Canto de Anjo



Eclipse da Lua, 2003.

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Impressões e imprecisões de nossa vida com Gabriel.

Gabriel é nosso caçula. Nasceu em 1993, em Macaé (RJ). No começo de 1996, percebemos que ele, além de não falar (apenas cantava), estava adotando um comportamento aéreo. Não atendia aos nossos chamados. Ficava isolado.

Será que é autista? Foi a primeira pergunta que fiz...

Contribua para melhorar a vida das pessoas autistas do Brasil!

O Dr. Walter Camargos Junior está organizando um vídeo para treinar pediatras na detecção precoce do autismo. Para isso, precisa de material. Quem tiver filmes de crianças pequenas (menos de 3 anos de idade), que foram posteriormente diagnosticadas como autistas, por favor procurem-no.

Dr. Walter Camargos Junior:
Telefone: (31)3261-5976
e-mail: waltercamargos@uaivip.com.br

No orkut, conheça a comunidade Sou fã de Gabriel Maciel

Clique aqui para entrar no grupo autismo
Clique para entrar na
Comunidade Virtual Autismo no Brasil

 

Livro: Vencendo o Autismo - A Menina sem Estrela.
De: Yvonne Meyer Falkas.

Relato da vida de Sheila, filha da autora, e de como a família tem convivido com o autismo. Um testemunho de como foram vencidas etapas com múltiplas adversidades, e suas conquistas. Um apanhado geral sobre o que vem a ser o Autismo, as supostas origens e causas e os preconceitos existentes.

Acessem o link: www.biblioteca24x7.com.br
No lado esquerdo, clique em autismo. Lá se pode comprar ou alugar o livro; alugar virtualmente significa que acesso online para leitura.

Sexta-feira, Novembro 28, 2003

Mais piti


Pedro viajou hoje para Mucugê, com a escola. Ontem, Mariene saiu com ele para comprar algumas coisas - protetor solar, roupa nova, coisas assim. Eu já saía do trabalho quando me ligaram:

-"Miro, você pode pegar o Gabriel e vir nos buscar no Iguatemi para me levar ao Sindae?"

Lá fui eu. Ainda levei Leo à casa de seu colega Fernandinho. Na volta do Sindae, que fica nos Barris, o trânsito estava engarrafado. Gabriel:

-"Kindr'ov'!"

O que, Gabriel?

-"Kindr'ov'!"

-"Kindr'ov'!"

-"Kinder ovo! KINDER OVO! Eu não quéééééro Kinder ovo! Não é pra dar Kinder ovo! KINDER OOOVO!"

Pedro tampou os ouvidos:

-"É por isso que eu estou com gastrite! Moleque idiota!"

-"Ele não é idiota, Pedro. Você sabe."

-"Tá, ele é autista." - e continuou, uns minutos depois:

-"O que me dá raiva é que ele, depois que a gente compra o Kinder Ovo, fica todo envergonhado..." - passa mais um pouco:

-"Ó lá! Ficam olhando! Eu queria estar com um cartaz: tá olhando quê, F... da p...!"

-"Calma, Pedro!" - por incrível que pareça, venho tentando cultivar paciência - o que nem sempre é possível. Daqui a pouco, em meio à gritaria que não parava, Pedro propõe:

-"Não vamos responder. Ele vai ficar quieto, quer ver?"

Conseguimos que Gabriel se calasse um pouco com essa estratégia. Ele já tinha me puxado os cabelos no meio da Avenida Bonocô e chutara meu banco à vontade. Logo, chegamos ao Posto-escola da Petrobras com o CEFET, ali perto do Hospital Sarah. Com o Kinder Ovo na mão, como previra Pedro, Gabriel se acalmou; ficou meio escabreado, para falar a verdade.

Dali, fomos ao Hiper, cortar nossos cabelos. Gabriel não quis, e ficou zanzando pelo supermercado. Avisei:

-"Gabriel, Pedro e eu vamos cortar o cabelo no Dom Quixote. Você quer ir também?"

-"NÃÃÃÃÃÃÃÃOOOO!"

O cabeleireiro demorou um tempão. Valquíria, minha colega, encontrou-o perto da peixaria - tentou puxar prosa, mas ele não quis conversa. Acabando, logo o encontramos e voltamos para casa.

Engraçado, mas é verdade. Depois de passar por uma cirse de berreiro, ele sempre fica meio escabreado, como se estivesse envergonhado.

postado por: Argemiro Garcia 28.11.03

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Quinta-feira, Novembro 27, 2003

Bom dia!

Que sono!
Gabriel dorme no carro.


