Canto de Anjo



Eclipse da Lua, 2003.

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Impressões e imprecisões de nossa vida com Gabriel.

Gabriel é nosso caçula. Nasceu em 1993, em Macaé (RJ). No começo de 1996, percebemos que ele, além de não falar (apenas cantava), estava adotando um comportamento aéreo. Não atendia aos nossos chamados. Ficava isolado.

Será que é autista? Foi a primeira pergunta que fiz...

Contribua para melhorar a vida das pessoas autistas do Brasil!

O Dr. Walter Camargos Junior está organizando um vídeo para treinar pediatras na detecção precoce do autismo. Para isso, precisa de material. Quem tiver filmes de crianças pequenas (menos de 3 anos de idade), que foram posteriormente diagnosticadas como autistas, por favor procurem-no.

Dr. Walter Camargos Junior:
Telefone: (31)3261-5976
e-mail: waltercamargos@uaivip.com.br

No orkut, conheça a comunidade Sou fã de Gabriel Maciel

Clique aqui para entrar no grupo autismo
Clique para entrar na
Comunidade Virtual Autismo no Brasil

 

Livro: Vencendo o Autismo - A Menina sem Estrela.
De: Yvonne Meyer Falkas.

Relato da vida de Sheila, filha da autora, e de como a família tem convivido com o autismo. Um testemunho de como foram vencidas etapas com múltiplas adversidades, e suas conquistas. Um apanhado geral sobre o que vem a ser o Autismo, as supostas origens e causas e os preconceitos existentes.

Acessem o link: www.biblioteca24x7.com.br
No lado esquerdo, clique em autismo. Lá se pode comprar ou alugar o livro; alugar virtualmente significa que acesso online para leitura.

Segunda-feira, Junho 30, 2003

Conversando com Célia


Amanhã, Mariene e eu vamos a São Paulo, para o Congresso Brasileiro de Autismo. Hoje, foi a correria para acertar algumas pendências. Gabriel, junto comigo. Primeiro, pela manhã, fomos à ADELTOUR, para tirar as passagens - e Gabriel me pressionou para irmos de novo ao Dunkin Donuts.

Depois do almoço, fomos à agência dos Correios para despachar o CD com o boletim da AMA-Ba para a gráfica. Em seguida, mais ônibus, para irmos ao escritório da Oficina de Cultura, que trabalha com o Luís Augusto, do Fala Menino. Acontece que eu não tinha avisado que iria lá; Conceição tinha saído para fazer um lanche. Falei para Gabriel tocar a campainha por três vezes, e desistimos. Tudo isso e Gabriel calminho. Por último, fomos levar os papéis do convênio para Célia, a fonoaudióloga.

Ao entrar no elevador do prédio, falei:

-Aperta o andar da Célia, Gabriel! - e ele falou, bem baixinho:

-Dez!

Orgulhoso, respondi:

-Isso! É dez, mesmo. - e ele apertou. É nos elevadores da cidade que vamos treinando os números com Gabriel.

Célia quis aproveitar para conversarmos, já que ela tinha um tempinho - Gabriel, no entanto, quis ele mesmo ser atendido. Só depois de ele ficar um pouquinho lá dentro é que pude entrar. Enquanto conversávamos, Gabriel ia dando injeções em Célia:

-Vamos tomar injeção no braço?
PIC!
Coragem, coragem!
Vamos fazer curativo no braço?
Pronto, acabou!


-Vamos tomar injeção no ombro?
PIC!
Coragem, coragem!
Vamos fazer curativo?
Pronto, acabou!


-Vamos tomar injeção na testa?
PIC!
Coragem, coragem!
Vamos fazer curativo na testa?
Pronto, acabou!


No meio do tratamento qe ele ia fazendo em Célia, conversávamos sobre como ele vem evoluindo, como agora se comunica. Suas frases são todas inseridas no contexto, vão além da simples ecolalia. Agora, já consegue fazer esses joguinhos de imaginação:

-Vamos tomar injeção na bunda?
PIC!
Coragem, coragem!
Vamos fazer curativo no bumbum?
Pronto, acabou!


Eu chamo de gramática; ela, de discurso; importa que, agora, Gabriel forma frases bem mais elaboradas, garimpando a partir da sua ecolalia.

Também conversamos sobre os ditados que ele nos faz e sua confusão entre falar e cantar: Gabriel costuma falar uma frase e manda, depois, que a gente repita:

-Canta!

Quando expliquei que ele, na escola, ainda não escreve com lápis, embora escreva no teclado do micro com boa habilidade, Célia definiu que vai direcionar seu trabalho para essa linha. Como eu gosto de dizer, Célia é mais comunicóloga que fonoaudióloga, no nosso caso.

Falamos ainda da AMA-Ba, de como vai a entidade. O endereço do site ainda não consta nas tabelas de DNS, mas isso deve acontecer a qualquer momento. E temos avançado: os primeiros adesivos já estão na impressão.

Voltamos para casa, passando pelo Shopping Iguatemi. Ele quis ainda Sonho de Valsa, mas não aceitei entrar na Loja das Americanas; mesmo assim, ele aceitou ir para uma cafeteria; depois voltamos para casa. Neste momento, ele está batendo dois potinhos, andando pela sala.

postado por: Argemiro Garcia 30.6.03

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Paciência

Ontem, Gabriel queria passear de ônibus. Domingão, depois do almoço, a tarde avançava...

Mariene tinha montado a boneca do boletim da AMA-Ba, e tínhamos combinado que Rita viria buscá-la, para mandar para a gráfica. (Boneca, ou boneco, depende o Estado em que se fala, é um modelo da impressão que será feita.) Enquanto Rita não chegava, ficsmod numa queda-de-braço, com Gabriel reclamando:

-BTU! CAMPO GRANDE!

E a gente:

-Paciência, Gabriel! Daqui a pouco.

Resmungou, reclamou, mas aguardou. Só saímos depois que entregarmos a boneca. Pegamos o ônibus Campo Grande R1, que sobre pela Federação e volta pela Barra. Fomos Mariene, Pedro, Gabriel e eu. De novo, quando passamos em frente à sorveteria Capri, Gabriel quis descer. De novo, fomos direto para a Pituba.

Pedro dormia e Gabriel espiava pela janela. Passei para seu banco, apoiei sua cabeça no meu braço. Quando chegamos na Avenida Paulo VI, os chamamos:

-Gabriel, vamos para o Dunkin Donuts? Belo adormecido, vamos acordando?

Gabriel comeu um monte, Pedro também. E voltamos na santa paz, levando dois muffins para Leonardo, que estava doente.

postado por: Argemiro Garcia 30.6.03

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Sábado, Junho 28, 2003

Com Gabriela e Gabrielo


Ontem, dia 27, Mariene foi às pressas a Brasília, a serviço do mandato do Zé. A reunião de vereadores e deputados estaduais do PT está rolando. Fiquei com as feras e a casa pra cuidar - Ana, não sabemos porque - talvez um ruído na comunicação -, está sem aparecer há quatro dias; só veio no dia 23, segunda-feira. Esperamos que, pelo menos, venha na segunda, porque vamos ao Congresso em São Paulo na terça.

