Canto de Anjo



Eclipse da Lua, 2003.

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Impressões e imprecisões de nossa vida com Gabriel.

Gabriel é nosso caçula. Nasceu em 1993, em Macaé (RJ). No começo de 1996, percebemos que ele, além de não falar (apenas cantava), estava adotando um comportamento aéreo. Não atendia aos nossos chamados. Ficava isolado.

Será que é autista? Foi a primeira pergunta que fiz...

Contribua para melhorar a vida das pessoas autistas do Brasil!

O Dr. Walter Camargos Junior está organizando um vídeo para treinar pediatras na detecção precoce do autismo. Para isso, precisa de material. Quem tiver filmes de crianças pequenas (menos de 3 anos de idade), que foram posteriormente diagnosticadas como autistas, por favor procurem-no.

Dr. Walter Camargos Junior:
Telefone: (31)3261-5976
e-mail: waltercamargos@uaivip.com.br

No orkut, conheça a comunidade Sou fã de Gabriel Maciel

Clique aqui para entrar no grupo autismo
Clique para entrar na
Comunidade Virtual Autismo no Brasil

 

Livro: Vencendo o Autismo - A Menina sem Estrela.
De: Yvonne Meyer Falkas.

Relato da vida de Sheila, filha da autora, e de como a família tem convivido com o autismo. Um testemunho de como foram vencidas etapas com múltiplas adversidades, e suas conquistas. Um apanhado geral sobre o que vem a ser o Autismo, as supostas origens e causas e os preconceitos existentes.

Acessem o link: www.biblioteca24x7.com.br
No lado esquerdo, clique em autismo. Lá se pode comprar ou alugar o livro; alugar virtualmente significa que acesso online para leitura.

Terça-feira, Janeiro 20, 2004

Datilografia


Ontem à noite teve sopa lá em casa. Gabriel pediu talharine. Foi bonitinho ele, depois, pedindo ao Leonardo:

-"Leonardo! Quero sopa com talharine!"

Descobrindo a datilografia.
Gabriel datilografa na máquina que foi do avô.
Mais tarde saímos, Mariene, Gabriel e eu, para devolver uns filmes na Video Hobby do Itaigara (a mesma locadora que tem Meu filho, meu mundo). Mariene aprontou Gabriel para sair (Decidimos que ele só deve sair arrumadinho; já que ele anda sempre de sandálias Havaianas, pelo menos devemos ajeitar suas roupas, para o caso de ele ser abordado sozinho por alguém; preconceito pesa e ele pode ser agredido se estiver com uma roupinha pior - é duro, mas é verdade.).

Acontece que "se arrumar" é sinônimo de "passear". Assim, ele protestou (-Nããããooo!) quando voltamos ao prédio. Sugeri que fôssemos à casa de Gabriela.

Passando por Ondina, Gabriel começou a dizer:

-"Gabrielo caiu na rua!"

Chegamos por lá, Gabrielo ainda não tinha chegado. Gabriela serviu ao irmão um sorvete de creme, que ele pediu para repetir:

-"Sorvete de creme!" - depois, se interessou pela máquina de escrever que foi do meu pai.

Primeiro, Gabriela datilografou um pouco o que Gabriel ditava; depois, fiz o mesmo. Daqui a pouco, Gabriel pergunta:

-"Qué isso aqui?"

-"Máquina de escrever." - mas ele insistiu, apontando:

-"Qué isso aqui?"

-"Rolo! Rolo da máquina de escrever." - todo contente, pôs papel na máquina - ou tentou - e ele mesmo ficou a datilografar. Uma descoberta e tanto.