Neste ano que já se vai (é incrível como o tempo passa cada vez mais depressa!), conheci os coleguinhas do transporte de Gabriel. Talvez não tão coleguinhas assim... Bruno, por exemplo, é enorme! No começo, eu despachava Gabriel, virava as costas e ia embora. Aos poucos, fui percebendo a curiosidade deles e decidi mudar de postura.

Já faz alguns meses, comecei a dar-lhes bom dia - e aprendi seus nomes. Hoje, eles ficam esperando meu bom dia.

Faço assim: depois que Gabriel entra no carro, dou a mão a Bruno:

Bruno e Tiago.
Bruno e Tiago.
-"Bom dia, Bruno!" - e ele abre um sorriso, devolve-me um bom dia e me estende a mão. Em seguida, cumprimento Dominique, quando ela está no carro. Depois, Jorginho e Tiago:

-"Bom dia, Dominique! Bom dia, Jorginho! Bom dia, Tiago!" - todos vão me estendendo a mão, com um ar curioso, feliz, até mesmo de admiração. Tiago sempre exige que eu dê bom dia ao Gabriel , também.

E lá vão eles, para a Via Ponte. Fico com a impressão que esse bom dia lhes dá uma sensação de serem um pouco mais cidadãos.

postado por: Argemiro Garcia 27.11.03

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Quarta-feira, Novembro 26, 2003

Eu não sou cachorro não!


Como já contei no post anterior, logo abaixo, sábado passado Gabriel deu um senhor show - e família de autista sabe o que é um show. Como eu não tinha dinheiro, prometi que, na terça-feira, voltaríamos. Gabriel cantava-gritava:

-"EU NÃO SOU CACHORRO NÃO, PRA VIVER TÃO HUMILHADO! EU NÃO SOU CACHORRO NÃO, PRA VIVER TÃO HUMILHADO! EU NÃO SOU CACHORRO NÃO! EU NÃO SOU CACHORRO NÃO..."

Ontem, como prometi, voltamos ao Aeroclube. Antes, deixamos Leonardo no tae-kwon-dô e fomos levar Ana para casa (Ana subiu numa jaqueira para pegar uma jaca para Mariene e deu um mau jeito na hérnia.) Depois, passamos na ALBA (Assembléia Legislativa da Bahia) para buscar Mariene. Nisso, Gabriel tinha visto uma loja BR-Mania e começou a pedir o malfadado Kinder Ovo:

-"Kinder Ovo! Kinder Ovo! Não é pra Kinder Ovo! Eu não quéééééro Kinder Ovo!" Por sorte, Pedro lembrou que na loja tinha o chocolate. Como háu m posto da Petrobras em frente ao Aeroclube, tudo voltou à santa paz.

Já no Aeroclube, Gabriel entrou direto para o Space Jump, tão feliz que mal cabia em si de contente. Seu sorriso parecia encostar nas orelhas. Amarrado ao brinquedo, com uma borracha a mais do que o necessário para seus 25 kg, ele parecia voar, sumindo na escuridão da noite, as perninhas batendo como se ele estivesse correndo. O rapaz, que nos reconheceu da gritaria de sábado, nos contou que uma senhora, na segunda-feira, veio perguntar-lhe o que tinha acontecido conosco. Ela pensou que eu estava maltratando Gabriel e que ele estivesse gritando Eu não sou pivete não... Poxa, por que não veio falar conosco?

Enfim, depois de muitos vôos (Pedro também se balançou no estilingão), Gabriel se cansou e mudou: foi para os carrinhos e depois para a cama elástica, enquanto Pedro dava uma volta de kart. E ainda fomos para o Magic Games, espécie de parque de diversões coberto, parecido com as Play Lands que existem em muitos shoppings por esse Brasilzão. Entramos os três na piscina de bolinhas; Mariene ficou de fora (estava de saia).

De volta pra casa, quem disse que Gabriel dormia? Mariene precisando acabar um boletim do mandato e Gabriel:

-"Tamborzinho! Quero tamborzinho! Não quero tamborzinho! Dona Jura!" - pedindo o tamborzinho que Geovane, ex-namorado da Gabriela, lhe deu anos atrás (olha que Mariene achou!) e, também, para usar o computador (como já expliquei, Dona Jura é a forma que ele pede para usar o programa Talk any!

Nessa hora, quase meia-noite, não cedemos: ele teve de aceitar que era hora de dormir. E, apenas duas horas depois, dormia como um anjinho...

postado por: Argemiro Garcia 26.11.03

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Segunda-feira, Novembro 24, 2003

Vamos para a AMA-Ba!