Acontece que fui um dos dez finalistas do Concurso de Poesia do SESI, e precisava comparecer à sua final. Convidei Geovane, um amigo ator, ex-namorado de Gabriela, para me representar. Fui ante-ontem à sua casa levar o poema, com Gabriel de cavalinho. Mariene, ante-ontem, estava trabalhando na Assembléia. Na casa de Geovane, Gabriel pôs Geovane, Vanessa, sua irmã, e Edson, seu pai, para cantar o Sapo não lava o pé, deu injeção em todo mundo e ainda fez limonada suiça no liquidificador. Mas, ontem, o caso era recitar poesia, mesmo.


Bom, o blog é para falar do Gabriel, então vamos apenas registrar que fiquei entre os dez, mas não entre os três primeiros. Mas Gabriel foi com a irmã e o cunhado para sua casa. Chegou, tirou o sapato, ligou a televisão. Pediu:

-Ó o peixe tomando Chamito.

Tomou um senhor banho. Na hora de vir embora, não aceitou sair antes de ver que a porta do banheiro estava fechada:

-Fecha a porta!

Já estavam no elevador quando o Gabrielo voltou para dentro de casa; Gabrielzinho seguiu-o para conferir se ele não ia abrir a porta novamente. Só então aceitou vir para casa.

postado por: Argemiro Garcia 28.6.03

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Doentinho


Fomos, dia 25, Mariene, Pedro, Gabriel e eu à SANAVE (concessionária Volkswagen) para escolher o carro - fomos sorteados no consórcio e, depois de 9 anos sem carro, isso é mais do que motivo para festa, né?

Gabriel se deitou no banco de trás de um Gol e ficou - Mariene e Pedro lhe fizeram companhia. A vendedora ainda comentou que ele estava febril, mas achamos que não era nada anormal. Daqui a pouco, Pedro vem me avisar que o irmão estava vomitando.

Depois que voltamos para casa, Gabriel ficou quietinho, deitado no sofá. Tomou vários banhos quentes - sempre faz isso quando tem febre. Dormiu quietinho, com a respiração difícil. No dia seguinte, já estava bom.

postado por: Argemiro Garcia 28.6.03

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Horas de stress


Gabriel gosta muito de ler créditos - de filmes, de jogos de computador, do que for - e adora o CD do jogo Freedom, justamente por causa dos créditos. De vez em quando se lembra e pede:

-Freedom!

Pois neste dia 24, à noite, ele decidiu ver o CD. Primeiro stress: achar o disco. Muito grito dele, muita angústia nossa, e o CD apareceu.

Segundo stress: carregar o jogo. Não ´tinhamos espaço em disco, e foi preciso liberar, fazendo back up num CD. Quase uma hora de gritos, com ele nos batendo (levei cada cabeçada na testa!).

Terceiro stress: instalar o dito cujo. O CD riscado, não queria instalar - e ponto final. Não houve pasta de dentes que polisse o suficiente para podermos fazer o bicho rodar.

Daí que ele se deu por satisfeito e, como ficou nervoso, se acalmou.

O CD está aqui do lado, partido ao meio. Quem foi? Não sei. Talvez Leo ou Pedro, na esperança de que Gabriel se convença de que é impossível usá-lo; talvez o próprio Gabriel, com raiva, ou num acidente com o drive do micro. Pior é que está esgotado, não conseguimos encontrar outro para comprar. Ele foi vendido numa revista da Abril. Se você tiver esse jogo, por favor, entre em contato conosco.

postado por: Argemiro Garcia 28.6.03

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Terça-feira, Junho 24, 2003

Viva São João


A preparação.
Aqui na Bahia, é milho verde que se assa na fogueira - assar batata é tradição do Sudeste; gaúchos assam pinhão, a semente da Araucaria, que paulistas comem cozida. Por sinal, pinhão, aqui, é coisa chique, só se encontra mesmo em rotisseries como a Perini: também, é quase uma importação. No Nordeste, o amendoim cozido na casca faz o mesmo efeito. De qualquer forma, São João é mesmo a festa brasileira do milho, para comemorar a noite mais longa do ano e, quem sabe, acordar São João.

A fogueira.
Gabriel, Mariene e a fogueira!
Até o ano passado, aproveitávamos a festa de São João do condomínio para comemorar o aniversário de Gabriel - um aniversário bastante explosivo. Ele já sabia que teríamos bombas, fogueira e Parabéns.

Chegava esta época, ele começava a pedir:

-A fogueira! A fogueira! - este ano, engraçado, não falou muito de fogueira. Mas curtiu.

A tradição de acender a fogueira com os vizinhos começou conosco. Uns cinco ou seis anos atrás, sem ter como viajar - no São João, Salvador se esvazia - comprei umas batatas doces e fiz uma fogueirinha, para que Leo e Pedro experimentassem batata doce assada.

Nos últimos três anos, os síndicos assumiram a festa. Gabriel adora a festa, os fogos e a fogueira, e o resultado está aí:


Viva São João! Os vulcões são os preferidos. Rafael, então, foi ajudar Gabriel a acender um fósforo elétrico. Quando conseguiram, Gabriel largou tudo e saiu correndo.
Gabriel e Rafael de olho num vulcão.Rafael ajuda Gabriel a acender um fósforo elétrico.


Leonardo e Pedro, rebeldes, deram o tom do show incendiário.


postado por: Argemiro Garcia 24.6.03

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Segunda-feira, Junho 23, 2003

O dia seguinte


Todo mundo esbodegado. Mesmo assim, Mariene e Pedro foram ao hospital, visitar Francis, amigo de Pedro. Gabriel pegou no meu pé (e me deu algumas cabeçadas, também) até que concordei em dar uma volta deônibus pela cidade.

Pegamos o Campo Grande R1 - sobe a Federação, passa no Campo Grande e volta pela Barra. Quando o ônibus passou em frente ao Farol, Gabriel botou a cara na janela. Quando passamos em frente à sorveteria, ele pôs a mão no meu braço - e, quando o ônibus parou, apontou para a porta, sem falar nada. Baixinho, eu lhe disse:

-Não, Gabriel. Vamos para casa. Se você quiser, vamos no Hiper tomar um sorvete.

Ele compreendeu, e fiocu quietinho. Descemos na Avenida Paulo VI e ele veio de cavalinho até o portão. Ainda encontramos Beth, estudante de Pedagogia que quer trabalhar com especiais. Convidei-a para vir aqui em casa, para lhe dar o texto Cinco Semanas, do Stephen Jay Gould. Ficamos conversando, Mariene, Beth e eu.

Foi aí que Gabriel quis Ouro Branco, o bombom; queri ir ao Hiperbompreço. Com muita teimosia dele e determinação nossa, ele mudou para camarão (esse, nós temos em casa); mas antes de fritarmos o camarão, já mudou para cuscuz com ovo.