Nisso, Gabrielo chegou, contando que seu pneu furou e os problemas que teve para trocá-lo, depois que parou no posto em Ondina. Lembramos do comentário do Gabrielzinho; fica sempre a sensação de que há algo mais... Mas estou aqui pensando que pode apenas ter acontecido de Gabriel ter visto o cunhado atrapalhado com o carro, na rua. Afinal, sua atenção é toda ligada para o que vai pela janela.

postado por: Argemiro Garcia 20.1.04

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Segunda-feira, Janeiro 19, 2004

Melhor que Risperdal



Gabriel se acalmou depois que Ana passou a nos visitar; embora ela ainda esteja de licença médica, tem ido lá em casa de vez em quando. Ainda acho que o calor era um fator a mais para o stress. De qualquer forma, o pior passou, por enquanto.

Mais calmo, nem por isso menos arteiro. Sábado à tarde, fomos ao Hiperbompreço. Mais um liquidificador foi pro brejo e precisávamos substituí-lo. Ele cismou que queria uma batedeira nova mas, em nenhum momento, abriu o berrador. Mariene, que foi se encontrar conosco no supermercado, encontrou a solução salomônica: compramos uma batedeirinha de brinquedo; de quebra, ele quis um fogãozinho também.

Em casa, se pôs a bater bolo no novo brinquedo, pedindo:

-"Ovo!"

-"Margarina!"

-"Leite!"

-"Farinha!" - e ainda acrescentou abacaxi, mamão...

Por último, quis que acendêssemos o forninho:

-"Fósforo!" - foi difícil, mas o convencemos que só dava para acender de mentirinha. Por isso, acabou passando suas massas para a batedeira, as formas e o forno de verdade.

A brincadeira do Mestre Cuca durou algumas horas e só quando sentimos cheiro de queimado fui perceber que ele tinha posto parte da massa numa forma de plástico. Por sorte, deu tempo de salvar o forno. Rindo, Mariene comentou:

-"É melhor que Risperdal!" (remédio usado por portadores de mal de Alzheimer e autistas para melhorar sua atenção e concentração.)

Já no domingo, ontem, ele fechou a porta de nosso quarto, deixando-nos a nós, Mariene e eu, sem condições de perceber que ele fugia para o PG (play ground). Quando percebi, segui-o - e acabamos dentro do carro, ar condicionado ligado (eita calor!), ele me pedindo e eu fazendo caretas de fim, de leão... Até que resolveu pedir...

-"Padaria!" - e lá fomos nós para A Francesa, na Avenida Paulo VI, na Pituba. Pela primeira vez, ele foi sentado no banco da frente, com uma expressão de felicidade indescritível. Seus olhos brilhavam com um meio sorriso contido - seu peito estava inchado de orgulho.

Ele pediu um pacote de biscoito de polvilho - como este não é da marca Avoador, ele pediu assim, mesmo:

-"Polvilho!" - e foi para o caixa, esperando que eu fosse atendido. A mocinha, que não o conhecia, e o dono da padaria tentaram falar com ele. O patrão tentou fazer gracinha e pegou o pacote da sua mão; recebeu uns gritos enooormes em resposta, até que expliquei o caso. Ele ficou meio sem jeito - fazer o quê, né?

Voltamos para casa e tome sair para passear, de novo. Desta vez, Mariene e Pedro foram junto. Paramos para almoçar num bar perto de casa, depois de rodar por muitas ruas. Gabriel traçou bem um bifão de picanha e voltou para o carro - dessa vez, quem voltou para casa no banco da frente foi ele. Até Pedro, que gosta de pirraçá-lo, não deixou de notar como ele estava todo importante em se sentar ali.

postado por: Argemiro Garcia 19.1.04

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Sexta-feira, Janeiro 16, 2004

Tudo por uma bicicleta


Aconteceu sexta-feira passada, dia 9. Mariene me ligou no fim do expediente, pedindo para encontrá-la na Loja Insinuante do Shopping Iguatemi - tínhamos combinado comprar uma bicicleta para Gabriel; deste verão, ele sai (espero!) ciclista.

Cheguei à loja, eles não estavam. Procurei-os na praça de alimentação, e lá estavam eles! Gabriel veio até mim, disse:

-"Brinquedo!" - e correu pelo meio das pessoas que se acotovelavam para aproveitar a liquidação do pós-Natal.

