinquedos. Não tinha, e ele aceitou. Pediu para comer uma lasanha no La Gula, que fica na praça de alimentação do Hiper, e voltamos para casa. postado por: Argemiro Garcia 26.7.05 Deixe aqui seu recado.Mas, se quiser se comunicar diretamente comigo, mande-me um e-mail: argemiro@lognet.com.br
Quinta-feira, Julho 14, 2005 O trem do DragãoNeste sábado, dia 9 de julho, Pedro me pediu que o deixasse no Idearium, no Rio Vermelho, para um show de Rock. Mariene estava em uma reunião de trabalho do Projeto Incluir. Chamei Silvia e, claro, Gabriel.
-"Venturer!" - eu já imaginava do que se tratava, mas perguntei a Pedro, que respondeu: -"Acho que é um liquidificador." Eu achava que era um antigo brinquedo do Playland, no Shopping Iguatemi. Voltando do Rio Vermelho, ia entrando no Hiperbompreço quando Gabriel soltou, de novo: -"Venturer!" - Aproveitei e perguntei: -"Certo, então diga: ONDE fica esse tal de Venturer!" -"Iguatemi!" Ótimo! Era um progresso. Dei a volta no estacionamento com Gabriel repetindo: -"Venturer! Venturer! Venturer!" -"Calma, Gabriel, nós estamos indo pro Iguatemi." Mas a ansiedade ia crescendo - nele e em nós. Silvia, quando entramos no estacionamento do Iguatemi, ainda falou: -"Pronto, Gabriel. Já estamos no Iguatemi." E eu: -"Tá, agora me leva até o Venturer!" Dito e feito: correu direto para o reinaugurado Playland - que não tem mais o Venturer, com o tamanho de um micro-ônibus e que fica balançando enquanto, trancados dentro dele, assistimos a um filme/desenho animado que nos faz sentir como se estivéssemos em uma montanha-russa de fantasia, com montanhas e vôos por sobre cachoeiras. Como não tinha Venturer, ele passou a pedir o... -"Trem!" - Um trenzinho de montanha-russa de pequeno circuito, com muitas voltas, e o primeiro carrinho imitando a cabeça de um dragão. Mas, sábado à noite, chovendo em toda Salvador, as filas eram enormes: principalmente para comprar ingressos. Falei a Gabriel que não dava, tinha muita fila e que voltaríamos outro dia... -"...certo?" Não: -"Venturer! UAAAAÁRH!" É... não estava certo. Mas tem vezes que não tem jeito. Cruzei os braços, enquanto ele se sentava no chão, gritando. Uma atendente me disse que no domingo pela manhã estaria vazio. Depois de um bom tempinho de teimosia, com muita gente curiosa nos olhando, dei a palavra final: -"NÃO, Gabriel. Não vai ter jeito. Vamos voltar outro dia." Claro que ele saiu protestando. Claro que, no Hiper, ele vinha pedindo: -"Vagões! Vagões! Trem! Dragão!" Mas foi dormir com seus pedidos. Na manhã seguinte, às nove horas, já acordou pedindo: -"Vagões!" A primeira palavra do dia.