Beth foi embora, eu fui dormir e Mariene, Pedro e Gabriel ficaram vendo televisão.

postado por: Argemiro Garcia 23.6.03

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Mais fotos da festa


O que Marcos comentou comigo é que na cama elástica, mesmo sem haver essa preocupação, havia um bom grau de inclusão. Ninguém se preocupava com qualquer diferença; todos estavam pulando juntos, e acabou.
Pedro e Tales, o Da Roça


Na frente de Marcos e Vinícius, Isabel fazia jus ao Troféu Pulguinha
Iago, nosso vizinho, e Ítalo.


Leonardo.

postado por: Argemiro Garcia 23.6.03

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Domingo, Junho 22, 2003

Hoje tem festa no gueto


Vínhamos pensando em fazer a festa do Gabriel com cama elástica faz tempo. Aproveitamos que, enfim, nossa economia se recuperou - graças a nossas férias - e contratamos uma empresa de animação. Aqui em Salvador, o aluguel de uma cama elástica é viável: R$ 100,00 para a festa toda, sem limite de tempo; alugamos duas - a empresa é a Algodão Doce.

Convidamos a meninada do prédio e o pessoal da AMA-Ba: Rita, Marcos e Vinícius; Mamãe Soraya, Henrique (desculpe: érre-i-que-u-é), Lu e sua prima Milena; e Jussiara, com Jean. Mas a festa foi mesmo para Gabriel: às 3 horas ele subiu na cama elástica (que os americanos chamam de trampolin) e só saiu às 9, para comer alguma coisinha.

Vinícius, nos primeiros pulos, estava supertenso, embora rindo o tempo todo. Entrei na brincadeira e ajudei o rapaz da Algodão Doce a segurá-lo. Gabriel ficou com ciúmes e, logo, o papai Marcos também entrou.

Como eu já falei, foi depois das nove da noite que Gabriel aceitou sair para o Parabéns - isso, depois que todos se reuniram em volta da cama elástica e cantaram Parabéns.

As fotos contam melhor o que aconteceu:

Gabriel e Ítalo

Gabriel e Ítalo



Marcos, Vinícius e Jean
Marcos e Vinícius
Marcos, Vínícius, Rita e Gabriel
Marcos, Vínícius, Rita e Gabriel


Jean, feliz da vida.
Jean


Henrique, sua irmã Lu e Maria
Henrique, com sua irmã Lu e Maria, filha de meus amigos Valquíria e Manuel
Vinícius e Marcos
Vinícius, com Marcos


Vinícius e o rapaz da Algodão Doce
Vinícius, com o rapaz da Algodão Doce


Gabriel e eu
Gabriel e eu
Rita, Vinícius e Gabriel
Rita, Vinícius e Gabriel


Henrique e Soraya
Henrique e a Mamãe Soraya


Jussiara, Vinícius e Jean
Jussiara, com Vinícius e Jean


Jussiara e Rita balançam Gabriel
Jussiara e Rita balançam Gabriel

Quando eram umas nove horas da noite, Mariene pediu a Henrique que chamasse Gabriel. Henrique cumpriu a missão: chamou, mas Gabriel respondeu com um NÃÃÃÃÃÃOO bem convincente. Sem saída, Henrique ficou na cama elástica também. Foi quando Manoel, o pai de Isabel, a Pulguinha (e de Manoelzinho, Maria e Ana - que ainda está a caminho), tomou a iniciativa de cantar o Paabéns em volta do brinquedo.


Parabéns em volta da cama elástica
Parabéns


Mais parabéns
Mais parabéns
Henrique e Jussiara
Henrique e Jussiara

A fome bateu, e o Parabéns fez o aniversariante se tocar que tinha festa por ali. Saindo da cama elástica, Gabriel foi até o salão de festas, pediu um pastel para a mãe e foi até o bolo, comigo junto:
-Quer que acende a velinha, Gabriel?
-Acende!


Parabéns pra você!

Claro, teve a volta triunfal à cama elástica, agora acompanhado de novos atletas.
Quando os Gabriéis se encontram: Gabriel, Gabriela e Gabriel
Gabriela, Gabriel e Gabriel

Mariene, Gabriel e Rafael (ao fundo); Gabriel, comigo e Mariene.


postado por: Argemiro Garcia 22.6.03

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Sexta-feira, Junho 20, 2003

Torta, coxinha, pão, pastel...

Quarta-feira, dia 18, Pedro tinha planejado uma festinha de fim de semestre, mas os colegas não puderam aparecer. Como Leo saiu com seu amigo Luís, Pedro pediu para irmos ao Shopping Iguatemi. Gabriel deu a linha do passeio: fomos às Lojas Americanas - onde ele pediu torta de limão, coxinha e Fanta.

Chegou a vez de Pedro. Gabriel foi a contragosto, carregado nas minhas costas, até a praça de alimentação, pedindo pão. Como a padaria A Francesinha fica pertinho, convenci-o a comprar seus pães lá mesmo, mas tivemos de deixar o irmão comendo sozinho. Mesmo assim, ele não se contentou com a compra e se pôs a pedir pastel. Até que ele está paciente: como a fila estava grande, eu neguei - e ele aceitou.

Poucas birras, mas expressivas

Ontem foi o feriado de Corpus Christi - estava impossível acessar o blogger para postar. Mesmo assim, foi possível carregar o site da AMA-Ba, embora ainda não esteja nas listas de DNS do registro.br. Muita gente já escreveu dizendo que não pôde acessá-lo.

No final do dia, fomos ao HIPER, desta vez para organizar a festinha - espero que não chova amanhã. Esqueci o cartão em casa, mas Gabriel se comportou bem, ficando com Mariene na Sopastéis, comendo pão com manteiga. Pode parecer estranho para quem nunca conviveu com um autista, mas eles se desequilibram com facilidade quando suas vontades não são atendidas (entenda-se isso como gritos, auto-agressão (socos na própria cabeça, arranhões no próprio rosto...) Por isso, é motivo de comemoração quando Gabriel não fica irritado com uma quebra de rotina.

No entanto, Ana Maria, que nos deu a Duquesa, nos pediu para ficarmos com o outro gatinho, até que ela volte de viagem. Dois gatos em casa! Gabriel agüentou bem, também, a zona: gatinhos correndo, gente conversando, movimento... Só que... deu onze horas quando todo mundo (Ana Maria, Aimo, seu filho, outros colegas de Pedro e Leo) foram embora. Bom, Gabriel quis cumprir sua rotina e começou a gritar, chorar e cutucar o nariz:

-PG! Quero PG! - o nariz começou a sangrar. Acho que a adenóide de Gabriel fica muito sensível, e qualquer coisinha (cutucão, Risperidona) a faz sangrar.

Era minha hora de dormir, para trabalhar no dia seguinte. Mariene se dispôs a descer com ele, enfrentando a chuva fria (acredite se quiser, tem disso em Salvador). Acordei quando eles foram deitar:

-Ficaram até agora lá embaixo?.

