Canto de Anjo



Eclipse da Lua, 2003.

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Impressões e imprecisões de nossa vida com Gabriel.

Gabriel é nosso caçula. Nasceu em 1993, em Macaé (RJ). No começo de 1996, percebemos que ele, além de não falar (apenas cantava), estava adotando um comportamento aéreo. Não atendia aos nossos chamados. Ficava isolado.

Será que é autista? Foi a primeira pergunta que fiz...

Contribua para melhorar a vida das pessoas autistas do Brasil!

O Dr. Walter Camargos Junior está organizando um vídeo para treinar pediatras na detecção precoce do autismo. Para isso, precisa de material. Quem tiver filmes de crianças pequenas (menos de 3 anos de idade), que foram posteriormente diagnosticadas como autistas, por favor procurem-no.

Dr. Walter Camargos Junior:
Telefone: (31)3261-5976
e-mail: waltercamargos@uaivip.com.br

No orkut, conheça a comunidade Sou fã de Gabriel Maciel

Clique aqui para entrar no grupo autismo
Clique para entrar na
Comunidade Virtual Autismo no Brasil

 

Livro: Vencendo o Autismo - A Menina sem Estrela.
De: Yvonne Meyer Falkas.

Relato da vida de Sheila, filha da autora, e de como a família tem convivido com o autismo. Um testemunho de como foram vencidas etapas com múltiplas adversidades, e suas conquistas. Um apanhado geral sobre o que vem a ser o Autismo, as supostas origens e causas e os preconceitos existentes.

Acessem o link: www.biblioteca24x7.com.br
No lado esquerdo, clique em autismo. Lá se pode comprar ou alugar o livro; alugar virtualmente significa que acesso online para leitura.

Quinta-feira, Maio 29, 2003

Gabriel em Itaparica

Mariene não agüenta: já ligou umas três vezes para Ramona. Chegaram bem, Gabriel almoçou e brincou com os coleguinhas e colegões. Como está chovendo, não saíram da casa, ontem.

Uma casa para a AMA-Ba


A casa é esta...

Hoje, fomos visitar uma casa em Patamares para alugar para a AMA-Ba. Foram conosco: Rita, Miguel Ângelo, Marília e Juliana. A casa é muito boa, vamos ver se dá certo! Além da piscina, há espaço para montar balanços, um ateliê que pode ser usado como auditório e vários quartos que podem ser usados como salas de aula para TEACCH e outros métodos e terapias.
...e este é o outro lado da casa.

postado por: Argemiro Garcia 29.5.03

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Isenção de I.P.I.


Ainda que este blog seja para falar de Gabriel, uma notícia dessas precisa ser comemorada:

Foi aprovado no Senado o Projeto de Lei de Conversão n° 9, de 2003 (Medida provisória n° 94, de 2002), que altera a lei 8989/1995. O relator foi o senador Tasso Jereissati.

A lei 8989/1995 dava isenção de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) nas compras de automóveis por pessoas em várias condições: motoristas profissionais (táxi), cooperativas de taxistas e, no artigo 1°, inciso IV - pessoas deficientes físicas.

O PL n° 9, de 2003, muda o artigo 1°, inciso IV (os grifos são meus):


Artigo 1º - Ficam isentos de IPI os automóveis de passageiros de fabricação nacional de até 127 HP de potência bruta (SAE), de no mínimo portas, inclusive a de acesso ao bagageiro, movidos a combustíveis de origem renovável, quando adquiridos por:

(...)
IV- pessoas portadoras de deficiência física, visual, mental severa ou profunda, ou autistas, diretamente ou através de seu representante legal.
..................................
§ 3° Na hipótese do inciso IV, os automóveis de passageiros a que se refere o caput serão adquiridos diretamente pelas pessoas que tenham plena capacidade jurídica e, no caso dos interditos, pelos curadores.

§ 4° A Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, nos termos da legislação em vigor, e os Ministérios da Saúde e da Fazenda, definirão em ato conjunto os conceitos de pessoas portadoras de deficiência física, visual, mental severa ou profunda, ou autistas, e estabelecerão as normas e requisitos para emissão dos laudos de avaliação das mesmas.

§ 5° Os curadores respondem solidariamente quanto ao imposto que deixar de ser pago, em razão da isenção de que trata este artigo.

§ 6° A exigência para aquisição de automóveis de 4 (quatro) portas equipado com motor de cilindrada não-superior a 2.000 (dois mil) centímetros cúbicos e movidos a combustível de origem renovável ou sistema reversível de combustão aplica-se, inclusive, aos portadores de deficiência de que trata o inciso IV do caput deste artigo.



A palavra autistas foi diferenciada das demais deficiências. No meu entender, isso é tão ou mais importante que a lei em si. Os autistas estão ganhando visibilidade, deixam de ser apenas mais um tipo de deficientes, de doentes.