Ficamos desesperados. Fui até o Play Land, parque de diversões embutido no shopping. Falei com o segurança. Voltei para a praça de alimentação, onde Mariene estava postada, ao lado de outro segurança, este do próprio shopping. Fui ao carro, buscar uma foto nossa - que saí mostrando a todo mundo; depois, ao banheiro - talvez ele estivesse lá; às Lojas Americanas ("brinquedo?") e a um espacinho onde alugam carrinhos de bebê. Nada! Voltei à loja do Bob's, onde Mariene olhava angustiada para todos os lados. Ao celular, ela falava com Pedro, que se recusou a ir ao Iguatemi.

Voltei ao Play Land. Falei com outro segurança. Quando voltei pela terceira vez à praça de alimentação, Mariene não estava mais. Subi as escadas rolantes e lá vinham os dois: um vizinho o encontrara, telefonara para a administração do condomínio, que interfoou para casa; Pedro avisou Mariene, que foi buscá-lo.

Calmamente, ele tornou a pedir:

-"Brinquedo!" - e lá fomos nós ao Play Land. Depois de quase uma hora pelos carrinhos e montanhas russas, passamos na Insinuante, pegamos a bicicleta e voltamos para casa.

De noite, valentemente me preparei para botá-lo a andar de bicicleta. Ele pouco tentou: eu segurava o guidão e ele pedalava, mas logo se cansou e ordenou:

-"Porto Belo!" e lá fui eu, pedalando com a elegância de um urso de circo a bicicletinha de aro 20, com ele todo feliz me observando.

postado por: Argemiro Garcia 16.1.04

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Quarta-feira, Janeiro 14, 2004

Cadê Ana?


Ana, nossa empregada faz-tudo, é a grande amiga de Gabriel. Ela está de licença há dias, devido a uma cirurgia. Gabriel não fala muito nela, mas sua falta tem mexido muito com o humor dele.

Ontem, Ana foi visitar Gabriel. Se nos últimos dias ele tem praticamente exigido - aos gritos e, até, beliscões - que Mariene o leve para passear, na saída da Musicoterapia ele logo pediu para voltar para casa. Nem quis sair para dar uma volta!

De noite, fomos os três à inauguração do Supermercado Hiper Ideal. Não é que sejamos tão viciados assim em mercados; é que a nora de nossa vizinha é gerente de compras da loja. Deixamos Leo e Pedro no Shopping Iguatemi e fomos a Patamares.

No caminho, Mariene desabafou de umas atitudes que venho tomando; é que sou muito desligado e acabo deixando-a irritada; muitas vezes, me intrometo nas suas conversas, o que a incomoda demais. Vendo a nossa conversa, talvez sem entender tudo, mas percebendo o mal estar que havia entre a gente, Gabriel abriu a boca, num choro sentido. Paramos a discussão (não era um bate-boca; nem levantamos a voz) para lhe dar atenção e ele logo se animou com a loja nova: começou a sorrir.

Engraçado é que pifou a luz e, por coisa de um ou dois minutos, ficamos às escuras - o que Gabriel curtiu muito. Quando as luzes voltaram ele quis desmontar do carrinho. Veio, então, a batalha: ele ficou um tempão vendo a máquina de cortar frios; suamos para tirá-lo da seção de queijos!

De qualquer forma, na volta, comentei:

-"Gabriel, a gente precisava vir comer comida chinesa no Grande Muralha, né?" - um restaurante chinês que fica ao lado do Hiper Ideal.

Pegamos Leo e Pedro no Iguatemi. Gabriel ainda pediu sorvete, mas sua sorveteria preferida já estava fechando e não quiseram atendê-lo; surpreendentemente, ele sequer ameaçou reclamar. Foi para o carro. Mas...

Chegamos em casa e ele disse, baixinho e enrolado:

-"Yuhnpin."

-"O que, Gabriel?"

-"Yan Ping."