-Não... Gabriel quis subir às vinte para a uma.

Nem faço idéia de que horas eram.

postado por: Argemiro Garcia 20.6.03

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Quarta-feira, Junho 18, 2003

Rotina


Gabriel, nesta terça-feira, me ajudou a fazer um bolo. Quando era menor, ele se sentava na frente do fogão e ficava gritando, querendo que ficasse pronto na hora. Hoje, não só ajuda, ligando e desligando a batedeira, como às vezes vai dizendo o que tem que ser posto:

-Margarina! Ovo! Farinha! Leite! - desse jeito fica difícil entrar na dieta sgsc (sem glúten e sem caseína, proteínas do trigo e do leite). Apenas para relembrar, há pesquisas que apontam que a supressão dessas proteínas da dieta de um autista lhe traz muitas melhoras na atenção e na hiperatividade. A Dra Geórgia chegou a dar uma palestrinha para o pessoal do CRADD, no Rio, sobre o tema; ela pesquisou mais de 150 artigos médicos sobre o assunto - isso dava um mestrado, né, Geórgia?

Ontem, fui estudar com Leo e, desta vez, Gabriel ficou deitadinho na cama de Pedro, apenas observando. O assunto da prova de Geografia ia ser Massas de ar, e achei até que fosse interessar ao pequeno, mas acredito que ele não captou que o tema da conversa era Meteorologia. Penso que um autista se interessa por clima porque não consegue entender as mudanças que se dão com o tempo: um dia chove, outro dia bate sol, como cantou o Chico. Isso é um mistério, não?

Quando Mariene chegou com Pedro, trazendo algumas comprinhas, Gabriel foi enfiando a cara nas sacolas, olhando, olhando... Mas começou o Jornal Nacional e ele decidiu descer - já acho que ele não me quer mais em frente à televisão.

Como todas as noites, descemos para o portão. Mariene nos acompanhou, para prepararmos a lista da festa de Gabriel, que faz dez anos dia 23. Vamos contratar duas camas elásticas para este sábado. Conversávamos sobre o que comprar para comer, quem convidar e ele quis subir - para ir ao banheiro; nessas horas, simplesmente entra no prédio e vai ao elevador, sem nos dar satisfação. Precisa?

Depois de tomar banho, descemos apenas nós dois, e ficamos cantando o sapo, dando Olá, irmão! aos vizinhos, batucando as batatas... Que rotina!

postado por: Argemiro Garcia 18.6.03

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Terça-feira, Junho 17, 2003

Sapos, shopping, teimosia


Ontem, segunda-feira, Mariene me ligou do Shopping Iguatemi, que fica perto de casa, como o Hiperbompreço. Chamei Gabriel:

-Gabriel, vamos ao Iguatemi?

-NÃÃÃÃÃOOO!

Ele pediu Nescau e pão, foi tomar banho e quis vestir o pijama. Leonardo queria que eu estudasse com ele. Passou um tempinho, Gabriel pediu:

-Dupé! PG!

Chamei Leo para estudarmos no Play Ground, mas ele preferiu ficar sozinho com os livros. Desci, então, já preparado para uma esticada ao shopping.

No portão do condomínio, Gabriel cantou:

-O sapo não lava o pé
não lava porque não qué
ele mora lá na lagoa,
não lava o pé
porque não qué... Canta!


Obedeci:

-O sapo não lava o pé
não lava porque não qué
ele mora lá na lagoa,
preguiçoso é o que ele é... MAS QUE XULÉ!


Mas Gabriel reclamou:

-não lava o pé
porque não qué... Canta!


Passei, dessa forma, a cantar a outra versão:

-O sapo não lava o pé
não lava porque não qué
ele mora lá na lagoa,
não lava o pé
porque não qué...


E Gabriel começou a lembrar dos nomes de todos; primeiro, dos funcionários do prédio:
-Itamar! Clóvis! Ítalo! Leonardo! Pedro! Ivoneide! Nena! Sandro!

A cada um, eu atacava:

-Itamar não lava o pé
não lava porque não qué
ele mora lá na lagoa,
não lava o pé
porque não qué...


-Clóvis não lava o pé
não lava porque não qué
ele mora lá na lagoa,
não lava o pé
porque não qué...


-Ítalo não lava o pé
não lava porque não qué
ele mora lá na lagoa,
não lava o pé
porque não qué...


E me veio a inspiração, lembrando do que diz Rita Dultra, a musicoterapeuta:

-Lene não lava o pé
não lava porque não qué
ela mora em Salvador,
não lava o pé
porque não qué...


-Pedro não lava o pé
não lava porque não qué
ele mora no Porto Sol,
não lava o pé
porque não qué...


-Nena não lava o pé
não lava porque não qué
ele mora lá em Osasco,
não lava o pé
porque não qué...


Faltando pessoas, Gabriel lembrou do carro estacionado na rua, e eu:

-O carro não lava a roda
não lava porque não qué
ele mora em Salvador,
não lava a roda

porque não qué...


A brincadeira ia longe. A lua subia por trás dos prédios, Gabriel se cansou e chamou:

-Iguatemi!

Peguei-o de cavalinho e avisei Mariene que estávamos indo. Chegamos à loja e Gabriel não quis ficar. Com um pouco de insistência, aceitou entrar na Romelsa, para eu reclamar das cadeiras que compramos em janeiro, já quebradas. Ele sumiu:

-Cadê meu filho? Gabriel! Gabriel!

-Calma, ele está por aí.

-A senhora não está entendendo: meu filho é autista!

O susto da gerente me vingou de tanto descaso. Eu estava preocupado, claro, mas já esperava encontrá-lo com a mãe - dito e feito! Pacientemente, ele esperou sairmos da loja, mas... (como tem mas neste blog!)

Gabriel fincou pé na porta de acesso à passarela que liga o shopping à Rodoviária e à Estação Iguatemi (de ônibus urbano). Mais uma queda-de-braço, em que fui vencido: Mariene achou que seria fácil convencê-lo a pegar um ônibus que dá a volta no bairro e logo nos deixa perto de casa. Ao contrário, ele desceu até a Estação e se pôs a apontar para a plataforma que aponta na direção oposta: a Lapa.

-Não, senhor! Nós vamos pegar o ônibus do outro lado, e vamos para casa!

-UÁÁÁÁÁÁRHHH!

-Sem grito, mocinho! (era Mariene falando). Se gritar, nós voltamos para casa a pé! E um monte de gente olhando. Chegou um Pituba. Entramos, ele sentou no banco individual. A volta foi rápida, dá uns três pontos. E, na hora de descer:

-NÃÃÃÃÃOOO! - Todo mundo olhando, de novo.

-Sem grito, mocinho! Nós avisamos! A gente está cansado, vamos pra casa! Sob protestos, Gabriel desceu e se pendurou nas minhas costas:

-UÁÁÁÁÁÁRHHH!