É mais um passo para terem acesso a seus direitos!

postado por: Argemiro Garcia 29.5.03

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Quarta-feira, Maio 28, 2003

Nova viagem


A Escola Via Ponte programou uma viagem para a meninada. É a terceira vez que Gabriel viaja com a turma. Eu, patetão, achei que seria só na próxima semana, mas foi hoje! Ele ficará fora até domingo: quatro dias!

Fomos, Mariene e eu, ao Hiperbompreço (claro!) com Gabriel, para comprar o que estava faltando. Lá há uma televisão de 53 polegadas conectada a uma handycam - Gabriel adora ficar na sua frente fazendo caretas; ontem, particularmente, as caretas foram caprichadas!

Hoje pela manhã, fomos à estação do Ferry Boat, em São Joaquim. Gabriel foi quietinho no táxi de Miguel, com quem sempre fazemos corridas. Chegando, Gabriel saltou do carro, pendurou em Ramona, sua pró, e depois ficou zanzando. Pediu sorvete do Bob's e uma garrafinha de água.

Lucas, outro menininho autista (sua psicóloga diz que ele tem psicose infantil), estava grudado num gameboy. Clara, de quem Gabriel fala muito ("Clara! Telefooooune!"), ficava tampando os ouvidos - deve ter alguma dificuldade auditiva. Outros colegas de quem não sei o nome estavam todos pacientes, aguardando a partida. Depois que Ricardo chegou, bem atrasado, foram para o ferry, felizes nos deixando para trás. Pena que está chovendo, mas - quer saber? - eles nem se importam.

postado por: Argemiro Garcia 28.5.03

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Dona Beatriz e Wellington


Este é Wellington. Se o vir por aí, pode entrar em contato comigo.
No dia 29 de abril contei aqui o encontro com Dona Beatriz e seus filhos Wellington, surdo, mudo e doente mental, e Wilson, que ajudava a mãe com seu irmão. Domingo (dia 25), fui com Marcelo, um arquiteto, para conhecermos a casa da família e fazer o projeto de um quarto para Wellington.

Com 22 anos, Wellington nasceu quando Dona Beatriz tinha 17 anos. Ela ainda tem mais quatro filhos. Moram em Fazenda Coutos, em uma casa de dois cômodos. Fabiane, a filha caçula, tem 12 anos e é deficiente auditiva. Ela é muito comunicativa, risonha, e freqüenta a primeira série em uma escola pública. Sabe alguns sinais para se comunicar e assina o nome. Dona Beatriz lamenta que não pôde levá-la para a escola, pois tinha que cuidar de Wellington. Ficou quietinha olhando pra gente. Quando viu que a conversa ia acabando, veio contar alguma coisinha de sua vida: fez o movimento de bater palmas e soprou seu dedo. Os irmãos explicaram que teve uma festa na escola dela. Apontou para Wellington e bateu com a mão fechada na testa (sorvete na testa).

Aparentemente, Wellington não ouve, também. Mas apresenta, além disso, comportamento autístico: balança o corpo para a frente e para trás. Quando era menor, batia a cabeça na parede. Não conseguiu aprender nenhuma linguagem alternativa, e só se comunica apontando e gritando. Já teve convulsões. Apresenta retardamento. Anda pelas ruas e entra nas lojas gritando e apontando para carrinhos, os quais coleciona às dúzias. Deixa seus brinquedos (só carrinhos!) todos arrumadinhos num canto da sala. A mãe, com muito sacrifício, comprou um vídeo, na esperança de que ele "aquietasse em casa", o que não ocorreu. Ele está sendo medicado com Haldol e cloridrato de clorpromazina (se não me engano).

Quando sai andando pelas ruas, muitas vezes se mete em confusão: um tempo atrás, parou para urinar no meio da rua e começou a se masturbar. um grupo de mulheres queria linchá-lo. Um telefonema alertou sua mãe, que conseguiu evitar sua morte. (Wellington tem bordados na roupa seu nome, o telefone e uma mensagem explicando que ele é surdo, mudo e deficiente mental, mas nem todos acreditam nisso.)

Minha dúvida é: que tipo de facilidades poderíamos projetar para tornar o seu quarto mais confortável? Pensamos em um espaço em que ele possa arrumar seus carrinhos, do tipo uma "pista" e uma estante à la TEACCH (consulte também o site do Centro TEACCH Novo Horizonte).

A mãe quer uma condição em que possa trancá-lo, de forma a que garanta sua segurança - Wellington foge e vai brincar com seus carrinhos na avenida próxima; é conhecido no bairro como Mudinho e Motorista. Já foi atropelado três vezes. Marcelo, o arquiteto, não quer projetar uma cela, mas sinto que nosso trabalho passa por dar à família uma condição de confinamento e, depois, um esforço com algum método de ensino que junte aspectos do TEACCH com a LIBRAS (Linguagem Brasileira de Sinais) e, quem sabe, alfabetização.