Sexta-feira, 21, Mariene se preparava para mais uma viagem. Ela vem trabalhando com o movimento pela Universidade Federal da Chapada Diamantina. Saí com Gabriel antes dela chegar, e fomos à praça. Ele se pendurou, cantou, bateu a cabeça (de levinho) para fazer de conta que tinha se machucado:

-UÁÃÃÃÃNNN - RÃ RÃ RÃ! Machucou a cabeça! Bateu a cabeça!

Quando voltamos, Mariene tinha chegado e já vinha se preparando para nos encontrar, levando Marquesa.

No dia seguinte, sábado, pela manhã, Mariene acordou cedo para ir a Uibaí e São Gabriel, no Baixio de Irecê, para participar dos debates sobre a Universidade.

Leonardo e o colega Luís já estavam acordados, pesquisando sobre Marte na internet - iam participar da Olimpíada Baiana de Robótica "Missão Marte", patrocinada pelos brinquedos da Lego. Levei Mariene à rodoviária e voltei pra cama, deitado ao lado de Gabriel.

O Discovery chacoalha mais que carro velho em estrada esburacada.
Gabriel no Discovery.
8h15' - Leo me acorda para levá-los ao Aeroclube; Pedro estava copiando um texto sobre Marte (a impressora não está instalada, deu pau...) quando voltei, Pedro, com Gabriel na sala, me perguntou se eu não iria assistir à olimpíada - e perguntou várias vezes.

11h20':

-"Que coisa, pai! Eu queria ir ver a olimpíada e você não vai!"

-"E por que você não disse? Era só pedir! Leonardo não me chamou, achei que ele não queria que eu fosse!"


Trocamos de roupa rapidinho, vestimos Gabriel e fomos embora. Lá...

-"Oi, pai! Pensei que você não vinha!"

-"E eu pensei que você não queria que eu viesse! se não é o Pedro para me chamar! Como está aí?"

-"A gente está em primeiro."
- infelizmente, no entanto, Gabriel quis brincar na Magic Games (Brinquedos eletrônicos, do tipo das Play Land). Não pude acompanhar a competição, mas Leo entendeu:

-"Gabriel está irritado, leva ele lá pra fora. Tá muito barulho aqui."

Assim fizemos: levei Gabriel para brincar no Discovery, na piscina de bolinhas, etc etc. Quis comer pizza e tomar sorvete. Permaneci com a cabeça na olimpíada, mas não teve jeito. Quando voltamos, com Gabriel nos meus ombros (na marra), os meninos estavam esperando o resultado de mais uma tarefa - e Gabriel gritou mais um pouco. Saímos mais uma vez e ele foi direto para o lugar onde está montado o Space Jump - aquele estilingão que me rendeu um mau jeito no ciático há dois meses:

-"Eu quééééééro!"

-"Não, Gabriel, estou sem dinheiro, agora. Só na semana que vem! Você já gastou muito e eu preciso dar dinheiro pro Leo e pro Pedro comerem. Terça-feira a gente vem."

-"Eu quééééééro! Amarelo! Quero amarelo! Fazer xixi no amarelo! Monitor!
[Os funcionários usavam uma camisa escrita Monitor. Space Jump.]"

-"Não... e não me bata! Ai! Calma!"
- ele tinha se atracado com meus cabelos.

A moça ofereceu para deixá-lo ir de graça, depois que expliquei qual era o problema. Mas não aceitei. Disse a ela que era melhor que ele entendesse que seus gritos não iriam conseguir as coisas:

-"Já pensou quando ele estiver grande, se começar a gritar para conseguir as coisas? Terça-feira eu volto aqui com ele. A gente negocia um pacote, tá?"

Uma festa de lançamento de um livro estava sendo organizada ao lado; as pessoas ficaram olhando. Aproveitei para distribuir o endereço de alguns sites - inclusive deste, né? - e o nome de alguns filmes: Rain Man; Meu filho, meu mundo; Molly; e até Código para o inferno.
Vice-campeões da robótica. Leo ao centro.
A equipe vice-colocada

Voltei a procurar Leo, com Gabriel nos ombros - e ele falou para irmos embora, porque a galera ia a pé.

No carro, sugeri:

-Gabriel, vamos pra AMA? - e ele concordou!

A equipe do Leonardo, Água é água e vice-versa, pegou o segundo lugar da olimpíada - agora, têm a etapa nacional para competir. Pedro já dizia:

-"A nossa equipe ficou em segundo." - Brigam, brigam mas torcem um pelo outro.

À noite, fomos ao shopping - Pedro ia a uma festa de quinze anos. Acabamos comprando um livro - um presente que, sempre, é um elogio à inteligência.