-Se gritar, vai pro chão!

-UÁÁÁÁÁÁRHHH!

-Eu avisei!

No fim, apelando para suas últimas reservas de argumento, Gabriel se pôs a pedir, aos gritos:

-Dunkin Donalds! Dunkin Donalds! - numa mistura de Dunkin Doughnuts com McDonald's.

Chegamos em casa, depois de mais esse cabo-de-guerra. Mariene esquentou a janta, com Pedro reclamando do cardápio. Todos comemos e Gabriel foi se deitar, enquanto estudamos um pouco de Matemática para a prova de Pedro. Assistimos os filmes da AMA, que Mariana mandou para a lista.

O dia acabou.

postado por: Argemiro Garcia 17.6.03

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Segunda-feira, Junho 16, 2003

Vamo passear de ônibus?


Acordamos no domingo. Depois de pedir pastel (ele só come a massinha frita, que nós chamamos de cueca virada - nome aprendido com meu colega gaúcho Kurt Kunz), Gabriel logo começou uma ladainha:

-BTU! Ônibus! A praça! Campo Grande! Vale dos Rios!

Explico: BTU é a empresa de ônibus que tem linhas do nosso bairro para o centro: Campo Grande, Barra, Ondina, Pelourinho. Vale dos Rios é uma das linhas. E "praça" é uma tentativa de nos enganar; chegando na praça, ele se põe a gritar que quer andar de ônibus.

Depois de uma certa queda-de-braço, vendo que ele não ia mesmo esperar o almoço, combinamos - na verdade, impusemos - com Leonardo e Pedro que sairíamos e, ao voltar, faríamos o almoço. Pedro protestou que estava com fome, que era sacanagem, mas aceitou: chamaram uns amigos para jogar RPG e ficaram em paz.

Pegamos um ônibus Campo Grande R2. Tranqüilo, Gabriel sentou-se num banco individual, com Mariene e eu na sua frente; ia olhando o mar. Chegamos à Barra, o ônibus parou e Gabriel bateu no meu ombro, indo em seguida para a frente. Achando graça, o acompanhamos - ele saiu correndo pela calçada - é que há uma sorveteria bem na esquina do ponto do ônibus.

Dito e feito: ele entrou na sorveteria e abriu sua torneirinha de consumidor: pediu, de cara, um sorvete de maracujá; na hora de pesar, pediu: brigadeiro (chocolate granulado); depois, pediu café; em seguida, cachorro quente; mais café e, por último, uma lata de Sukita.

O sorvete, quem tomou fui eu; ele sequer experimentou. O primeiro café, Mariene tomou. O cachorro quente, ele experimentou, mas não gostou (nem eu). A Sukita ele bebeu um pouco. No segundo café, Gabriel começou a botar açúcar. Quando reclamamos que ele estava exagerando, ele contou:

-nove... dez! - e experimentou o café.

Nem com tanta compra ele sossegou. Saindo de lá, ele enveredou pela Marquês de Caravelas, dizendo:

-Petrobras! - e se mandou para o Posto que fica na esquina seguinte, entrando na loja de conveniências. Ele queria, mesmo, um Cornetto - mas não achou; pegou um pão-de-queijo e um picolé Frutilli. Sua sanha consumista só foi freada quando quis comprar uma lata de batatas Pringles. O limite tinha sido atingido - o nosso limite.

O passo seguinte de nossa jornada foi voltar para casa. Paramos num ponto e, enquanto esperávamos, ele ficou fazendo caretas - sua última novidade. Parece que, depois de tanto investigar as nossas expressões, está conseguindo fazer as suas mesmo. Ele agora diz:

-FIM! e dá uma piscadinha, todo meio atrapalhado.

Uma piscadinha sempre dá um charme.

Co-piloto de ônibus.
Foi quando chegou um micro-ônibus que faz a linha Sé-Iguatemi. Foi sua glória! Foi sentado no primeiro banco, ao lado do motorista. A cada parada, olhava para trás. Uma vez, disse ao motorista:

-Ítalo vomitou comida! Ítalo vomitou água! Canta! - o rapaz até agora deve estar tentando entender. Quando já chegávamos, perguntou:

-Qué isso aqui? - e eu:

-Câmbio! Volante!

Ele vai reparando, em carros e ônibus, que os motoristas mexem a direção e trocam as marchas. Acho que já quer dirigir.

O ônibus parou em frente ao Shopping Iguatemi e Gabriel ainda quis ir ao Hiper, onde deu um showzinho na hora de ir para casa - uns gritinhos - NÃÃÃÃÃOOOOO!!!-, sentou no chão... Nada fora do esperado.

Penetra 2 - Quero ver Irene rir...


Enquanto estivemos fora, Mariene ligou para Leo e Pedro, autorizando-os a pedir comida chinesa. Quando chegamos, pela pilha de louça na pia, parecia que tinha havido um encontro nacional de errepegistas. Enquanto eu punha uma carne para nós dois almoçarmos, Gabriel comeu um pouco de frango xadrez - e quis descer para o PG. Deixamos Mariene se divertindo com a louça e descemos.

Gabriel chegou na frente e qual não foi minha surpresa: uma cama elástica! Mais uma saia-justa! Gabriel ficou sentadinho, olhaaaaaaaaaaaaaando - com o olho beeeeem compriiiiido. Liguei para Mariene e ela:

-Ai, meu Deus!

Como recomenda Priscilla, mãe do Leonardo de Americana (SP), me armei com óleo de peroba e entrei no salão do Edifício Porto Rico. Perguntei de quem era a festa, e me disseram que era de Ana Luíza, parente de Irene Velloso. Fiquei mais tranqüilo. Não conhecia Irene, mas sabia que ela é muito gente boa, já tive a certeza de que ela ia me entender. Fui na cara de pau:

-Irene, oi! Você não me conhece, mas somos vizinhos já faz oito anos. Meu filho Gabriel é autista, e adora cama elástica. Você deixa ele pular na cama elástica? Você deve conhecer ele, é aquele garotinho que de vez em quando fica nos elevadores dos prédios, você nunca encontrou ele por aí? Olha, ele está de camisa do São Paulo, ali, do lado do Jair, batendo dois limões no peito, assim (imitei sua estereotipia).

Ela me olhava bastante intrigada. Seus olhos me diziam: Como é que é? Quando entendeu minha cachoeira de argumentos, ela falou:

-Claro, pode deixar. Eu sei como é criança. Respondi:

-Obrigado. Minha esposa, acho que já te conhece, mas eu sempre tive vontade de ver Irene rir...

Gabriel é o que está voando.
Ela sorriu, um sorriso bem largo, bem simpático - deu para entender porque Caetano cantou Quero ver Irene dar sua risada... Respirei aliviado, tinha resolvido o problema de Gabriel. Agora, escrevendo, vejo como estava ansioso - e engraçado.