Será que acolchoar as paredes e colocar uma rede seriam boas idéias? Talvez colocar um balanço, ou uma rede?

postado por: Argemiro Garcia 28.5.03

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Terça-feira, Maio 27, 2003

No portão da garagem


Gabriel, agora, consolidou sua nova mania. Toda noite quer ir para o portão da garagem, para ficar "recebendo" os vizinhos que chegam de carro. Parece que venceu mais uma barreira. Talvez se sinta seguro em abordar as pessoas sentadas nos seus carros - afinal, os adultos ficam da sua altura, e ele consegue olhar nos seus rostos.

Ontem, segunda-feira, ele ficou brincando no micro. Usou o cd do Coelho Sabido que, depois de muita pasta de dente, está quase sem riscos. Depois, ficou gravando suas cantorias. Por último, ficou vendo as charges.com.br que temos arquivadas no computador.

Quando eram dez horas e eu já me preparava para dormir, Gabriel pediu:

-PG!

Tentei argumentar com ele que já era hora de dormir. Fui tomar banho. E ele, coitado, lá na sala, pacientemente pedindo:

-PG! PG!

Fiquei com pena, me vesti de novo e o chamei:

-Vamos, Gabriel, para o PG - mas só um pouquinho, que estou cansado, viu?

Mariene assumiu o micro, para fazer as matérias do trabalho do fim de semana, aproveitando que o micro estava sem o gênio da informática.

Mas Gabriel quis tirar a sandália, queria ficar descalço. Tentei impedir, argumentando que os pés iam ficar sujos, podia se machucar... Ele não tirava nem as sandálias dos pés, nem a idéia da cabeça. Fazia sua cara de sério, que é muito engraçada, e eu dizendo para ficar calçado. Até que cedi. Só aí ele começou a se aproximar dos carros:

-Qué isso aqui?

Avisei:

-Vamos contar dez carros e depois subir! - e comecei a contagem:

-Um carro! Dois carros!

-... Agora já são nove carros, Gabriel!

-Dez! Dez carros! Vamos subir!


E a resposta, em tom gutural:

-NÃÃÃÃÃOOOO

-Tá bom, mais três carros!

E, quando chegaram, juntos, o décimo-terceiro e o décimo-quarto carros, não dei mais mole: peguei-o de cavalinho e subimos. Ele, todo risonho. Eu, com um sono...

postado por: Argemiro Garcia 27.5.03

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Segunda-feira, Maio 26, 2003

Desmaio


Sábado, Mariene ia viajar novamente, desta vez para Iraquara, para uma reunião do Fome Zero. Fomos à rodoviária comprar sua passagem e, depois, fomos ao.... Hiper! Claro!

Compramos uma máquina fotográfica digital, para seu trabalho e para registrarmos mais nosso dia-a-dia. Gabriel, claro, correndo pelo mercado. Quando íamos saindo, peguei-o de cavalinho e ela foi tirar a nota fiscal.

Cheguei à fila do caixa com Gabriel pendurado no meu pescoço, e deixei-o assim. Sei que ele ficou um tempão, alguns minutos, o suficiente para minha vista escurecer - só deu tempo de pensar: faltou oxigenação no cérebro - e caí para trás. Acordei segundos depois com algumas pessoas correndo em minha direção; Gabriel sem graça, tentando entender o que tinha acontecido e eu, com uma baita cara de tacho.

Mariene chegou, comentei que tinha desmaiado, e expliquei que ele tinha ficado no meu pescoço,etc etc.

Quando fui pegá-lo de novo, de cavalinho, ele sentou no meu ombro, e não está mais se pendurando.

postado por: Argemiro Garcia 26.5.03

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Sexta-feira, Maio 23, 2003

Computação


Gabriel com o teclado Comfy
Gabriel e o teclado Comfy©
No final de 2000, comentou-se muito na lista autismo no Brasil sobre o teclado Comfy, vendido no Brasil pelo Grupo Positivo. Achamos um no Hiperbompreço (veja só!) no Natal daquele ano. Com um pouco de insistência, Gabriel aprendeu a usá-lo. Foi preciso colocá-lo no colo e mostrar-lhe o que era possível fazer. Foi assim também com o site charges.com.br, cheio de animações.

Com o charges.com.br, a vantagem está nas charges-o-kê, paródias com legendas, que permitem que Gabriel acompanhe a letra enquanto ouve a música. Fitas de vídeo como as da Xuxa só para baixinhos e Cante com Disney também são boas.

Ante-ontem, Gabriel voltou a usá-lo; adora o sol está brilhando e os anões que enchem balões até estourar.

Ele também gosta do CD do Coelho Sabido. O problema é que os CDs vão ficando riscados. Uma solução, achamos no clube do Clube do Hardware: passar um pano macio com pasta de dentes serve para diminuir os riscos, se eles forem superficiais.