-"Ele não pode entrar, porque é grande. É a norma." -"Vocês não podem ser flexíveis? Vamos flexibilizar, eu assumo." Chamaram o supervisor. Insisti que assumiria qualquer risco, que Gabriel é autista, tem dificuldade para entender, mas ele não aceitou, dizendo que a responsabilidade era dele. Duas pessoas se aproximaram, solidárias comigo. Depois vim a saber que uma era a coordenadora das APAEs no interior do Estado, e o outro conhece a Gil Melândia da Banda Beijo, que tem um primo autista - Gil gosta tanto do rapaz que diz a todo mundo que é seu sobrinho. Radicalizei: -"Você só vai ter problemas se eu reclamar - se eu prestar queixa - ou se ele morrer, porque aí o Ministério Público abre inquérito e eu não vou poder retirar a queixa. Eu assumo! Deixa meu filho aí!" Não teve jeito, ele não cedeu. Apelei: "-Então, você chama a polícia, porque eu não tiro meu filho daí! " "-Eu chamo o Juizado de Menores! " "-Chame! " Depois, amaciei: "-Tá bom, vamos ver se ele aceita sair: Gabriel, vem com o pai, você é muito grande, não pode. Veja, você tem mais de um metro e trinta." Gabriel chiou, deu duas cabeçadas em minha mão, mas correu para o dragão. O supervisor, como compensação, liberou o acesso para Gabriel brincar no "trem". Perdi as contas de quantas vezes ele rodou nos carrinhos. postado por: Argemiro Garcia 14.7.05 Deixe aqui seu recado.Mas, se quiser se comunicar diretamente comigo, mande-me um e-mail: argemiro@lognet.com.br
Sábado, Julho 09, 2005 postado por: Argemiro Garcia 9.7.05 Deixe aqui seu recado.Mas, se quiser se comunicar diretamente comigo, mande-me um e-mail: argemiro@lognet.com.br
A internacional SonoalistaNa hora de acordar Gabriel, há meses venho cantando uma paródia do Hino da Internacional Socialista (não importa o que pessoas equivocadas ou de má fé venham a fazer, já dizia Rosa de Luxemburgo: socialismo ou barbárie).-"De pé, ó vítima do sono, de pé, preguiça dessa terra, Seu Uílson tá lá embaixo te esperando pra te levar pra Via Ponte. O Tiago também está Lu e Breno também estão O Jorginho e a Lu, De pé, de pé, de pé!" Ele acha muita graça e sempre dá um sorriso. Mas, de vez em quando, meu próprio sono me levava a cantar os prórios versos da Internacional: -"De pé, ó vítimas da fome, de pé, famélicos da Terra Da idéia a chama já consome a crosta bruta que a soterra." Gabriel emendou: -"E soterra porque é terra não tem queixo, não tem língua, não tem cabelo, não tem orelha," Eu não podia deixar de concluir, dando um toque geológico e sentido a uma coisa que parecia surrealista: -"só tem areia e argila." No final, fica assim (com pequenas variações): -"De pé, ó vítimas da fome, de pé, famélicos da Terra Da idéia a chama já consome a crosta bruta que a soterra E soterra porque é terra não tem queixo, não tem língua, não tem cabelo, não tem orelha, só tem areia e argila." postado por: Argemiro Garcia 9.7.05 Deixe aqui seu recado.Mas, se quiser se comunicar diretamente comigo, mande-me um e-mail: argemiro@lognet.com.br
Sexta-feira, Julho 01, 2005 Corte de cabelo e almoço
Domingo pasado, dia 19, levamos Gabriel ao Don Quixote Haircut, que fica dentro do Hiperbompreço. Beth, mais uma vez, ia cortar sua jubinha. Desta vez, Gabriel não quis se sentar no meu colo. Reclamando muito, resmungando, até mesmo xingando ("Que merda!") foi sozinho para a frente do espelho. Como sempre, Beth não lhe pôs o avental nem lavou seus cabelos. De vez em quando, ele gritava: -"Majirel!" - Majirel é uma marca de xampus da L'Oreal, e um cartaz fica pregado na parede da escada que leva a um mezanino, onde são feitas as depilações. Gabriel adora a escada e se refere a ela como o cartaz. Beth corta o cabelo super-rápido e bem - quando eu disse que ela ia ganhar o recorde de velocidade, ainda foi auto-crítica, dizendo que ganharia o prêmio de cabelo mal cortado. Pode?
Quando acabou meu corte, deixei Mariene na depilação e fui encontrá-lo na praça de alimentação, tomando um suco. O pessoal da Casa do Pão de Queijo - onde ele tem crédito - estava impressionado; o gerente comentou que Gabriel leu os sucos do cardápio e pediu: -"Maracujá!" - o rapaz me disse para ficar tranqüilo, porque Gabriel tem crédito na casa - eles sabem que a gente volta para pagar. Ao me ver, Gabriel ainda pediu para eu pegar um prato de lasanha com farofa no restaurante a quilo Les... -"Quitutes!" - completei e fui fazer seu prato. Foi a vez de Silvia e eu ficarmos contentes: tem sido uma das nossas grandes metas ensinar Gabriel a usar afaca para empurrar a comida para o garfo, coisa que ele prefere fazer com o polegar. Não é que ele comeu quase tudo usando a faca? Fizemos três fotos... só nas duas últimas garfadas não resistiu e apelou para o dedão. postado por: Argemiro Garcia 1.7.05 Deixe aqui seu recado.Mas, se quiser se comunicar diretamente comigo, mande-me um e-mail: argemiro@lognet.com.br
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