Gabriel pulou. E pulou. E pulou. Mais de meia hora, sem parar, como costuma fazer. De repente, saiu e subiu, comigo atrás. Ainda encontramos Mariene no elevador, que tinha ido nos chamar.

Almoçamos já às seis da tarde e Gabriel não fez menção de voltar para o PG até que os irmãos chegaram, molhados, da piscina:

-A sunga! - e lá fomos nós para a água. Como está frio (padrão Salvador, 22ºC), ele não agüentou mais do que dois mergulhos, e subiu para o chuveiro quente.

Depois de uma cena de ciúme explícito, quando fui lavar os cabelos de Mariene e Gabriel ficou abrindo a porta do banheiro, Pedro me chamou para estudar inglês.

Para podermos estudar, Mariene desceu com Gabriel. Mais um pouco, desci e a encontrei conversando, enquanto Gabriel e outras crianças pulavam, pulavam... Lucas, o amiguinho de Gabriel apenas olhava. o rapaz que tomava conta do brinquedo me disse que já o tinha chamado, mas ele não quisera entrar. Conhecendo-o, interfonei para sua casa e consegui a autorização da sua irmã:

-Lucas, sua irmã falou que você pode pular.

-Ela falou que eu posso pular?

-Falou.

-Então tá. Vou tomar este sorvete.

Pularam até o pessoal da equipe desmontar o brinquedo.

postado por: Argemiro Garcia 16.6.03

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Penetra I - Um antropólogo na festa


Gabriel, neste sábado, ao descer para o PG, teve uma surpresa! Uma vizinha comemorava o aniversário da netinha e contratou um pula-pula! Ah, Gabriel sentou-se em uma cadeira e ficou apontando. Fiquei numa saia-justa danada. Não sabia quem eram os donos da festa, e não tinha como distraí-lo com outra coisa. Quem me salvou foi Jair, o velho companheiro.

Jair e sua esposa Jacira são nossos vizinhos. Paraense, petroleiro aposentado, sindicalista, comunista, Jair esteve hospedado pela Ditadura nos cárceres da vida. Com tudo isso, sempre manteve seu bom humor. Anda sempre acompanhado de seu cachorro Bidu - um beagle que também é companheiro. Expus nosso problema para ele, que disse:



-Não tem problema. Gabriel é companheiro. Vou falar com o pessoal, eles são nossos vizinhos, são gente boa. Assim, Jair conversou, e foi assim que Gabriel conseguiu sua vaguinha no pula-pula.

Quando as crianças menores quiseram entrar, tivemos de tirá-lo, o que o deixou muito irritado: bateu a testa no meu braço, deu uns gritos de raiva: UÁÁÁÁÁRHHHH! - nada fora do esperado. E foi bom ele ter saído, porque uma garotinha, Érika, bateu a boca no joelho da priminha Calulina. Isso foi suficiente para desviar a atenção de Gabriel, que veio atrás dela:

-Qué isso aqui?

-Érika, Gabriel. A Érika machucou a boca. Érika está chorando...

Ele ficou completamente fascinado pelo choro, e passou a segui-la, olhando e perguntando:

-Qué isso aqui?

-Érika machucou a boca, Gabriel. Érika está chorando...

Expliquei para a mãe de Érika que Gabriel é autista e que tem fascínio em observar pessoas chorando. Ela contou que é pedagoga e teve um aluno autista - por conta disso, leu Dibbs em busca de si mesmo. Prometi-lhe dar o endereço deste blog, mas Gabriel subiu para casa e não se interessou em descer tão cedo. Quando voltamos, elas já tinham ido embora.

postado por: Argemiro Garcia 16.6.03

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Quinta-feira, Junho 12, 2003

Be-i-ce-i-ce... ele-é-te-a!


Gabriel aprendeu, tempos atrás, uma música que canta:

-Eu sou capaz... - que ensina as regrinhas do trânsito.

Na época em que a aprendeu, quando ficava irritado,gritava EU NÃO SOU CAPAZ! e batia na própria cabeça. Ficávamos arrasados, e eu tinha que abraça-lo, dizendo:

-Você é capaz, sim...

Ante-ontem à noite, ele deu o piti que já contei no fim de Mais cantorias. Queria ouvir a música A Bicicleta, de Toquinho, cantada por Simone - acho que se interessa nela porque a palavra bicicleta é soletrada.

Quando saí do trabalho, ontem, passei na Americanas do Shopping Iguatemi e comprei o CD Pra gente miúda II, - quem quiser, aproveite: há uma promoção, o CD por R$ 9,99. Cheguei em casa, Gabriel pegou a sacola e tirou o disco. Mostrei:

-Viu? O papai não disse que comprava?

Foi direto ao aparelho de som e ouviu a música por mais de seis vezes, sem parar. Feliz.

Mariene conta que ficaram até quase as duas da manhã, ele insistindo em ir às Lojas Americanas para comprar o CD:

-AMERICANAS! AMERICANAS!

Ela falava, falava... procurando acalmá-lo. Gabriel ligou a TV no Programa do Jô. Ouviu a gravação de si mesmo cantando a música. Pediu espaguéti. Comeu e, ainda, levou o prato até a pia. Embora muito irritado, não deu muitos gritos, não se auto-agrediu nem tentou bater nela, nem em mim.

Mariene dormiu feliz em ver que nosso menino controla-se cada vez mais.

E ele escutou sua música com um ar de triunfo: já sabe que é capaz.

postado por: Argemiro Garcia 12.6.03

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Quarta-feira, Junho 11, 2003

Um prêmio para um irmão

Deu no Los Angeles Times:

Daniel Boyce, um garoto de 8 anos de Camarillo, Los Angeles, ganhou em um concurso de redação uma viagem para Londres, para ouvir J.K.Rowling fazer uma leitura de seu novo livro A Ordem da Fênix, da turminha de Harry Potter.
Daniel escreveu em sua redação que gostaria de freqüentar Hogwarts, a escola de Harry Potter, para aprender a fazer uma poção que curasse o autismo de sua irmãzinha de cinco anos, Suzie.

Ele diz que o melhor em Hogwarts seria a poção de cura do autismo. Eu daria um pouco para Suzie e então daria o resto para as outras crianças com autismo. Se Suzie não tivesse autismo, poderíamos ir para a mesma escola. Ela poderia ser apenas uma criança normal. ("...the Autistic Cure Potion. I would give some of it to Suzie, and then give the rest to other kids with autism. If Suzie didn't have autism we could go to the same school. She could just be a normal kid.").

http://www.latimes.com/news/local/la-me-daniel11jun11,1,7757313.story

postado por: Argemiro Garcia 11.6.03

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Mais cantorias


Gabriel, sábado passado, desceu para o PG. Desci atrás e não o estava achando. Até que nossa vizinha, Keila, veio me dizer que ele estava sentado na mureta que dá para a garagem - três a quatro metros de altura - e ela conseguiu tirá-lo. Ficamos a conversar e Keila, toda contente, me disse:

-Até que enfim ouvi a vozinha dele! Eu queria conversar com Gabriel há muito tempo, perguntava, perguntava e ele não respondia. Até que hoje ele cantou um monte comigo!
O sapo não lava o pé!