Gabriela, que foi nos visitar, levou o irmão à festa, mas deu-lhe uma ordem: era para me ligar cedo para eu ir buscá-lo. Ou seja, ele me acordou à meia-noite e meia, pês da vida os dois, eu e ele:

-"Pai, você pode vir me buscar? A festa está chata.". - deixei Gabriel dormindo com Marquesa e fui buscá-lo. Ele entra no carro:

-"Posso ficar mais um pouco?"

-"Pode, Pedro. Foi você quem me chamou..."

-"Tá, pai. Foi a Gabi que me mandou te ligar cedo." Desceu do carro e disse: -"Você também já quebrou minhas expectativas."

-"Pedro! Volta aqui! Agora, você vai pra casa!"

Ficou muito irado... fiquei com pena, cheguei a me oferecer para levá-lo de volta, mas aí foi ele quem não quis voltar. Quando chegamos em casa, Gabriel dormindo, Marquesa se pôs a latir com a minha entrada no quarto.

Dia seguinte, Leo pediu para levá-lo à casa de um amigo. Pedro, Gabriel e eu, fomos à AMA - Gabriel pedia:

-"AMA! Quero piscina!"

Já passava das duas, Rita e seu marido Marcos estavam arrumando algumas coisas da casa e Vinícius ficou conosco na água. Estava vestido, mas não se fez de rogado: pulou com roupa e tudo - e a mãe precisou pescá-lo para por-lhe a sunga. Pedro, que sente reação alérgica quando toma sol, ficou o tempo todo de camiseta.

Passamos, assim, o fim da tarde brincando na água. Se Vinícius já mostrou algum ciúme de Gabriel, quando Marcos brincou com ele, desta vez os papéis se inverteram. Gabriel ficava franzindo o sobrecenho - mas nada demais. Pedro e eu o jogamos na água várias vezes. No final da tarde aproveitamos um bambolê para eles passarem por dentro, nadando.

postado por: Argemiro Garcia 24.11.03

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Quinta-feira, Novembro 20, 2003

Birras


Ante-ontem, dia 18, Gabriel pediu:

-Netscape! quero Netscape!

Baixamos o programa, instalamos e...

-Netscape! quero Netscape! - ou seja, não era o Netscape que ele queria. No meio da gritaria, soltou:

-Charges! - como temos uma coleção de animações do site charges.com.br, foi fácil, então, atender seu pedido - depois de quase duas horas de birras.

Ontem, Gabriel fez mais manha - será? - Na saída do consultório de musicoterapia de Rita Dultra, ele espalhou a areia do cinzeiro.

O que será que ele queria?

Equoterapia


Pombinha branca, que está fazendo?
Pombinha branca
Mariene e eu fomos pela manhã de ontem, quarta-feira dia 19, ao pelotáo de Polícia Montada para conversar com Cristina, a presidente da Associação Bahiana de Equoterapia. Papo foi, papo veio, vamos, além de colocar Gabriel no tratamento, tentar ajudar com um grande projeto de implantar Centros de Equoterapia pelo Estado. Já existem alguns em cidades do interior: Lauro de Freitas, Vitória da conquista, Juazeiro, Governador Mangabeira... Quem sabe conseguimos ampliar ainda mais?

O foco da Associação é a paralisia cerebral. Saímos de lá com a proposta de preparar terapeutas para lidar com autistas.

Disso tudo, ficou uma imagem bem bonitinha.

O velho companheiro


formigas
Sai, formiga!
Ontem à noite, veio o pedido:

-Lá embaixo!

Estava estudando Português com Pedro - ele está fera com concordância verbal e nominal, mas é sempre bom ter uma força do pai, né? - Pedi ao Gabriel:

-Deixa o papai acabar de estudar com Pedro, tá? - e, dessa vez, ele esperou.

Descemos. Gabriel ficou passeando na mureta do jardim do PG. De repente:

-Ai! - e tirou alguma coisa do pé. Perguntei:

-Uma formiga mordeu teu pé, Gabriel? Ele se sentou na mureta e começou a espantar formigas que passavam numa trilha:

-Sai, formiga! Sai fora!

Demorou a sossegar. Eu falava que as formigas iam morder sua bunda, mas nada! Ele queria mesmo era jogar todas pro chão:

-Sai, formiga!

"Tem que passar Kwell!"
Mudou de interesse quando ouvimos a voz de Jair, nosso vizinho do 4º andar, um petroleiro aposentado, paraense, que esteve preso nos anos 1960 por suas atividades sindicais. Hoje, Jair desce toda noite acompanhado do Bidu, um beaggle obeso, e se senta em uma cadeira no play ground, onde fica tomando suas cervejinhas e comendo um peixinho. Eu o vejo como o avô que Gabriel não teve.
Gabriel se manteve longe do Bidu - mas nem tanto!

-Jair desceu com o Bidu, Gabriel!