Duro é se o risco é profundo e não conseguimos resolver. A bronca é certa.

postado por: Argemiro Garcia 23.5.03

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Quinta-feira, Maio 22, 2003

Zoológico


Duquesa, a gata.A casa está virando um zoológico. Depois da morte de Marrie, Pedro encontrou mais suporte para sua idéia de comprar um camundongo. Comprou um casal de topolinos. Não é porque o nome está em italiano que deixam de ser ratos. Mas, vá lá que seja. O post O fim de semana foi quase perfeito, de 12/2/2003, descreve o dia da compra dos bichinhos.
Ei, grandona! Será que somos parentes?
Duquesa e o topolino.

Mas a camundonga morreu, deixando o macho sozinho. Pior: ele comeu parte da cabeça dela. (Pedro demorou a perdoar o bichinho, mas acho que entendeu que não foi assassinato, nem um ato imoral; afinal, ratos não tem lá grandes valores éticos, né?)

Este é o gérbil - Splinter.
Também já chegou uma nova gatinha, a Duquesa.

E, então... Nesta semana, Pedro descobriu que uma colega tem um casal de gérbeis, aquele rato-do-deserto que parece um canguru, mas é roedor. E mais: que o casal teve duas ninhadas. E que ela estava distribuindo gérbeis. E que um colega seu estava dando uma gaiola de hamster. E...

Pois é. Agora, já temos três hóspedes lá em casa.

Como fica? Bom, ainda tem lugar pra gente dormir.

Gabriel? Ele não gosta muito do contato com bichos, ainda mais se ficam subindo pelas pernas da gente. Mas gosta de ficar olhando.

postado por: Argemiro Garcia 22.5.03

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Gabriel e Ítalo




Gabriel rosna: ROAAAHHHRRR!
Ítalo e Gabriel
Ítalo de vez em quando vem cá pra casa, junto com Ana, sua mãe.

Pequenininho, fica brincando e dançando pela casa. Dança até com as batucadas do Gabriel.

Esta foi uma das vezes em que os dois estavam juntos, em março.

Gabriel gosta que eu cante (com a música de O meu boi morreu, que será de mim...):

-Marrie mordeu a perna do Ítalo,
o Ítalo chorou
A Ana ficou brava...
e depois brigou!


Marrie, a gata, tinha a mesma cara da Duquesa; na foto do post Zoológico, acima, Duquesa está igualzinha à sua antecessora, de que Gabriel sente muita falta. De vez em quando, ele tem chamado Duquesa de Marrie, mas não é o único: até a gente se confunde.

postado por: Argemiro Garcia 22.5.03

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Terça-feira, Maio 20, 2003

Olá, irmão!


Mariene chegou cedo da viagem, ontem (segunda-feira): eram oito e meia da noite, ela estava batendo em casa. Feitas as festas da casa, atualizadas as fofocas, massagens no Leo, pedidos de Pedro, Nescau e pão na frigideira para Gabriel, lá pelas dez ele pede para descer:

-PG! PG!

E ficou na entrada da garagem. A cada carro que passava, chegava perto da janela e saudava:

-Olá, irmão!
-Tchau, irmão!

Quando chegou Ivoneide, nossa vizinha do andar de baixo:

-Olá, irmão! - avisei:

-É Ivoneide, Gabriel! - ele mudou:

-Olá, Ivoneide!

E, de novo:

-Olá, irmão!
-Tchau, irmão!

Alguns vizinhos abriam a janela, sem saber o que ele queria. Ele insistia:

-Olá, irmão!

Quando deu umas onze horas, aceitou subir. Pegou um pedaço de bacon na geladeira e pediu:

-Qué isso aqui! - respondi:

-Bacon.

E ele:

-Quero toucinho quente!

E comeu umas fatias de bacon frito, indo dormir em seguida. Como um anjinho.

postado por: Argemiro Garcia 20.5.03

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Batendo papo


No domingo, Pedro e Leo trouxeram amigos para almoçar conosco. Mas, antes disso, fui com Pedro e Gabriel cortar os cabelos no Dom Quixote Hair cut, que fica onde? No HIPER!

Enquanto Pedro era tosquiado, fiquei na porta do salão tentando adivinhar onde Gabriel estava. De vez em quando, passava ele, ao longe, batendo duas batatas. Quando chegou minha vez, Pedro saiu para procurá-lo. E Gabriel veio, todo importante. Ao me ver na cadeira, já com as orelhas de fora (meus cabelos já nem lembravam mais da cor da tesoura), começou a amassá-las, e me beijar. Só faltou dizer Coragem, coragem!

Mas quem criou coragem foi ele: sentou-se no meu colo e enfrentou quase dois minutos de escova. Mas não deu tempo nem de desembaraçar os dreadlocks para a tesoura poder entrar em cena. Suas caretas já mostravam que ele estava ficando agoniado.

O resto do dia foi tranqüilo: fizemos um churrasquinho, o apartamento cheia de meninos. Depois, todo mundo desceu para brincar na piscina do prédio - inclusive Gabriel e eu.

Subimos, a meninada ficou brincando.