Queria comida chinesa. Ainda conseguimos enpurrar-lhe pão com salsicha - deu para perceber que, mais uma vez, desistimos da dieta do glúten e caseína? - mas ele insistiu. Felizmente, o pessoal do restaurante se lembrava de nós e aprontou rapidamente o frango xadrez, que ele comeu bem. Nem imagino como conseguiu dormir com a barriga tão cheia.

postado por: Argemiro Garcia 14.1.04

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Terça-feira, Janeiro 13, 2004

Som na caixa


Segunda-feira, dia 5 último, fomos, Leonardo, Pedro, Gabriel e eu, à videolocadora GPW, aproveitar a promoção de filmes de arte. Uma dupla de músicos se apresentava tocando bossa nova - só lembro que um dos instrumentos era um sax.

Enquanto Pedro e Leo escolhima suas fitas, Gabriel começou a ficar nervoso, tampando os ouvidos - o som estava tão alto que, para conversar com os atendentes, era preciso gritar. Passa um tempinho, Gabriel estoura:

-"Quero Lit Vegas! Não é pra Lit Vegas! Eu não quero Lit Vegas! Lit Vegas é de Vanessa!" (Lit Vegas é o nome que Gabriel dá à fita Little Vegas, que tivemos na nossa locadora e que não encontramos em nenhum lugar para comprar.) Leo e Pedro saíram da loja, foram para o carro. Mandei:

-"Gabriel, senta no sofá azul!" - ele já chorava, nessa hora. Pedi para passar a frente na fila, mas a atendente ainda demorou uns minutinhos. As pessoas olhavam, com um sorrisinho, imaginando que era apenas manha. Eu, preocupado, entendia que o som estava muito alto, e pedia pressa para ser atendido, enquanto explicava que o caso de Gabriel era autismo, perguntando às pessoas:

-"Você sabe o que é autismo?"

Fomos atendidos, saímos; Gabriel continuou chorando, no carro. Chutava o meu banco, sempre pedindo: -"LIT VEGAS!" Abri sua porta em um sinal, para travá-la. Gritei:

-"Chega, Gabriel! Pára com isso! A gente vai acabar tendo um acidente! Nós já procuramos essa fita na cidade toda! Não existe, não tem mais essa Lit Vegas!" - as pessoas do carro ao lado ficaram olhando; o sinal abriu, seguimos para o drive thru da casa de esfihas Habib's, onde ele tornou a me puxar o cabelo. Mais uma vez, já na fila, desci do carro; chacoalhei-o. O segurança da loja se aproximou para ver o que estava acontecendo. Eu gritava:

-"Gabriel, você vai acabar fazendo a gente ter um acidente! Não dá, não tem Lit Vegas! "

Expliquei para a mocinha que faz os pedidos:

-"Ele é autista. Está gritando assim há mais de 15 minutos, desde a GPW. Já procuramos essa fita, a Little Vegas, por toda a cidade, em todas as locadoras, mas esse filme não existe mais. Já procuramos até na internet, mas só existe para vender nos Estados Unidos, e ele gosta é dos trailers e dos créditos do filme..."

Ainda em casa, ele chorava muito. Fui dormir. Nem lembrei de ligar para Silvia, minha irmã, que fazia aniversário aquele dia.



Para devolver os filmes, três dias depois, Mariene e Gabriel foram comigo. Sem saxofones ensurdecedores, Gabriel se portou como um cavalheiro. Sorria, ia de um lado para o outro. Não quis fita nenhuma. Ainda encontramos Gabriela (nossa filha mais velha) e Gabrielo, que não tinha acreditado quando eu disse que o som era insuportável, mas uma das balconistas, quando lhe contei o que tinha acontecido dias antes, concordou comigo, e confessou que seus colegas da segunda-feira reclamam muito do stress que é trabalhar com aquele som, naquele volume.