Gabriel foi até Jair, que cumprimentou:

-Boa noite, companheiro! (Jair chama todo mundo, até Bidu, de companheiro.)

-Tá com piolho! Jair riu:

-Você está com piolho? - Gabriel respondeu:

-Tá com piolho! Tem que passar Kwell! e passou a mão na cabeça do Companheiro.

A conversa prosseguiu. Gabriel me pôs para cantar O sapo não lava o pé para Mariene, Pedrão, Liz, Jair... Depois, falou para Jair:

-Olha o sol! O sol tá muito forte. O sol tá di-fi-cio!

-O sol está forte, Gabriel?

Gostei de ver que o medo do Bidu está bem menor. Mesmo assim, Gabriel se mantinha a uma distância segura; não permitia que o cachorro chegasse mais perto que um metro. E riu muito, quando disse para Jair:

-O estômago tá doendo! - e apontou para a barriga do Companheiro. Imeditamente, Jair gritou:

-AAAAAAAIIII! - e pôs as mãos na barriga. Gabriel não esperava e deu uma risada, meio assustado...

Coisa de uns vinte minutos depois, Mariene desceu com Pedro e Marquesa para buscarmos Leonardo na casa de um amigo. Jair ainda propôs que deixássemos Gabriel, mas ele preferiu ir conosco.

postado por: Argemiro Garcia 20.11.03

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Segunda-feira, Novembro 17, 2003

Primeiro contato com a equoterapia


Sábado pela manhã, fomos a uma Escola de Equitação em Lauro de Freitas - depois altero este texto para incluir o nome. Mariene, durante a Jornada PAE, conversou com Cristina, que foi a criadora dos projetos de equoterapia em Salvador. Foi a família toda: mesmo Gabriela e Gabrielo nos acompanharam.

A Equoterapia funciona em dois lugares: na Polícia Montada, que fica perto da EBDA (Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola), no último trevo da Avenida Dorival Caymmi, e nessa Escola de Equitação. É fácil chegar: depois da Insinuante da Estrada do Coco, a gente entra na rua do Posto Texaco; é a Rua Leonardo-qualquer-coisa. No fim dessa rua, vira-se à esquerda e, de novo, à direita - ali já tem uma placa indicando a Escola. Mais uns trezentos metros e se vêem os cavalos.

Gabriel viu os cavalos e abriu um sorrisão, mas estava com fome e foi direto para a lanchonete:

- Cachorro-quente!

- Você quer cavalo ou cachorro-quente?

- Cavalo... Cachorro-quente!


Mas a atendente disse que não tinha salsicha. Que choradeira! Pior foi que a dona chegou e achou as tais salsichas. Daí que... será que o berreiro deu certo!?! (Deve ser essa a conclusão dele, não é?) Mas foi preciso cozinhá-las. Daí, até ele se acalmar...

-Eu não queero cachorro-quente! Não é pra espelho! Não é pra esperar! Eu queero! Não é pra salsicha!!! - por algum motivo, talvez a semelhança entre as palavras, ele associa a angústia de esperar a espelho e ataca o mais próximo com uma fúria destruidora. Tive de ficar junto dele para proteger os retrovisores dos carros próximos.

Agarrou meus cabelos, tentou me bater com a testa. Acertou uma cabeçada em Cristina - que galo! - e outra em Mariene. Nem se interessou pelos cavalos. Depois de comer, de qualquer forma, foi dar uma olhada nos bichinhos. Interessou-se, também, pelos patos e marrecos do laguinho. Mas ficamos combinados de procurar Cristina na Polícia Montada, na quarta-feira. Quem sabe sai uma parceria com a AMA-Ba?




De noite, Mariene viajou: foi a Irecê para uma reunião, voltando hoje pela manhã. Fiquei com o trio calafrio - Leonardo, Pedro e Gabriel.

Gabriel começou pedindo Kinder Ovo - saímos para comprar o chocolate e, depois, para levar Leo para sair.

Mais tarde, Gabriel caiu em febre e se enfiou debaixo do chuveiro. Como Leonardo tinha ido ao Aeroclube Plaza Shopping com os amigos Rafael "Gordo" e Luís, fui buscá-lo e deixei o pequeno com Pedro - que ficou reclamando. Quando voltamos, Gabriel ardia. Acabava o filme A Rede, na Globo. Fomos deitar.

Domingo, Gabriel pulou cedo da cama - coisa de 7 horas das manhã - e se enfiou no chuveiro de novo. Estava com um pouquinho de disenteria, mas o resto do dia, melhorou.