Quando ia escurecendo, Gabriel desceu de novo. Fui atrás dele uns minutos depois, e fiquei observando do deck da piscina, com ele lá embaixo, na entrada da garagem, conversando com o pessoal do prédio:

-Meu pescoço tá doeeeennndo! Vamos fazer curativo no pescoço?
-Meu pé tá doeeeennndo! Vamos fazer curativo no pé?
-Meu braço tá doeeeennndo! Vamos fazer curativo no braço?
-Meu joelho tá doeeeennndo! Vamos fazer curativo no joelho?

Ao me ver, subiu para o PG e fomos para casa.

postado por: Argemiro Garcia 20.5.03

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Mais uma vez, no Hiper


Sábado de manhã? Hiper! Pedro pediu um churrasco, que deixei para o domingo. Mas fomos bater perna, Gabriel e eu, no supermercado cheio.

Como sempre, Gabriel ficou zanzando. Deixei o carrinho no caixa e corri pegar o leite. Um casal se aproximou, tentando descobrir se aquele carrinho estava sozinho na fila. Expliquei que tinha que ficar de olho no Gabriel e, papo vai, papo vem, expliquei sua condição de autista e que, por isso, tinha que ficar de olho nele.

Daqui a pouco, ele veio me pedir:

-Espeto!

O que ele queria? Coração de frango. Respondi, apontando para o freezer:

-Vai lá, pega o coração e traz para o papai.

Ele já está bem esperto: fez tudo direitinho! Explico: o que se costuma dizer dos autistas é que eles não conseguem entender muitas instruções de uma vez. Dizem que eles se embananam por completo. Por isso, a gente vem aumentando o número de instruções para ele realizar, aos poucos. Já estamos em três.

O casal ficou impressionado e, como sempre, comentou que não fazia idéia de que os autistas fossem assim. Deixei o endereço do blog mas, pelo jeito, não vieram sapear.

postado por: Argemiro Garcia 20.5.03

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Mariene viaja


Mariene passou o fim-de-semana no interior, a trabalho. Houve uma reunião de diretórios do PT. Fiquei com a macacada.
Sexta à noite, sentindo que tinha viagem próxima, Gabriel ficou ansioso. Perto da hora da mãe sair, Gabriel pediu:
-Batata! Purê!
Pusemos as batatas na panela, mas demora. Ele sabe, mas deu piti, queria o purê na hora. E tome gritaria.
Leonardo tentou segurá-lo com uma chave de braço. Tomou uma mordida... Acho que agora ele está entendendo melhor que o irmãozinho não é só manhoso.
Mas, depois de uns quinze minutos, a batata cozinhou. E o purê foi todo embora.
E não é que ele se comportou direitinho, na despedida da mãe? Mas pediu:
-BTU! Campo Grande!
E fomos passear de ônibus (BTU é a empresa que faz a linha Pituba-Campo Grande).
Acabamos dormindo no ônibus! Também, de volta para casa, o sono foi de pedra.

postado por: Argemiro Garcia 20.5.03

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Sexta-feira, Maio 16, 2003

Um dia desses no céu



Mudanças o deixam nervoso. Em dezembro, no Rio, ele queria andar de ônibus. (Mariene, Leo, Pedro e Gabriel.)
Mariene, Leo, Pedro e Gabriel.
Fomos, Mariene, Gabriel e eu, para o Shopping Iguatemi. Roda pra cá, roda pra lá, ele ainda queria ficar passeando, mas voltamos para casa, não sem algum protesto dele. Gabriela e Gabrielo estavam nos esperando e, logo, foram embora.

O eclipse lunar nesta madrugada seria uma boa oportunidade para ter um momento diferente com os filhos. Mariene ficou trabalhando no micro; Leo tinha ido dormir. Desci com Pedro e o pequeno para o play ground. Como tem costumado fazer, Gabriel quis ficar no portão da garagem vendo os carros passar e perguntando: "que é isso aqui?" e eu:

-Volante!
-Câmbio!
-Ivoneide!
(Quando eu sabia o nome do vizinho.)

Mostrei a Lua para Gabriel, que tinha me ouvido falar muito do eclipse. A lua cheia era um "círculo branco no céu." De repente, ele disparou pra casa.

Fiquei lá por baixo, deitado num banco. Pedro, que também tinha subido, voltou, e brincou com o fato de eu estar deitado. Respondi que não estava deitado; estava de frente para a Lua e de costas para a Terra. Ficamos os dois, então, de costas pra Terra, esperando alguma coisa mudar no disco da lua. Mas o tempo fechou um pouco, ameaçando chuva, e o sono foi batendo. Subimos. Gabriel estava nervoso; eram umas onze e quinze e ele pedia:

-Cassia Eller! Um dia desses no céu... CHARGES!