Gabriel prossegue agradando a seu público. Julieta, outra vizinha nossa, estudante de Biologia na Universidade Católica do Salvador, outro dia, veio toda contente dizer a Mariene que Gabriel tinha cantado com ela. Pois ontem, quando estávamos ele e eu no portão do prédio, Gabriel começou a cantar, acompanhado do batuquê de dois limões, transformando sua estereotipia em música:

A gravação...
Julieta e Gabriel gravam.

-O sapo não lava o pé,
não lava porque não qué,
ele mora lá na lagoa,
não lava o pé porque não qué!
Mas que chulé!

-Rebeca não lava o pé,
não lava porque não qué,
ela mora lá na lagoa,
não lava o pé porque não qué!
Mas que chulé!

-Aísha não lava o pé,
não lava porque não qué,
ela mora lá na lagoa,
não lava o pé porque não qué!
Mas que chulé!


Vi Julieta chegando com seu cachorrinho e avisei:
-Olha a Julieta, Gabriel!

...e a audição.
ouvindo a música
E ele, imediatamente:
-Julieta não lava o pé,
não lava porque não qué,
ela mora lá na lagoa,
não lava o pé porque não qué!
Mas que chulé!


Cantaram juntos. Então, ela se lembrou:

-Meu celular tem essa música!

E pôs para tocar. Foi o máximo para Gabriel, que ficava pedindo:
-Toca!

-Você gosta do Sítio do Pica-pau Amarelo? - O celular dela também tem o tema do Sítio.

Enquanto isso, fiquei conversando com Beth, outra vizinha, estudante de Pedagogia, e com Fabíola, estudante de Jornalismo. Beth quer trabalhar com crianças especiais. Mas Julieta, com um jeito meio de Emília, toda elétrica, pegou o celular de Fabíola, que grava, e se pôs a gravar a cantoria de Gabriel, que desfiou seu repertório, principalmente de cantigas de roda. De músicas mais comerciais, só cantou Camaleoa, do Caetano.

Deu onze horas, choveu um pouquinho, e não teve jeito: apesar dos protestos de Gabriel, chamei-o para subir.

Mariene, que estava diagramando o primeiro boletim da AMA-Ba, teve que sair do micro para Gabriel gravar. Mas... ele chorou até meia-noite e meia, pedindo a música Bicicleta, de Toquinho e Vinícius, cantada por Simone. Nem por milagre achamos; na verdade, não lembramos se temos. Tentamos o Cante, site de caraoquê. Até instalamos o Kazaa, para tentar baixar uma cópia! Felizmente, ele estava irritado, mas se mostrou compreensivo: gritou pouco e menos ainda agrediu, a si mesmo e à gente. Acabamos por encontrar uma gravação em formato wav dele mesmo cantando a música. Fui dormir e deixei-os acordados; parece que ele se conformou em ouvir sua própria gravação. Hoje pela manhã, os pratos e panelas sujas mostravam que teve macarronada.

postado por: Argemiro Garcia 11.6.03

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Terça-feira, Junho 10, 2003

Olá, irmão!


-Olá, irmão!
Gabriel agora curte mesmo sua nova mania. Toda noite, pede:

-PG.

Descemos para o play ground e ele vai direto para a portaria, se põe em frente ao portão do prédio e fica pulando e cumprimentando quem chega, com um sonoro:

-OLÁ, IRMÃO!

Uma ou outra pessoa que ele já conhece bem, recebe o cumprimento nominal:

-OI, JACIRA!

-Oi, Jacira!
Ele também aponta para o carro e me pergunta:

-Qué isso aqui?

-Volante.

-Qué isso aqui?

-Câmbio.

E, se aponta para o rosto do motorista, eu preciso explicar:

-Ele quer saber seu nome.

Alguns sorriem e se apresentam - é quando rola um diálogo:

-Fernando.

-OI, FERNANDO! BOM FIM DE SEMANA. ATÉ SEGUNDA!

A garotada, os adolescentes que viram Gabriel crescer enquanto brincavam no PG, adoram, sorriem e brincam com ele. Henrique, outro dia, ria a mais não poder. Julieta, que hoje é estudante de Biologia na Universidade Católica, amou quando, no domingo, Gabriel se pôs a cantar com ela. Mas, outro dia, um vizinho que não nos conhecia ficou com o vidro fechado. Gabriel cumprimentava:

-OLÁ, IRMÃO!

E o pobre motorista, acuado, de cara amarrada, não abriu o vidro e fazia sinal de não com o dedo. Chamei Gabriel:

-Deixa, Gabriel, esse daí não é irmão...

postado por: Argemiro Garcia 10.6.03

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Segunda-feira, Junho 09, 2003

Antropólogo


Livro de Oliver Sacks
A tirada da Temple Grandin, se auto-denominando uma antropóloga em Marte, é ótima. Autistas, mais do que as outras crianças, fazem pesquisa antropológica: ficam observando como as pessoas reagem. Boa parte das porradas não é outra coisa senão provocar a reação dos outros. Gabriel adora observar o comportamento alheio; se vê alguém chorando, seja adulto ou criança, seja no supermercado, no shopping ou na rua, pára na sua frente e fica olhando, com um sorrisão. Com a compra da máquina digital, então, ele deu para me morder - com toda força - enquanto pede para ser fotografado com os dentes cravados no meu braço. Depois, quer ver a foto. Ele não percebe completamente que está doendo, e tenho que gritar:

-Pára! Pára! Solta meu braço! Tá doendo! - Da última vez, fiquei com as mordidas doloridas por uns três dias.

Neste sábado, Gabriel me pôs para fazer caretas - e exigia muitas! Ele tem treinado muito essa coisa de fazer expressões, em frente ao espelho. Temos um ao alcance dele aparafusado na parede. Também ele fica se observando no espelho do elevador social, faz dúzias de caretas. É uma forma de aprender essa comunicação mais difícil que é a não-verbal. Suas caretas, que há uns três meses eram bem sofríveis, agora estão muito expressivas. Já consegue fazer cara de bravo!

O jeito é fazer disso uma brincadeira, para ele aprender a dosar a força. Mariene dá um grito bem chorado, quando Gabriel maltrata alguém (em especial Marrie, a gata):

-Não, Gabriel, coitadinho, não faz isso, tá machucando - mesmo que seja um boneco.

Gabriel tem me feito montes de curativos. Pegava um perfume de Mariene (o vidro caiu ontem no chão e quebrou), que ele gastou todo, e apertava o bico, sem o espalhador do spray, contra meu braço:

-Vamos tomar injeção? Coragem! Coragem!

-Vamos fazer curativo na veia?

-Pronto, acabou...


