Canto de Anjo |
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Gabriel é nosso caçula. Nasceu em 1993, em Macaé (RJ). No começo de 1996, percebemos que ele, além de não falar (apenas cantava), estava adotando um comportamento aéreo. Não atendia aos nossos chamados. Ficava isolado. Será que é autista? Foi a primeira pergunta que fiz...
No orkut, conheça a comunidade Sou fã de Gabriel Maciel
Quarta-feira, Março 31, 2004 Um blog especial| Márcia Rocha | Comunidade Virtual Autismo no Brasil | 30/3/2004 |Vocês conhecem o blog quero contar? É um diário de uma criança especial......É uma lição de vida , vale a pena conhecer. http://www.stories.org.br/querocontar/
Abraços Marcia Rocha. postado por: Argemiro Garcia 31.3.04 Deixe aqui seu recado.Mas, se quiser se comunicar diretamente comigo, mande-me um e-mail: argemiro@lognet.com.br
Sexta-feira, Março 26, 2004 Coleta seletiva de lixoNeste domingo, 21/3, Mariene saiu com Gabriel e Marquesa para a praça. Passou um tempo, ligou para saber se eu iria também. Pedro foi comigo. Pegamos o carro. Na praça, os três estavam olhando os carros. Gabriel, ao nos ver, correu para os balanços e subiu no brinquedo que é uma escada na horizontal, em que a criança se pendura. Vendo seu amigo tão alto, e sem poder alcançá-lo, Marquesa se pôs a latir. Seu passo seguinte foi correr para os latões de lixo reciclável. Gabriel recolhia o lixo pela praça e jogava no lugar certo: papel no papel, plástico no plástico. Começou a descrever: -"Plástico: vermelho! Vidro: verde! Metal: amarelo! Papel: azul!" - mas ficou nervoso, porque não tínhamos metal. O tempo passando, chamei: -"Gabriel, vamos pro Hiper, que não tem nada pra você levar de lanche amanhã!" - aos domingos, o Hiper fecha às 22 horas. -"Nããããooo!" - Gabriel protestou e Pedro reclamou. Estava com fome. Gabriel acabou cedendo, contrariado. Enquanto Mariene ficou do lado de fora, com a cachorrinha, entrei ocm os dois meninos, só para pegar o lanche, mesmo. Gabriel pedia: -"CO..." e eu completava: -"...leta seletiva de lixo. Não, Gabriel, vamos para casa." O clima esquentou. Ele se pôs a gritar e chegou a se auto-agredir, aproveitando que estava sentado no carrinho, com umas joelhadas na cabeça! Fiquei assustado (essa é uma imagem muito forte) e briguei com ele. Foi pior: ele percebeu minha fraqueza e repetiu a dose. Preocupado, tentei acalmá-lo. Mariene ligou no celular, para saber se os gritos eram dele. Confirmei, expliquei o que estava acontecendo e disse que já estávamos saindo. A terceira vez que ele repetiu o gesto, fui até ele e disse, baixinho: -"Se você quer dar joelhada na cabeça, o problema é seu! É a sua cabeça que vai ficar doendo." Parece que deu certo. De qualquer forma, recolhi umas garrafas de cerveja no lixo dos caixas, mais umas garrafas de refrigerante. Ficamos sem metal, mas conseguimos que Gabriel tivesse algum material para jogar na Coleta Seletiva de Lixo. Depois disso, recolhi algum lixo reciclável para ter à mão, mas ele ainda não tornou a mostrar interesse em preservar o planeta. postado por: Argemiro Garcia 26.3.04 Deixe aqui seu recado.Mas, se quiser se comunicar diretamente comigo, mande-me um e-mail: argemiro@lognet.com.br
Domingo, Março 21, 2004 Militante
Ao chegarmos ao Campo Grande, a passeata estava começando. Gabriel veio guardar o pincel no meu bolso; da tinta, não tive notícia. Militante antigo, ele já conhece muita gente. Somos amigos da família do falecido companheiro deputado Paulo Jackson (o melhor deputado que a Bahia já teve, não só no nosso conceito, mas de acordo com toda a imprensa). Zoraide e Idalina, suas irmãs, lá estavam; André, seu filho, também. E o MST, a CUT, o SINDAE, o vereador Gilmar, o MSTS... Idalina distribuía camisetas do movimento e deu uma para Gabriel, que a vestiu sem pestanejar. Em um trio elétrico, um conjunto de forró animava os manifestantes. Aqui em Salvador, passeata é feita com música, e muita gente vai dançando. Uma canção que faz sucesso no MST é o Xote Ecológico:
A terra está morrendo, não dá mais pra plantar E se plantar não nasce, e se nascer não dá Até pinga da boa, é difícil de encontrá. -Cadê a flor daqui? -Poluição comeu. -O peixe que é do mar? -Poluição comeu. -O verde onde é que está? -Poluição comeu... Nem Chico Mendes sobreviveu!