Traduzindo: ele queria a animação Um dia desses no céu do charges.com.br em que Cássia Eller chega ao céu. Além do nome fazendo referência a coisas no céu, São Pedro recepciona Cássia com algumas perguntas a que a cantora responde com trechos da música Malandragem, mais ou menos como Gabriel faz para conversar. Mas o link com o servidor da globo.com estava muito lento, a conexão caindo e... bom, depois de muitos gritos dele e de eu levar umas quatro cabeçadas, perdi a paciência, desliguei o computador (Mariene suspendeu seu trabalho) e carreguei-o pra cama, ele chorando, gritando, com uma baita hemorragia no narizinho (seu nariz voltou a sangrar, e ele cutucou, só pra piorar mais um pouco). Mariene e eu começamos a cantar, ele chorando muito. Mariene acha que ele pegou no sono lá pela uma da manhã. Eu apaguei lá pela meia-noite e meia.

Ainda levei uma bronca de Leonardo, que tem uma prova de Português hoje e não conseguiu dormir direito.

Como diz o Pasquale Cipro Neto, é isso.

postado por: Argemiro Garcia 16.5.03

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Quinta-feira, Maio 15, 2003

A porta do elevador


Ontem, na pressa de sair para o Hiperbompreço, Gabriel nem se trocou de roupa. Tive de sair atrás, descalço e sem camisa.

Desci até o PG, onde estava Henrique, o mesmo do dia do cavaquinho. Não tinham visto Gabriel. Fui para a garagem, e encontrei os pais de Lucas, nosso companheiro de piscinadas (é Lucas quem tem síndrome de Down). Eles estavam em frente ao elevador social, falando com alguém dentro do elevador. Pela janelinha, pude ver um rosto conhecido, mas a altura não correspondia.

Levei uma fração de tempo para entender: o elevador deu defeito, parando coisa de um metro acima do lugar certo. Gabriel espiava pela janela, e os pais de Lucas, preocupados, falavam para ele se afastar da porta. Pelo espelho do elevador, eu o via por trás, e comecei a fazer gesto e falar:

-Sai de perto da porta!

Mas ele estava rindo, achava engraçada aquela nova situação. Quando a porta fechava, ele tranqüilamente recuava. Quando ela abria, tornava a se espiar pela janela. Nós, preocupados. Ele, se divertindo.

O elevador descia a cada vez que fechava a porta. Até que pudemos abrir a porta e entrar. A mãe de Lucas comentou;

-Ninguém quer brincar com o Lucas, você é um dos poucos que brinca com ele.

Claro que fui eu quem respondeu pelo Gabriel:

-O pessoal também não gosta muito de brincar com ele. - e emendei:

-Eu consegui o telefone do SER DOWN para passar para vocês, mas alllguéééémmm - e apontei para Gabriel - escondeu minha agenda!

Bom, acabamos de nos trocar e fomos para nosso passeio diário. Tirando que ele quis comprar coração de frango e carvão - o que me fez ter medo de que ele pedisse churrasquinho de madrugada - o resto da noite foi sossegado. Apesar de que, quando voltamos para casa, ele pediu três pães na chapa (pão francês com margarina, na frigideira). Falando assim:

-Mãããããeee! Você pode fazer pão francês?? com aquela entonação cantada que é só dele...

postado por: Argemiro Garcia 15.5.03

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Rejeição


Neste domingo, Gabriel quis descer para o PG (play ground). Lá, depois de andarmos juntos no seu patinete novo, ele pediu a sua sunga. É que umas crianças estavam escorregando no piso molhado do prédio Porto Rico (nosso condomínio tem quatro blocos). Mas, foi só chegarmos perto que as crianças mudaram, correndo, para o Porto Seguro. Chegamos de novo, foram para a piscina. Ele as seguiu, comigo junto.

Como a piscina é muito grande para eles, ficaram se mantendo afastados de nós. Foi quando Gabriel me pediu:

-A sunga! - e apontou para minha bermuda.
Como havia uma mãe acompanhando a criançada que, na verdade, estava em uma festa no salão do Porto Seguro, subi para trocar de roupa e fiquei brincando com ele na água, enquanto os outros ficavam correndo em volta. Uma garotinha que já foi colega dele na Escola Criação cochichou algo para outra e imitou o jeito dele bater na barriga quando está contente. Eu lhe disse:

-Gabriel bate na barriga quando está feliz! - me pareceu que ela ficou meio sem graça... seus pais são amigos nossos, e devem comentar com ela dos progressos de Gabriel, mas sempre há o conjunto de crianças, em volta.

Mas a criançada enjoou da piscina e correu de volta para o Porto Rico, começando de novo o jogo: Gabriel chegava perto, fugiam dele. Não falavam nada, apenas o olhavam de rabo do olho. Mas, como o Porto Rico estava mais escorregadio, acabaram ficando por lá, memso, sem falar nada com a gente.

Sentei no chão, dessa forma, para brincar com ele, perto da meninada. Parece que ele estava tentando apenas compartilhar da presença dos outros, talvez conformado de não conseguir se comunicar. Feliz? Acho que sim. Quando todos entraram no salão de festas do Porto Seguro, ele quis ir atrás, mas como não fazíamos parte da festa, insisti - e ele aceitou - para irmos para casa.