Falando de filmes, estes têm personagens autistas:
    Meu filho, meu mundo (Son rise, a miracle of love)
    Experimentando a vida (Molly)
    Rain Man (claro!)
    Prisioneiro do silêncio (David's mother)
    Simples como amar (The other sister)
    Muito Além do Jardim (Being there)
    Filha da luz (Bless the child)
    Código para o inferno (Mercury rising)
    O Enigma das cartas (House of cards)

Nem todos estes filmes servem para entender a essência do autismo. Alguns, como Filha da luz, O Enigma das cartas e Código para o inferno, são carregados de preconceitos, coisas como autista é muito inteligente, autista tem uma memória prodigiosa, autismo é causado por um trauma psicológico ou autista tem poderes paranormais, mas servem, ao menos, para ilustrar como um autista se comporta.

postado por: Argemiro Garcia 13.1.04

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Quarta-feira, Janeiro 07, 2004

Litoral Nór-tê!


Gabriel caminha nas lajes da Praia do Peruí
Praia de Peruí
Fim de semana. Roberta e Glauce tinham a intenção de ir a Morro de São Paulo, mas f0icava difícil, sem o catamarã; fomos, então, ao Litoral Norte. Como era muita gente para um carro só, Leonardo e Pedro ficaram em casa.

Sábado, 3 de janeiro. Primeira parada, Praia de Peruí, em Arembepe. Há lajes de arenito em toda a borda da praia - um fenômeno denominado beach rock, causado pela cimentação de areias relativamente recentes. Importa saber que Gabriel escorregava muito no limo formado por cima das pedras - e gostou da brincadeira. Preocupados ficamos nós, ao saber que uma criança quebrou a cabeça num desses tombos.

Depois de acompanhá-lo em suas incursões pelo ambiente novo - ele rodou a praia toda, e precisei dar-lhe uma dura para voltar para junto da mãe - resolvi fazer eu mesmo meu passeio geo-ecoturístico. Fui até o "recife" de beach rock que se estende ao largo, formando uma piscina natural ao longo da praia.

Rio Capivara, Arembepe
Roberta, Glauce e Mariene no Rio Capivara.
Minutos depois, quando voltei para junto de Mariene, cadê Gabriel? Estava lá, ao longe, na beira do mar, com as ondas batendo furiosas aos seus pés. Ele tinha visto barquinhos e resolvera chegar até lá. Saí correndo pelas pedras como dava; Mariene pediu ajuda a um rapaz que foi pelo outro lado, e chegamos juntos até o fujão, que só respondia Nãããõ! quando o chamávamos para voltar à praia.

Saindo da praia já pelas 3 horas da tarde, minhas costas ardendo porque fui teimoso e não passei filtro solar, Mariene determinou o rumo: aldeia hippie de Arembepe. Ela fica às margens do Rio Capivara, uma APA (área de proteção ambiental). O rio está muito seco, apenas lagoas se formam em seu leito. Fiquei superfeliz, porque o sal na pele queimada me arranhava muito. Então, tome banho de lagoa. Com água pela cintura, Gabriel se esbaldou. Ainda quis cachorro-quente, em um carrinho de um casal - acabou comendo, mesmo, o bolo que a vendedora tinha levado para seu filho.

Demos, no fim da tarde, uma esticada até a Praia do Forte, na esperança de que houvesse vaga em alguma pousada e não precisássemos voltar para casa, mas nossa idéia não se concretizou. Tentamos ainda Itacimirim mas, mesmo lá, não encontramos pouso.

Domingão. Acordamos meio fora de horário e chegamos à Praia do Forte quase ao meio-dia. Passamos no Parque Histórico Garcia d'Ávila - Gabriel, pelo jeito, gostou do que leu nas placas:

-"Parque Garcia!"