-"Gabriel, vamos avisar tia Rosilda!" -"Nããããoo! Quero Mônica!" - pensei que queria ir ao parquinho. Nada! Logo mudava o pedido:
Sentamos em um banco. Ele teimava de um lado, eu do outro. Ganhei: Gabriel, mesmo aos gritos, levantou-se e se dirigiu à manifestação. Achamos Rosilda, avisamos onde estaríamos e fomos embora. Em frente ao restaurante fica o deck para competições de remo - está em reforma. Gabriel deu sua contribuição, pintando de vermelho as pedras do chão e a balaustrada - que ele chamou de corrimão. Depois foi para uma mesa da Cheiro de Pizza. Não deu tempo de falar com o garçom; Gabriel se sentou com a mão suja de tinta e manchou a toalha da mesa. O rapaz reclamou da toalha suja e eu soltei meus cachorros:
-"Você já ouviu falar em autismo?" - acabamos por comprar uma lazanha para o pequeno e, ainda, um prato de fetuccine. Fizemos as pazes com o garçom, que parece ter entendido o problema. Por garantia, tirei a camiseta da passeata e fiquei só com a camiseta da AMA-Ba. Bom, barriga cheia, pé na areia. Acabada a lazanha, experimentado o fetuccine - que ficou para o pai, tocamos nosso caminho. Gabriel logo parou num carrinho de picolé - uns picolés de R$ 0,50 que são vendidos perto dos locais públicos, produzidos por uma ONG (se não estou enganado) e vendidos por pessoas desempregadas. Li: -"Gabriel, tem de coco, manga, amendoim, coalhada, chocolate, graviola..." -"Cocaína!" - o sorveteiro riu e ofereceu: -"Ôpa! Ele quer de coco!" - Gabriel descobriu que nos constrange quando pede cocaína e aproveita para nos deixar sem graça. Dessa vez, o feitiço não teve efeito. Subimos na direção do Campo da Pólvora e seguimos pela Avenida Joana Angélica. Vendo o portão aberto, Gabriel entrou na Faculdade de Comunicação da UCSal (Universidade Católica do Salvador), onde encontramos Julieta, nossa vizinha, amiga de Gabriel, em uma assembléia sobre as mensalidades. A escola funciona no antigo Convento da Lapa, onde em 20 de fevereiro de 1822 a Madre Joana Angélica, já sexagenária, foi assassinada por soldados do Exército Imperial Português, bêbados, que queriam invadir o convento para estuprar as freiras. "Para trás, bárbaros! Respeitai a Casa do Senhor! Ninguém entrará no convento, a menos que passe por cim do meu cadáver!". Sua morte causou comoção na Bahia e foi a gota de água que faltava para dar início aos combates pela Independência do Brasil. Foi por isso, por causa dessa guerra, que D. Pedro I proclamou a independência, "antes que algum aventureiro" o fizesse. (Canto de Anjo também é cultura.) Passamos pelo Largo da Piedade. Vendo a camiseta de Gabriel toda suja de tinta, uma senhora que vendia água brincou: -"Você andou pintando o sete, hein?" - e ele ainda acabou toda a tinta que carregava, pintando o gradil da Piedade. Voltamos para o Campo Grande, pegamos o carro e... -"Agora ele desmaia a tarde toda, não, Miro?" -"Que esperança, Rosilda! Você vai ver!" - e viu. Rosilda saiu com Gabriela e Gabrielo para o Centro Espírita; eu, fiquei com Gabrielzinho no portão do prédio até as 9 e meia da noite, com ele agitadíssimo e feliz da vida. postado por: Argemiro Garcia 21.3.04 Deixe aqui seu recado.Mas, se quiser se comunicar diretamente comigo, mande-me um e-mail: argemiro@lognet.com.br