Parece que vamos entrar num período mais difícil. Uma nova turminha de pequenos já está em condição de entender e de mostrar seus conceitos e preconceitos. Vamos ver...

postado por: Argemiro Garcia 15.5.03

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Terça-feira, Maio 13, 2003

Um filme sobre preconceito


Fomos, Mariene e eu, assistir ao X-Men 2. Se o primeiro filme estava bom, esse está ótimo! E, o que é melhor, se mostra uma fábula e tanto sobre preconceito e aceitação.

Bobby foi rejeitado pela própria família.
Uma cena marcante é quando Bobby leva outros mutantes para se esconder em sua casa. Ele, o Homem de Gelo, vai com Pyro, Vampira e Wolverine para a casa dos seus pais. É quando precisa fazer a revelação a sua família:

-Sou um mutante.

A reação de sua mãe é patética:

-"Você não pode fazer uma força para não ser um mutante?" - E, mais tarde: - "Onde foi que eu errei?"

William Stryker mostra mais ódio ainda. Incapaz de conviver com a condição de mutante de seu filho Jason, interna-o na escola de Charles Xavier. Mas descobre que lá seu filho não será curado, mas aprenderá a conviver com seus poderes mutantes. Isso lhe é insuportável, como pai: ele quer a cura. O diálogo entre Stryker e Xavier deveria entrar para os anais do cinema. Quando Xavier diz a Stryker que Jason não tinha do que ser curado, este grita um MENTIRA! tão cheio de ódio que não deixa dúvidas: a rejeição é total.

Sugiro a todos que tenham filhos com necessidades especiais que assistam a esse filme e pensem muito.

postado por: Argemiro Garcia 13.5.03

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Priscilla voltando


Foi no Dia das Mães que Priscilla voltou para casa. Presentão para o Leo, que estava tristinho...
Driblando as enfermeiras do hospital, Leo pôde ir visitar a mamãe. Pris me contou que ele estava todo desconfiado com o equipamento espetado nas mãos dela. Quando ela pegou a mão de Leo e pôs sobre o equipamento, ele se aliviou:
-"Ah, é de plástico!"
E assim vai a vida.

postado por: Argemiro Garcia 13.5.03

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Quinta-feira, Maio 08, 2003

Priscilla e Leo em frente à "obra" artística que ele deixou na parede.

Pris e Leo.

Uma amiga (muito) doente


Priscilla, a criadora da lista autismo no Brasil está muito doente - está internada desde sexta (3 de maio) com pneumonia dupla.

Muito do que nós temos conseguido com Gabriel é graças ao espaço de troca e de desabafo que surgiu com a lista criada por ela.

Priscilla mora em Americana (SP) e seu filho Leonardo tem 12 anos.

Nós, seus amigos da lista (e de fora dela) estamos torcendo pela sua recuperação.

postado por: Argemiro Garcia 8.5.03

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Vamos fazer curativo?


Gabriel é fascinado por curativos. Uma de suas brincadeiras é dar um tapa (eitcha mão pesada!) na gente e, em seguida, falar:

-"Doeu? Vamos fazer curativo?"

Ante-ontem, quando cheguei do trabalho, Ana estava com os olhos bem arregalados - que, por ela ser negra, se destacavam mais ainda:

-"Seu Miro, o Leonardo acabou de cortar o queixo!"

Leonardo tinha escorregado e se esborrachado de queixo no chão. Abriu um rasguinho no queixo, que sangrava:

-"E aí, Leo, precisa ir no médico?"

-"Não, está bom, é só fazer um curativo!"

Gabriel estava animado, olhava o rosto do irmão, pulava... Pedro foi comprar um esparadarapo Micropore® para eu fazer um ponto falso. Tudo ficou normal. Já ontem...

Para variar, aonde fui com Gabriel? Acertou! Ao Hiperbompreço! Nada de grandes aventuras. Adorei ter achado umas placas magnéticas baratinhas para fazer mural e trabalhar com figuras. Encontramos também o Christovam, um colega, também geólogo, a quem pedi para fazer material montessoriano (ele tem uma marcenaria). Chamei Gabriel:

-"Gabriel, este é o Christovam. Dê a mão para ele."

Gabriel estendeu a mão e, depois do cumprimento, saiu pulando. Apontou para a peixaria e, lá, para as bandejas de camarão (que, aqui em Salvador, está bem em conta).

Na saída, porém... entrei na farmácia para comprar alguma pomada do tipo caiu-bateu-escorregou - comprei Contusol®. E Gabriel pediu:

-"Atadura de crepon."

Só que as ataduras que havia eram do tipo extra-largo - caríssimas. Respondi, claro:

-"Não, Gabriel, está muito caro."

E, em casa, começou a gritaria:

-"Atadura de crepon? -Atadura de crepon! ATADURA DE CREPON!"