Ficou nisso: Gabriel pediu pastel, fiz pastel. Pediu Kinder Ovo, fomos comprar. Pediu pão francês e... não fui. Tivemos uns gritos, mas nada sério. Beeem mais tarde, quando saímos de novo para levar Leo - de novo - à casa de outro amigo, na volta passamos no Hiper para comprar macarrão de lazanha e Gabriel lembrou na hora:

-Aaaaahn! apontado para a padaria:

-O que você quer?

-Pão francês!


Em casa, Pedro comeu a lazanha enquanto Gabriel pedia:

-A sunga! A sunga! - mas acabou dormindo. Já escurecia quando ele acordou com o mesmo pedido. Ainda teve de esperar - pacientemente, acho eu - que eu estudasse um pouco de Regência Verbal com Pedro.

Enfim, descemos. Lucas, do 703, já estava na piscina acompanhado do pai. Lucas tem síndrome de Down e a gente brinca muito na água. Embora ele não compreenda bem Gabriel e acabe irritando-o, eles se dão bem.

Gabriel não entrou na água, mas ficou empurrando a gente - e dando muitas risadas. Mas a barriga doeu e ele correu para casa, comigo atrás:

-TÔ com a barriga doeinnnndoooo!

Depois disso tudo, ficou sossegadinho. Só foi pedir pastel de novo lá pelas 10 e meia, já no fim do Fantástico.

Deu onze horas:

-Dona Jura! - não sabemos por quê, mas ele tem pedido para usar o computador assim - em particular o gravador do computador.

-Não, senhor. Está tarde, estou cansado e nós vamos dormir.

-UÁÁÁÁÁ! Dona Jura!

-Não... Vai escovar os dentes: tchoc-tchoc-tchoc! Anda!

Dormimos: Pedro deitado conosco, para me facilitar levantar pela manhã. Gabriel tem dificuldade em dormir sozinho.

postado por: Argemiro Garcia 17.11.03

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Milla


Gabriel acrescentou Milla, cantada pelo Netinho, ao seu repertório - coisa que não fazia há muito tempo. Começou a cantar na sexta-feira, dia 14. Mariene correu para a internet e achou a letra rapidinho. Ele ficou superfeliz e cantou assim (clique aqui para ouvri Gabriel cantando "Milla".):

-Oh! Milla
Mil e uma noites de amor com você
Na praia, um barco
o farol apagado
Num moinho abandonado
Em Mar Grande, alto astral
Lá em Hollywood,
pra de tudo rolar
Vendo estrelas caindo
Vendo a noite parar
Eu e vocêêêê...
Na ilha do sol
Na ilha do sol!

postado por: Argemiro Garcia 17.11.03

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Sexta-feira, Novembro 14, 2003

Eclipse e poesia

A Lua ficou vermelha!
A Lua vermelha!

No colo a Lua fica mais perto, não é?
No colo, para ver a Lua.

(A história aconteceu antes do post anterior, mas eu ainda não tinha baixado as fotos da máquina.)

Dia 8 de novembro, sábado: desta vez, Gabriel viu o eclipse lunar. A hora não era adiantada; mesmo assim, ele estava cochilando no quarto. Como Mariene foi cobri-lo, ele acordou - eita sono leve! Dava pra ver a Lua da varanda, mas a rede de proteção dificultava um pouco. Descemos.

Gabriel ainda estava febril, meio molinho. Mesmo assim, conseguimos mostrar-lhe a Lua:

-Gabriel, a Lua está vermelha!

Ele sorriu, depois de olhar para o céu. Mas estava molinho, molinho. De qualquer forma, esse eclipse, ele viu.


"Lá vai São Francisco, pelo caminho..."

Lendo Vinicius de Moraes


Domingo. Gabriel estava no quarto há um tempão. Fui ver o que estava fazendo: tinha nas mãos um livro de poesias do Vinícius de Morais, o Arca de Noé, e lia, todo entretido. A maior parte das poesias são as letras do disco que ele curte.

Chamei Mariene e Pedro para verem: os cabelos dele estavam molhados, ainda, do banho que tinha tomado para aliviar a febre - quando está com febre, fica um tempão embaixo do chuveiro quente, como se fosse uma sauna - isso o ajuda a expectorar a tosse. Ele não suporta tomar remédios, a não ser injeção. Pode?

Logo, foi para a sala com o livro e ficou mais um tempo com seus versos, sentadinho no sofá.

Alma de poeta se alimenta com poesia...

postado por: Argemiro Garcia 14.11.03

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Terça-feira, Novembro 11, 2003

Gaiatices


Gabriel e Marquesa, uma nova amizade.

Na semana passada, Mariene voltou a levar Gabriel a passear na pracinha que fica perto de casa. De noite, a praça fica vazia; só ficam adolescentes namorando ou conversando, algumas pessoas e seus cães. O balanço e a gangorra ficam livres - um espaço bom para brincar, se você não faz questão, ou não consegue, interagir com outras crianças.