Quarta-feira, Março 17, 2004 Póft!Quinta-feira, dia 11 passado, levamos Valéria ao Aeroclube - proposta e promessa de Pedro. Gabriel já foi andando na frente, a gente seguindo-o a passo rápido. Viramos à direita, na direção do World Games e da praça de alimentação e - PÓFT! - Gabriel deu a maior porrada numa garotinha que passava correndo perto dele, ao estilo Massaranduba (do Casseta & Planeta). A mãe e outra mulher (tia?) tentaram falar com ele e, claro, ele não respondia nada. Cheguei segundos depois, já explicando: -Ele é autista, não sei porque ele bateu nela - e, para ele: Gabriel, porque você bateu na menininha? - eu estava com a camiseta da AMA-Ba, que tem o selo da associação beeem grande no peito. Acho que isso ajudou a explicação. Gabriel, com a expressão bem tranqüila, não mostrava raiva, medo, nada. Simplesmente me deu as costas e seguiu seu caminho. Corri atrás dele, deixando para trás uns pedidos de desculpa e Mariene e Valéria conversando com a família; o pai já estava chegando para entrar na conversa. Fomos ao banheiro, depois ao World Games. Eu, preocupado em encontrar Mariene, Valéria, Pedro e Leonardo. Ele, interessado na piscina-bola. Dentro do World Games há uma área grande, cercada por um gradilzinho e dividida em áreas menores, com redes de proteção dessas que se usam nos apartamentos, com muitos brinquedos sensoriais: piscinas de bolinhas, escorregador revestido de espuma, túneis, escorregador de cilindros de metal, pula-pula, sacos de pancada, uma sala toda atravessada por cordas elátiscas, para escalar - um senhor espaço de psicomotricidade. E, melhor ainda, um adulto pode entrar como acompanhante. Gabriel, então, depois de termos rolado na piscina de bolinhas, depois de ter escorregado, depois de um monte de coisas, resolveu escalar as redes por fora. A princípio, ajudei na brincadeira mas, quando percebi que sua intenção era chegar à parte de cima, eu disse não. Ele desistiu de ficar por ali e se mandou para o Space Jump - o estilingão. Nessa hora, eu já estava desencontrado dos outros. Fiquei com ele um tempinho e deixei-o pendurado, com o pessoal que já nos conhece de antes do carnaval - literalmente. Não havia fila e, então, ele podia ficar à vontade. Procurei um orelhão, avisei Mariene e voltei. Daqui a pouco, chegam Leo e Pedro. Gabriel vomitou (só podia, mesmo) e quis descer. Lá foi, então, seguindo atrás de alguma coisa interessante. Achou comida e a mãe. Pediu sorvete e lhe demos dois reais, mandando-o ao McDonald´s - ainda é engraçado seu jeito: estendeu a mão com o dinheiro e disse -"Sorvete de baunilha!" - virou as costas e voltou para a mesa. O rapaz ficou completamente sem ação. Fui ao balcão e peguei o sorvete; Gabriel, no entanto, tinha feito Pedro pedir uma lazanha sem graça no Italian Pizza, e passou a comer ambos - lazanha e sorvete - alternadamente. (Éca!) Mariene, então, me explicou o que se passara com a garotinha que apanhou. Ela passou correndo do lado de Gabriel, já chorando - estava fazendo manha para conseguir alguma coisa dos pais. Gabriel adora ver gente chorando e deve ter resolvido dar uma ajudinha para ela chorar mais. Quando Gabriel se levantou, Mariene o acompanhou e nós os seguimos até o carrossel. Valéria fez uma foto da família e a levamos para o hotel. postado por: Argemiro Garcia 17.3.04 Deixe aqui seu recado.Mas, se quiser se comunicar diretamente comigo, mande-me um e-mail: argemiro@lognet.com.br