Ainda trago um Salvelox no ombro. Sem contar que sábado estava todo pintado de iodo: costas, pés, braços...

postado por: Argemiro Garcia 9.6.03

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Quinta-feira, Junho 05, 2003

NESQUIX

Depois da história da letra "K", entendi porque ele vem chamando o NESQUIK de NESQUIX: não conhecia a letra, e achava, então, que era um XIS diferente.

(Temos usado NESQUIK misturado com leite porque não tem glúten nem leite em pó; estamos tentando acostumá-lo com o gosto de outros alimentos, para tentar cortar o leite e o trigo/aveia/cevada/centeio - cereais que têm glúten.)

postado por: Argemiro Garcia 5.6.03

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O "K"

Gabriel, ontem, me pegou para escrever:

-Escreve! - E ditou: -"A" "Q" "AMA".

Escrevi: AQAMA, mas ele não gostou, e repetiu:

-"A" "Q" "AMA".

E eu, AQUAMA; mas ainda não era isso. Ele insistia, pacientemente, até que levantou, foi até o micro e perguntou:

-Qué isso aqui? - apontando para a letra "K".

Respondi:

-.

E ele passou a pedir:

-"A" "K" "AMA".

Escrevi AKAMA, mas não era isso e ele desistiu. Logo em seguida, recebemos um telefonema do Gama:

De novo, o elevador

De uns tempos para cá, Gabriel tem demorado muito para descer de elevador: sai de casa antes da gente e só chega depois. Ontem à noite, acho que descobri a causa.

Gama, nosso vizinho, convidou-nos para irmos até o Shopping Liberdade, para nos mostrar a loja de roupas de Ana, sua esposa: UOMO. Ele tem umas idéias para divulgá-la, e pediu nossa opinião.

Gabriel gostou: além do passeio, no Shopping há uma loja de games onde um rapaz bem afinadinho cantava no volume máximo do karaokê. Com os ouvidos tampados, Gabriel ficou muito à vontade, pulando em frente às máquinas de simulação de corrida de moto.

Quando voltamos para casa, Gabriel correu na frente e pegou o elevador. Foi aí que entendi o mistério: ele fica forçando a porta - embora pequenininho, é bem forte e a abre na marra. O elevador abre na metade do andar, e ele fica espiando pela janelinha da porta externa.

Demos-lhe uma bronca, mas... será que vai dar resultado?

postado por: Argemiro Garcia 5.6.03

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Quarta-feira, Junho 04, 2003

Enfim, o corte de cabelo


Ontem à noite? Hiperbompreço!



Depois de passear por freezers e prateleiras, Gabriel aterrisou no Dom Quixote Hair Cut.
Santa escovinha!

Primeiro, provoquei:

-Quer cortar o cabelo, Gabriel?

-UÁÁÁÁÁÁÁÁRH!

Entre idas e vindas, ele foi duas vezes ao sanitário:

-Fazer xixi no banheiro!

Entrou e saiu várias vezes. Perguntou:

-Qué isso aqui?

-Secador.

Até que, com muita insistência e os olhares meio assustados, meio curiosos dos outros clientes, Gabriel aceitou sentar no meu colo, em frente ao espelho. Beth, a cabeleireira, perguntou:

-Como eu ponho a capa?

-Deixa sem.

-Molha o cabelo?

-Você consegue cortar a seco?

Foi assim que saiu o corte do cabelo dele. Eu segurei firme, ele gritava, Beth ia tosando a juba (ou será crina?) Entre mortos e feridos, todos se salvaram. O resultado ficou bom e Gabriel saiu se coçando. No final, ela percebeu que, ao passar a escovinha de limpar a roupa, ele gostava. Foi assim que ainda conseguiu acertar algumas pontas.

No final, um sorvetinho do McDonalds e a volta triunfal para casa.

postado por: Argemiro Garcia 4.6.03

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Terça-feira, Junho 03, 2003

Orgulho do irmão


Ontem à noite, logo depois do episódio do iodo, eu fui fazer uma sopa. Faltou batata e, aí, a gente apela pros vizinhos, né? No andar debaixo moram Ivoneide e Levi, por coincidência o primo de Adriana, a pedagoga que trabalhava tão bem com Gabriel na Educarte. Lá fui eu:

-Caio, vim pedir pra tua mãe emprestar duas batatas e aproveitar pra pedir pro teu pai trazer umas coisas da venda.

Enquanto isso, Leonardo saiu do banho:

-Pai! Pai! Cadê você?

Ouvindo isso, Gabriel saiu a me procurar, também:

-PAI! MEU PAI! PAAAAI!

Abriu a porta, chamou no corredor, voltou. Leo achou tão bonitinho o comportamento do irmão que correu escrever na lista de irmãos de autistas que criamos. É assim que, aos poucos, a família inteira vai amadurecendo e percebendo que para o pequeno as coisas acontecem de forma diferente - todos, aos poucos, vão entendendo a necessidade de se orgulhar das pequenas coisas.

postado por: Argemiro Garcia 3.6.03

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Uma questão de gramática


Ter um filho especial exige que se tenham olhos para ver, ouvidos para ouvir e sensibilidade para perceber pequenas coisas que, numa criança comum, passam desapercebidas. É assim que se alimenta a esperança, um dia depois do outro.

Ontem à noite, segunda-feira, Mariene e eu conversávamos no quarto. Gabriel, na sala, estava todo preocupado com a bolha do seu pé. olhava, olhava... De repente, dá o grito:

-PAAAAI! MINHA BOLHA ESTÁ DOEEEENNDO! VOCÊ PODE PASSAR IODO? - num sotaque bem cantado, só dele.

Comentei com Mariene:

-Ele falou duas frases coordenadas - sei lá se eram frases coordenadas, mas foi a expressão que me veio na hora - Antes, ele dizia: Meu pé está doendo! Vamos fazer curativo no pé? Agora, ele falou diferente, ele usou a idéia da primeira frase na segunda.

E, claro, fui passar iodo no pé...

postado por: Argemiro Garcia 3.6.03

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O retorno


Na chegada, o abraço da mamãe Mariene.
A turma da Via Ponte voltou de Itaparica no domingo ao meio-dia. Fomos todos (Mariene, Leonardo, Pedro e eu) esperá-los e, no horário certinho, desembarcavam.
Ramona, de óculos escuros por causa da conjuntivite, contou que tudo foi bem mas, por causa de um atraso do ferry, Gabriel ficou nervoso, brigou e arranhou a si mesmo. De qualquer forma, como sempre, se acalmou quando o barco encostou.

Fomos almoçar no Shopping Iguatemi, a pedido de Pedro. De lá, Gabriel saiu para passear de ônibus, enquanto os irmãos voltaram para casa. Mariene, Gabriel e eu tomamos o ônibus GC-I (Grande Circular-I), que dá a volta ao mundo. O motorista se divertiu, quando nos viu descendo no mesmo ponto, quase duas horas depois: "vocês gostam de andar de ônibus, né?"

E, de noite, claro, Gabriel quis marcar seu ponto no portão do prédio.

postado por: Argemiro Garcia 3.6.03

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