Levavam com eles a Marquesa, a filha do Gabriel, que ficava chorando para subir no escorregador e no balanço. Marquesa chegou em nossa casa muito novinha e acabou de se criar com os gatos Duquesa e Leão. O resultado é que fica subindo nos móveis e correndo atrás dos bichanos. Quando alguém me pergunta sua raça, a resposta pode ser:

-Vira-lata legítimo! - ou... Personal trainer de gato. - ou, ainda: SRD (sem raça definida).

Na sexta-feira, dia 7, pela manhã, Mariene estava aguardando o Seu Wilson chegar para levar Gabriel à Escola Espaço Via Ponte. Tocou o interfone e ela não ouviu; quando foi ver, a porta da sala estava aberta. Desceu correndo com a mochila e a lancheira e quem encontrou? Gabriel no carro e Seu Wilson segurando a Marquesa. Desceram sozinhos!

Mais tarde, já na hora de ir embora, umas sete horas da noite, Ana disse a Gabriel:

-Gabriel, me dá o dinheiro do transporte.

Mariene só viu Gabriel correr para o quarto, pegar sua bolsa, tirar a carteira e, desta, duas notas de R$ 1,00, que deu para Ana. Contente, levou Gabriel para a praça. Mas só CD não tem outro lado...

Gabriel lá pelas tantas, resolveu que queria Kinder Ovo - aquele ovinho de chocolate que custa uma fortuna e vem com um brinquedinho dentro. Ele gosta porque pega o cilindro em que vem o brinquedo para batucar (é a sua estereotipia). Como não havia onde comprar o chocolate, Gabriel se pôs a gritar, arranhar, unhar, beliscar, pinicar, bater na mãe. Sorte que eu já tinha chegado de viagem - ela ligou para casa e fomos, Pedro e eu, buscá-los na praça.

Não achamos Kinder Ovo, mas o fato de me ver o acalmou. No dia seguinte, pela manhã, compramos o tal do ovinho.


No domingo, levei pela manhã Leonardo à casa de um amigo. Gabriel não quis ir e, assim, deixei-o em casa com Marquesa, sem avisar Mariene. Quando voltei, uns minutos depois, os dois já estavam na garagem do condomínio. Botei os dois para dentro do carro e fomos passear.

Já viu cachorrinho novo dentro de carro? Marquesa vomitou duas vezes - e nosso diálogo se refez:

-Qué isso aqui?

-Marquesa vomitou ração.

Quando parei no Supermercado Mazzani, na Rua Paulo VI, deixando os dois, aconteceu mais um acidente: Gabriel resolveu descer atrás de mim e bateu a porta. Mas Marquesa já o seguia e, assim, a porta prendeu sua patinha. Só ouvi seus ganidos e já entendi o que acontecia. Sorte que havia um jornal em cima do banco, porque ela mijou de dor...

(Claro que tomei uma bronca merecida pela minha desatenção de deixar Gabriel em casa sem avisar ninguém.)

Ontem, segunda-feira dia 10, Gabriel à noite veio pedindo, baixinho:

-LLLL... 'xo...

-O que, Gabriel?

-Lá embaixo.

Descemos. Nem esquentamos lugar na porta do condomínio e Gabriel veio:

-Caminhão de lixo!

-O caminhão de lixo vai passar aqui, Gabriel. Vamos esperar.

Apesar de inquieto, esperou, enquanto eu fiquei conversando um pouco com Mota, um vizinho. Quando o caminhão veio recolher o nosso lixo, precisei correr para ficar perto de Gabriel. Ficamos coisa de vinte minutos, com Gabriel interessadíssimo:

-Tchóóóóóóóó! Canta! - e eu repetia.

-Póffff! Ó o saco de lixo! Tchóffff! Até que o interesse foi diminuindo, diminuindo...

-...ça!
-O que, Gabriel? Quer ir pra casa? (A esperança é a última que morre, gente!)
-Praça!

Fomos pra praça. Ele me fez recitar a história de que um monte de gente caiu do sofá, quebrou a boca e o cachorro mordeu:

-Ítalo caiu do sofá que quebrou a boca. Cachorro mordeu as costas de...

-Ítalo.

-Canta!

-Ítalo caiu do sofá que quebrou a boca. Cachorro mordeu as costas de Ítalo.

-Jaqueline caiu do sofá que quebrou a boca. Cachorro mordeu as costas de...

-Jaqueline.

-Canta!

-Jaqueline caiu do sofá que quebrou a boca. Cachorro mordeu as costas de Jaqueline.