Roberta, Mariene, Gabriel e Glauce na Casa da Torre, no Castelo Garcia d'Ávila.
Casa da Torre, Castelo Garcia d'Ávila
Depois, já em Praia do Forte mesmo, nem vaga para o carro encontramos! Gabriel saiu na direção do projeto Tamar, mas queria mesmo ir à praia. Ficou na água o resto do dia, arriscando-se a ir aonde não lhe dava pé. Por conta das queimaduras, passei a maior parte do tempo de camiseta, dentro da água. Mariene, preocupada, ficava chamando-o toda hora e tive que ficar nadando ao lado dele por um tempo; mesmo assim, ela reclamava de eu deixá-lo ir mais longe. É que ela já sofreu dois afogamentos, num dos quais sua irmã Rilza faleceu. Depois de um tempo, nos revezamos.

Quando a maré começou a baixar, lá pelas 3 e meia, reservei uma mesa na barraca Praia do Forte. Roberta e Glauce e Mariene foram se sentar, mas não teve jeito: ele protestou, gritou e foi para as pedras atrás do Projeto Tamar. Mais um pouquinho, obriguei-o a ir para a barraca - ele acabou no mar, conosco espiando da nossa mesa, até que Roberta e Glauce se sentaram na beira da água enquanto Mariene e eu almoçávamos.

Não era, mesmo, para Mariene ficar preocupada com esse nadador?
Gabriel nadando em Praia do Forte

A tartaruga disse FUUUUU!
Tartaruga respirando.

Em seguida, mais stress. Tivemos de insistir muito:

-"Gabriel, vamos ver as tartarugas! Gabriel, vamos para o Projeto Tamar!"

-"Nãããão!"


Até que ele se viu obrigado a nos acompanhar, e disparou na frente, com Mariene.

Valeu nossa teimosia. Ele olhou os peixes, a piscina dos tubarões, mas adorou mesmo uma tartaruga enorme, que de vez em quando saía para respirar:

-"Fuuuu!" - Mariene aproveitou para dizer que o bicho tinha vindo cumprimentá-lo. Ele gostou tanto que o dia foi escurecendo, escurecendo... Ainda me deu um beijo, espontaneamente:

-"Dá beijo!"

Na volta para casa, Gabriel veio cantando com as moças:

-"Não quero chá, não quero café, não quero coca-cola..." e, depois, mandava a gente repetir: -"Calma, Roberta! Não é para tomar coca-cola! Calma, Mariene! Não é para tomar coca-cola!"

Pelo menos, nessas duas noites, seu sono foi direto; nem veio para nossa cama!




postado por: Argemiro Garcia 7.1.04

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Terça-feira, Janeiro 06, 2004

La Josta


Na quinta-feira, dia 2, Mariene foi ao Shopping Iguatemi com Gabriel. Ele tinha pedido, daquele jeitinho dele...

-"Lá bash..." - que quer dizer Lá embaixo.

Desceram às pressas, com Gabriel ameaçando dar mais um escândalo; depois que começaram as férias dele, Ana teve que se internar para operar uma hérnia. Sem sua amiga, sem escola, com festas e gente nova dentro de casa, as mudanças na sua vidinha foram grandes demais e ele está descarregando - na gente. Desarrumada como estava, Mariene foi ao PG (play ground). Mas ele queria a rua.

No Shopping Iguatemi, a via profana: Lojas Americanas, praça de alimentação... e Gabriel sumiu! Felizmente, logo Mariene descobriu que ele tinha ido sentar-se em uma das mesas. Na pressa de segui-lo, ela pediu a comida que ele queria em uma quentinha, achando que daria para voltar para casa; mas ele ainda pediu um sorvete. Em seguida, quis comer a comida. Sem talheres, Mariene apelou para uma loja próxima, pois tinha medo de deixar o menino sozinho. A loja, La Pasta, é freqüentada pelo nosso vizinho Jair. Não é que a dona se recusou a ceder um garfinho de plástico para Mariene dar de comer a Gabriel? Não adiantou argumentar que já comemos ali, que somos clientes, vizinhos de Jair...

A dona ainda perguntou à sua balconista se a conhecia - e, como não somos freqüentadores assim tão assíduos, a moça negou.