Para felicidade geral da Nação, Mariene achou um rolo (ele não aceitou nenhuma das alternativas: gaze, algodão, nada.) E Gabriel fez com que ela me fizesse um curativo.

Fiquei quase uma hora passeando pela casa com a atadura enrolada na cabeça.

postado por: Argemiro Garcia 8.5.03

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Quarta-feira, Maio 07, 2003

Canto de Anjo 1


Gabriel adora cantar - acreditamos que ele, ao invés de falar, canta. É por isso que faz musicoterapia. Rita Dultra, sua musicoterapeuta, tem um papel importantíssimo nas últimas conquistas de nosso pimpolho. Aqui está uma de suas cantorias:

Clique aqui para ouvir.

postado por: Argemiro Garcia 7.5.03

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Desembaraçando a língua... e os cabelos


Ontem (6/5), quarta-feira, quase às onze da noite, Mariene e eu estávamos deitados. Gabriel veio até a gente (ele estava na sala, pondo-e-tirando fitas no vídeo) e me soltou essa:

-Miiiiiiro! Cê pode sentar no sofá ¿˜? (o til depois da frase quer significar que ele deu uma cantadinha.)

Tentei conversar, alegar que eu estava cansado, mas Mariene apelou para meus sentimentos:

-Ô, Miro, vai lá...

Eu já estava meio caído mesmo para ir. Sentei, Gabriel estava vendo a fita do Castelo Rá-tim-bum. (Como tivemos uma locadora de vídeo, temos dezenas de fitas, o que nos facilita muito com essa propensão de Gabriel ver vídeo.) Pedro e Gabriel do meu lado. E eu:
Dreadlock é essa maravilha aí... Já pensou no Gabriel? (A foto saiu daqui.)

Já pensou uns dreadlocks assim?
-Gabriel! Esse teu cabelo está tão embuchado que está parecendo os dreadlocks de um rastafári! Vamos tomar banho e pentear esse cabelo!

-UÁÁÁÁÁÁ! NÃÃÃÃÃOOOOO!

-Ah, mas vamos mesmo! Pedro, me ajuda!

Praticamente arrastamos Gabriel para o chuveiro. Xampu e condicionador à vontade. Pente. Pedro segurava os braços de Gabriel para trás, que protestava bastante. No fim, cabelos lavados, desembaraçados, penteados e enxaguados. Aos gritos de protesto (-UAAAAARH!!!), quis vestir o pijama. Foi para a sala, ainda protestando, e ficou vendo a fita. Trancamos as portas da casa, para evitar que ele quisesse ir para o play ground.

Um tempo depois, veio deitar na nossa cama.

Apesar de tudo, se acalmou, não se auto-agrediu e só me arranhou uma vez.

postado por: Argemiro Garcia 7.5.03

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Terça-feira, Maio 06, 2003

Equilíbrio?


Estivemos, Mariene e eu, na Via Ponte, a escola do Gabriel (fica em Jaguaribe). Estava marcada a reunião com os pais, mas saímos mais cedo porque Mariene tinha uma reunião de trabalho e Ramona, a pró de Gabriel está afônica.

Comentando com Lúcia, pedagoga e diretora da Escola, que Gabriel está muito mandão, muito tirânico, ela observou - e Ramona assentiu com a cabeça:

-Engraçado, não é, Ramona? Eu já tinha comentado que ele, aqui, está mais comportado, mais participativo. Parece que, quando ele fica mais tirano em casa, fica melhor aqui - e vice-versa.

postado por: Argemiro Garcia 6.5.03

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Manifestação


Caiu um bloco de um de meus dentes na quinta-feira, dia 30 de abril. No sábado, dia 2/5, fui à dentista:

-"Gabriel, vou na Célia para tratar meu dente. Vamos?"

-"Uááááááá!"

-"Vamos lá, Gabriel!"


Depois de alguma insistência, Gabriel pediu:

-"Raider! Raider!"

Fomos. Mas, no consultório, a fome bateu e Gabriel começou:

-"Arroz! Arroz! (Célia, nossa dentista, e Dalmo, seu marido, são nossos amigos, e o consultório funciona em um anexo da casa.)

Feita a avaliação, marcado meu retorno, voltamos correndo para casa. E Gabriel entrou pedindo, com ritmo de palavra-de-ordem:

-"Prato, feijão! Arroz, educação!"
(A bem da verdade, Mariene acha que ele pedia: "Prato, feijão! Arroz, saúde!")

Explico: como Mariene e eu já participamos de muitas manifestações públicas, eu brincava muito com nossos filhos, na hora de comer, soltando a palavra-de-ordem:

-"Arroz! Feijão! Saúde, educação!" e, às vezes, ainda completava, brincando:

-"Carne! Verdura! Que a vida está dura!" (essa, de minha invenção).

Gabriel, de repente, se lembrou. E criou...

postado por: Argemiro Garcia 6.5.03

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