Acabou cansando. Caminhou em direção ao fim da praça. Pediu:

-Escada!

Subimos a escada para a rua de cima, demos a volta e fomos para casa.

postado por: Argemiro Garcia 11.11.03

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Sexta-feira, Novembro 07, 2003

Telefonando


Volto hoje a Salvador. Ontem, Pedro me telefonou; contou como foi sua nota, que vai participar do Ralouim... Mariene contou do dia; acabara de chegar da praça, com Gabriel. Este, perguntou:

-Papai? - e Mariene lhe passou o telefone.

Gabriel gosta de conversar ao telefone: cantou O sapo não lava o pé em várias versões e pediu para eu repetir a cada vez:

-Clara! - e eu:

-Clara não lava o pé,
não lava porque não quer,
ela mora em Pau da Lima,
não lava o pé porque não quer!


-Jorginho!

-Jorginho não lava o pé,
não lava porque não quer,
na casa dele tem muita água,
não lava o pé porque não quer!


-Pedrinho!

-Pedro não lava o pé,
não lava porque não quer,
na nossa casa tem muita água,
não lava o pé porque não quer!


A ligação foi longa, mas o importante é que ele se sente conversando.

postado por: Argemiro Garcia 7.11.03

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Quarta-feira, Novembro 05, 2003

Pausa


Estou viajando a serviço: estou no Rio; Roseli, Águeda, outros amigos - desculpem se ainda não consegui ligar, o tempo é curto.

Consegui um micro para atualizar o Cronica Autista - sugiro uma passadinha por lá, tem coisa importante acontecendo no nosso mundão. O Canto de Anjo fica sem muita notícia. Mas Mariene tem saído com Gabriel para caminhar na praça toda noite, faça chuva ou faça lua.

postado por: Argemiro Garcia 5.11.03

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Segunda-feira, Novembro 03, 2003

Roubando a cena


Trás-ante-ontem, sexta-feira dia 31, houve a mesa-redonda Meu filho é especial: e agora? na Petrobras, em Salvador. Participamos: Feliciano Cebreiro, Francisco Marques, Nair Moriel e eu, Argemiro Garcia. O encontro começou por mim - e por Gabriel!

O foco da minha falação foi que nós, pais de filhos especiais, precisamos ajudar aqueles que estão entrando nesse barco a entender que nossos filhos são diferentes mas têm direitos: direito de ir e vir, de sorrir, de sonhar, principalmente de sonhar - e nós também! Esperança nunca é falsa, nunca é vã! Esperança é apenas esperança, é um objetivo que buscamos alcançar. O nosso, aqui em casa, é que Gabriel seja feliz, autônomo e independente. As duas primeiras condições, acho que já atingimos; falta conquistar sua independência.

Quando um pai ou uma mãe se vê frente a frente com um filho especial, seu mundo desaba. A gente, que já passou por isso, pode mostrar que a vida continua e que há vida depois da notícia do filho especial - uma vida também especial. A vida não acaba, apenas passa a ser diferente, as alegrias serão outras, as tristezas também. Só isso.

Gabriel subiu no palco e vinha, toda hora, me pedir coisas: água, que eu repetisse alguma frase...

-Clara caiu no chão e machucou a boca! Canta! - e eu, claro, repetia. Como sempre.

O público se divertiu quando ele se jogou no chão e gritou: Aaaaaii! Minha bunnda...

Acabando minha intervenção, saí do palco e tentei levá-lo comigo, mas ele passou a fugir, correndo de um lado para o outro. E, já que não podia conversar com os outros palestrantes, começou a cantar. Acabando a Jornada PAE, muitas pessoas vieram nos cumprimentar - demorei a entender, mas acho que o show do Gabriel mostrou que é possível, sim, aceitar esses moleques, mesmo quando eles parecem estar atrapalhando. Mas, quem disse que atrapalhou? Ele estava me ajudando!

À noite, porém, haveria a peça Coração de Porcelana, da Via Ponte, no Teatro do ISBA. Na porta do teatro, Gabriel gritou, chorou e não quis entrar - aliás, nem quis sair do carro. Gritava:

-Nãããããõ! Eu não quéééééro! Condomínio Residencial Iguatemi! Vamos pro Condomínio Residencial Iguatemi? Eu não quero Condomínio Residencial Iguatemi!

Pior foi quando, enquanto Mariene conversava com Lúcia, a diretora da Via Ponte, Gabriel resolveu descer do carro - e abriu a porta traseira do lado esquerdo - aquela que costumo deixar travada.

Por apenas cinco centímetros - 5 cm !!! - uma picape quase arranca a porta e leva Gabriel junto. Essa mania de Gabriel soltar a trava...

postado por: Argemiro Garcia 3.11.03

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