Vai aqui, então, um aviso: evitem a La Pasta do Shopping Iguatemi, piso térreo. O atendimento é péssimo - além do que, as pizzas já eram intragáveis, mesmo. A gerente/dona prima pelo preconceito e falta de educação. Provavelmente, pesou o fato de Mariene estar de short e sandália Havaiana...

postado por: Argemiro Garcia 6.1.04

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Segunda-feira, Janeiro 05, 2004

Fim de ano


Gabriel observa a lavagem do sofá
Gabriel e Saulo na lavagem do sofá.

Festas de fim-de-ano são sempre um arraso. Aconteceu muita coisa, mas faltou inspiração para vir aqui, contar.

O Natal foi meio trágico. No dia 23, Gabriel deu um escândalo homérico. Achamos que foi a brutal quebra de rotina: férias da Via Ponte, licença médica de Ana, ele insistiu, aos gritos, que Mariene o levasse à pracinha - das 10 às 2 da tarde. No dia 24, cansada e abatida, a macacada ficou por minha conta. Dia 25, Gabriela veio nos visitar, mas Leonardo e Pedro brigaram entre si, e eu com eles.

Dia 27 de dezembro, sábado, veio o rapaz da lavagem do sofá; seu nome é Saulo. Gabriel ficou interessadíssimo e não largava do seu pé:

-"Qué isso aqui?" - perguntava. Respondíamos:

-"Saulo está lavando o sofá, Gabriel." Ele dava uns pulinhos, batendo suas bolinhas no peito.
Laís, Glauce, Roberta, Mariene e Gabriel.
Casquinha de siri no lugar do caranguejo



Nesse mesmo dia, ainda esteve mexendo no ventilador. Pior é que, depois do ferimento que ganhou, Gabriel tomou sol, deixando uma cicatriz de queimadura bem na ponta do nariz [ver post do dia 12/12/2003]. Acabamos o sábado na Beth, a cabeleireira, que fez a arte de cortar a juba em menos de cinco minutos.

Domingo, dia 28, chegaram de São Paulo Roberta, nossa sobrinha, e sua amiga Glauce.

Dia 29, saímos à noite com as moças. Gabriela sugeriu o Skol Spirit, na praia de Catussaba. Foi meio mico, porque não havia muito o que fazer; Gabriel pediu caranguejo e tivemos de sair pela cidade procurando - estava em falta! Tivemos um show de arasar, com direito a gritos, cabeçadas e chutes no banco do carro. Roberta e Glauce, que só o tinham visto bonzinho, tentaram ajudar, buscando distrair sua atenção. A solução foi, na Barra (do outro lado da cidade), pedir casquinha de siri e enganá-lo. Deu certo.

Dia 30 foi aniversário de Pedro; Gabriela veio de novo, para ver a prima e cantar o parabéns.

O reveillon, passamos na Barra, em casa de nossa amiga Zoraide. Parece que Gabriel tem ficado mais calmo, porque pediu que colocássemos um colchão no chão, mas não foi agressivo - apenas insistente - quando negamos colocá-lo na sala. De qualquer forma, ele estava enjoado. Quis subir para o apartamento na hora dos fogos e, da janela, se pôs a pedir linguiça, mas acabou comendo um churrasquinho. Voltamos para casa sem Mariene e as moças, apenas os três filhos e eu; Gabriel colocou a cabeça no colo de Pedro e seguiu quietinho. Estava com muito sono.

Gabriel come o bolo de Pedro, enquanto Marquesa fica babando.
Gabriel e Marquesa.
"Eu quéééééro linguiça!"
Gabriel e Mariene.


Dia 1º, fomos à Lagoa do Abaeté e, no fim da tarde, passamos por Piatã. Gabriel nem quis ocmer. Enquanto ficávamos em um restaurantezinho, Mariene precisou levá-lo para a água. Bem que tentamos seduzi-lo com caranguejo, mas ele não saiu da água.

postado por: Argemiro Garcia 5.1.04

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