Terça-feira, Março 16, 2004 Valééééria!Valéria Llacer veio a Salvador para um curso do Programa TEACCH. O curso foi um sucesso. A procura superou todas as expectativas. Sorte que tínhamos mandado fazer material para 100 pessoas; se tivéssemos ficado nas 80 previstas, teria faltado. Na hora de ir buscá-la no aeroporto, Angelo e Inês se prontificaram a fazê-lo; Mariene, Gabriel e eu fomos também, para revê-la. Combinamos de sair na noite de domingo. Fomos ao Pelourinho. Gabriel, quieto entre Pedro e Valéria. O Pelô não estava animado e Pedro tinha fome. Saímos para a Barra, onde não encontramos nada interessante. Sugeri: -"Que tal a Sanduíche Hall, Pedro?" - Gabriel gostou da idéia, e tocamos para a Pituba, sob protestos do seu irmão, que queria churrasco. Nervoso, Gabriel logo gritava: -"Sanduíche! Quero sanduíche! Sanduíche Hall!" - e bateu a cabeça na janela e no braço de Pedro. Chegamos já tensos à sanduicheria, ainda que sabendo que Gabriel ia se acalmar na hora. Dito e feito. Gabriel se debruçou no balcão, tampou os ouvidos e ficou admirando os liquidificadores e espremedores de laranja. De repente, um corre-corre. Pènsei que era uma briga. Logo, as pessoas tremendo e chorando explicavam: tinha sido um assalto, do meu lado. Enquanto eu estava na fila do caixa, um ladrão assaltou, armado, a loja. Bom, os bandidos não iam voltar. Deixei Gabriel admirando as máquinas e fui falar com Mariene e Valéria, perguntar o que queriam. Valéria estranhou nossa tranqüilidade em deixar Gabriel sozinho no balcão. É que ela não percebeu como ficávamos de olho nele o tempo todo, nem sabia que ele já conhece e é conhecido por ali. Quando a comida ficou pronta, Gabriel sentou-se à mesa e, comendo, perguntou: -"Valéééria! Tem Kinder Ovo?" -"Não, Gabriel, eu não tenho Kinder Ovo." Gabriel ficou muito contente. Já estava fazendo parte da conversa. postado por: Argemiro Garcia 16.3.04 Deixe aqui seu recado.Mas, se quiser se comunicar diretamente comigo, mande-me um e-mail: argemiro@lognet.com.br
Onomatopéias e pinturasDe uns tempos pra cá, Gabriel tem se referido tudo com onomatopéias. Nem sei dizer como isso começou. Claro que ele já usava alguma coiaa, mas agora tudo tem "voz". -"Ó o liquidificador batendo limão..." e lá vou eu, imitar o liquidificador: -"RRRRRUUURRRRRRR!" -"Ó a furadeira na parede...": -"RRRRRIIIIIIIII!" -"Ó o bolo na batedeira...": -"RRRRRUUUUUUIIIIIIIIIIIIIRRRRRRR!" -"Ó o caminhão da VEGA..." (dos lixeiros): -"RRRRRÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓ!" Ele já fazia isso antes: -"Ó a Marquesa chorando...": -"IIII! IIII! IIII!" -"Ó a Duquesa vomitando...": -"UÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁRH!" -"Ó o menino chorando...": -"BUUUUUUÁÁÁÁÁÁ!" Quanto às pinturas, aconteceu umas três semanas atrás. Gabriel ficou nervoso, lembro que tentávamos de tudo, até que apelei: -"Vamos pintar a porta! Tinta azul na porta! Chlop chlop chlop!" - e abanava a mão para cima e para baixo, imitando os movimentos de um pincel. Ele gostou! -"Tinta branca na parede! Chlop chlop chlop!" -"Tinta vermelha na camisa! Chlop chlop chlop!" -"Tinta amarela no sofá! Chlop chlop chlop!" -"Tinta marrom na estante! Chlop chlop chlop!" -"Tinta preta no short! Chlop chlop chlop!" Com essa brincadeira, num ritmo frenético, pulando pela sala, ele foi se interessando, interessando, e esqueceu do nervosismo. Na quinta-feira passada, aconteceu o óbvio: -"Quero cola colorida!" - lá fomos nós para o Hiper. Mariene e eu compramos tinta guache e cola colorida. Em casa, na sexta: -"Quero pintador!" -"É o pincel que você quer, Gabriel? Gabriel, é pincel que você quer?" -"Pincel! Quero pincel!" Mariene lhe deu a escada e até o teto ficou colorido... Agora, a tinta branca na parede é mais real. postado por: Argemiro Garcia 16.3.04 Deixe aqui seu recado.Mas, se quiser se comunicar diretamente comigo, mande-me um e-mail: argemiro@lognet.com.br
Terça-feira, Março 02, 2004 Por que eu escrevo este blogEstava revendo umas mensagens antigas. Tempos atrás, eu enviava e repassava mensagens sobre crianças com necessidades específicas (eufemismo para "deficientes") e histórias sobre meu filho Gabriel. Comecei a receber críticas - poucas, mas críticas nada construtivas; eram reclamações. Daí, em 23/8/2002, redigi a mensagem abaixo, que enviei para o grupo de meus colegas de escola e de profissão. Tempos depois, recebi reclamações e críticas que estavam sendo feitas a mim, "por trás"... Decidi, então, fazer este Canto de Anjo, para que apenas as pessoas interessadas em minhas histórias pudessem ler.
As pessoas rejeitam tudo o que lhes é diferente, e acolhem o que lhes é semelhante. Quando vemos um elefante de circo como "semelhante", ficamos indignados com seu sofrimento; quando vemos um menino de rua como "diferente", seu sofrimento não nos afeta. Que dizer das crianças especiais? Para superar suas dificuldades, elas precisam ser aceitas. É relativamente fácil aceitar uma criança de muletas, mas uma criança com síndrome de Down, ou um autista, ou alguém com outras síndromes mais complexas, como a Síndrome de Rett, estão quase sempre excluídas. E o "fazer parte" é condição sine qua non para que um indivíduo se sinta gente. Para fazer parte, é preciso ser considerado "semelhante". No domingo passado, encontramos na rua um pai com seu filho. O menino poderia ser normal, se não estivesse muito deformado por uma queimadura gravíssima que, além de afetar seu rosto, inutilizou sua mão esquerda. O menino estendeu a mão direita para meu filho Leonardo, que a apertou. Isso me fez sentir muito orgulho. Mas, quando o pai tentou entrar com o menino pela porta da frente de um ônibus, foi grosseiramente expulso pelo motorista. Provavelmente, ignorância, preconceito. Se o problema fosse não poder entrar pela porta da frente, o motorista poderia ter pedido desculpas e sido gentil. Não. Foi ignorância. Medo do diferente. É por isso que passo esses artigos. Para que ninguém fique achando que pais e mães de crianças deficientes são especiais. Que qualquer um, a qualquer momento, pode se ver na contingência de ter um ente querido classificado como "especial". E aí, é melhor já ter chorado um pouquinho antes. Com essa consciência, com um simples aperto de mão, é possível educar nossos filhos para que eles não rejeitem um semelhante só porque ele não é igual... Quem sabe, aos poucos, dê para garantir um lugarzinho um pouco melhor para o meu filho e para outras crianças. Porque é mais fácil imaginar o "filho-do-Argemiro-que-é-autista" como um semelhante e, a partir dele, ver que outras crianças também o são. Há um chargista baiano que tem vários personagens diferentes: há o Mateus, autista; o Lucas, mudo; há o cego, os surdos, o menino de rua, o menino negro, o menino judeu hiperativo. Todos, crianças. Há uma charge em que o ceguinho chega de sopetão. O amiguinho se assusta: "como você chegou até aqui, sozinho?!" E o cego responde: "Lá atrás, eu dei o primeiro passo." Visitem: Fala Menino postado por: Argemiro Garcia 2.3.04 Deixe aqui seu recado.Mas, se quiser se comunicar diretamente comigo, mande-me um e-mail: argemiro@lognet.com.br
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